quinta-feira, 1 de outubro de 2020

EDUCAÇÃO SOBRE REDES SOCIAIS NAS ESCOLAS E NA VIDA: NECESSIDADE URGENTE

 O ser pré-histórico que saiu de sua maloca e viu um semelhante do outro lado do regato deve ter acenado para ele ou, pelo menos, desferido nele uma fatal machadada na cabeça para matar a fome dele e da família.

Com registros, desde a Idade Média, as pessoas cumprimentam-se cordialmente nas ruas e até conversam assuntos principalmente da vida alheia ou do dia a dia. Brigam também, até os dias de hoje. Matam-se com extrema propriedade. Usam mais revólver e garrucha que machados e foices neste ato violento e, para os nossos tempos, inexplicáveis.

Com o passar dos anos, surgiram as visitas. Os mais educados iam (ou ainda vão) à  casa do amigo para cumprimentá-lo, desejar-lhe felicidades, em momentos alegres ou tristes.

Em minha terra natal, São Sebastião do Rio Preto, era (ou é) assim: quando alguém recebe um amigo para almoçar, à tarde o visitado se tornará visitante para o jantar. Fato infalível.

Agora, vamos ao caso que interessa neste momento. Você envia uma mensagem a alguém e este se cala. Pode ser uma pergunta, pode ser uma informação ou mesmo um ato de respeito e admiração. Ou assunto urgente. Não vem sinal de resposta. Chato, não é? Se lhe é dedicado este exemplar desprezo, ignorando a sua amizade, pode até atingir a autoestima, quando essa não sofreu treinamento especial. Freud explica.


Hoje em dia, pelas redes sociais, há mais internautas remetendo mensagens do que dando atenções a   respostas. Há também os que não leem. Às vezes, confidenciamos  um comunicado e sequer ficamos sabendo se o remetente recebeu, ou gostou, ou detestou. O sinal é o mesmo que "não estou nem aí!"
Na pré-história, a prática passou como perdoável, porque o homem era um animal irracional integral, segundo a história. Na Idade Média, as lições de boa conduta, simpatia, respeito, já estavam sendo postas em prática pelos seres mais evoluídos. Hoje em dia, para este escrevinhador, é crime que abala o céu você receber qualquer recado, ou palavra, ou um simples lembrete e devolver com uma mudez maligna, ensurdecedora. Melhor é você tomar a seguinte decisão: "Se não me interessa esta amizade, vou bloquear este desagradável".

 Dizem que o silêncio é um dos melhores remédios contra agressões e algum tipo de ofensa desferida contra alguém. Pode ser e pode não ser. Na maioria dos casos é uma patada de cavalo desferida bem na cara do amigo virtual ou não. Pior que o "deletar".

 Quem recebe atenção, saudação, pedido, oferenda, menção de honra, simpatia, ato parecido e ignora, sequer lê, deveria voltar para as tocas e malocas. Quem sabe já teriam aprendido, com trovões barulhentos e relâmpagos de alta tensão, que a vida merece um grau de educação e respeito?

 Aproveito e sugiro que criem nas escolas  uma disciplina com este nome: Educação nas Redes Sociais. Há muitos  “neandertais” sobrando por aí e que merecem pelo menos mais uma oportunidade na vida.

 José Sana

Em 1.º/10/2020


terça-feira, 29 de setembro de 2020

PREFEITURA DE BODELÂNDIA MANDA ASFALTAR RUAS ASFALTADAS E ESQUECE AS ESBURACADAS

O prefeiteiro  de Bodelândia, sem saber o que fazer na véspera do pleito eleitoreiro de 15 de novembro vindouro, considerando que nada fez desde 2017 — ficou coçando saco durante três anos e meio — resolveu chamar em seu gabinete o dono da Asfaltadora Vale do Infinito Perdido.

 Na reunião, deu um murro bem forte na mesa: “Quero que você meta chão preto nessa Bodelândia toda!” A resposta veio imediata: “Eu vou fazer o que pede, mas num vai dar tempo de meter assoalho nem um décimo da cidade”. Contudo, a reunião terminou e  ficou assim: o chefinho obedeceu o chefão e passou na rua para conversar com o senhor GUIndaste, para que ele providencie o limpa-limpa, porque Bodelândia está mais suja que poleiro de pato. Acabaram com a Itaubeira e agora é Hipe-Urra.

 Aí começou a pregação de asfalto sobre asfalto, fato inédito pelo menos na Terra de Santa Cruz. E aconteceu com a rapidez de um relâmpago sem trovão. Afundaram-se as bocas de lobo às centenas (já teve caso de um menino agarrado nas grades). O lobo guará das bocas não gostou e gritou: “Me arrebentou”. Os ratos, presos nas redes estouradas debaixo das camadas de massa preta, também não apreciaram, já que lhes cortarem o passeio pela madrugada da cidade. Morreram centenas de roedores.

 “Isso é que dá voto!” — gritou o prefeiteiro Amarga Suas Mães. Mesmo assim, numa reunião regada a um milhão e meio de  reais, dinheiro que comprou apetrechos comestíveis e bebíveis, houve quem proferisse a expressão “Isto é faca de dois gumes!” Foi imediatamente proibido de falar. “Aqui quem manda sou eu!” — gritou o Amarga Suas Mães e Avós também.

 O dono da Construtora do Infinito ficou de assoalhar até quintais de gente que vende voto, inclusive um loteamento lá pros Bairro Embalsamado. Será a mais importante aquisição de votos com pagamento adiantado.

Vamos ver o que vai dar essa loucura toda de eleição em Bodelândia, que já tem uma placa assim: “Eu mamo em Bodelândia”.



sexta-feira, 25 de setembro de 2020

PSICOLOGIA DE BOTECO: POR QUE LADRÃO NÃO PARA DE ROUBAR?

 Desde criança estudo este caso. Lá pras bandas de São Miguel y Almas de Guanhães, minha primeira moradia fora de casa, com 12 anos, peguei um vício que nunca mais me abandonou: a cinefilia. 

Dentro deste contexto, no Cine São Miguel, rua principal da cidade, meus filmes preferidos eram da categoria bang-bang, principalmente se fosse estrelado por Kirt Douglas, Burt Lancaster, John Wayne, Antonhy Kinn. Nas tramas, aparecendo um ladrão, torcia por ele para dar certo o seu primeiro roubo, depois ficava no desejo de que ele sumisse e fosse gozar a vida sem novas tentativas de banditismo.

Mas isso nunca aconteceu, infelizmente. Então, deste criança, tomei birra de larápios, eles não param de roubar. Dizem os entendidos que roubar vicia, ou vira mesmo uma doença chamada cleptomania. Outros afirmam que a vocação se desperta ao ser aguçada a tal ambição. Acredite se você quiser, mas nos meus estudos constatei tudo diferente do que dizem as pessoas por aí

E vou dizer logo o que foi a minha descoberta, depois de várias pesquisas, leituras, observações, consultas e até mesmo entrevistas com os marginais. O negócio é o seguinte: o ladrão, ao realizar o primeiro assalto, tem medo de ser descoberto. Aí passa a roubar, furtar, assaltar mais vezes e a acumular riquezas como única saída  para não criar problemas para si. Entenderam?

Está explicado: o ladrão fica rico e aí pode comprar o silêncio de alguma eventual testemunha. Por isso surge a necessidade premente de roubar mais, sempre mais, mais e mais, indefinidamente. Repare que os seres de vida irregular são completamente interessados na profissão que adotaram para viver.

É o que vemos pelo mundo: roubam de terceiros, de segundos e de primeiros. Roubam do pobre, que adoece e não tem um tratamento de saúde adequado. Roubam a educação das crianças que, às vezes, ficam em último plano, em escolas de qualidade duvidosa.

Metem a mão sem dó nem piedade. Mas é possível, sim, ocorrer uma atitude chamada “pare”. Quando o ladrão souber que vai pagar o prejuízo que causou, então ele se arrepende e começa vida nova. Ele será submetido à Lei do Retorno. Quem duvidar, faça o teste e ficará apavorado com o que vem pela frente.

Numa sociedade repleta de ladrões, estou lançando este alerta para o bem da humanidade: cessem seus roubos,  meu prezado gatuno! Saiba que você não pode concorrer na vida em desigualdade de condições e está recebendo vantagens injustas. Acorde enquanto é cedo para não ter que pagar com juros pesados e altíssimas taxas de correção monetária dentro em breve. Tome juízo, além de vergonha na cara.

José Sana

Em 25/09/2020



quinta-feira, 24 de setembro de 2020

UMA ESTÁTUA PARA O KAKI

                             O mínimo de reconhecimento de São Sebastião do Rio Preto

 Amigos, este é um dos textos mais difíceis que me incumbe a vida de escriba despretensioso. Alguém mandara-me, recentemente, uma mensagem assim: “Zé Sana, pare de escrever sobre quem morre. Todos morrem e você fica falando só pleonasmos, repetindo sentimentos que jazem em todos os corações; passe a escrever sobre os que nascem porque nem todo mundo nasce. Quer uma ideia? Meta o pau naqueles seres sem sentimentos que apoiam o aborto; o aborto representa cortar a oportunidade de alguém vir ao mundo e ajudar a consertá-lo”.  Confesso que tal mensagem equivaleu a um tiro  no peito, indefensável e inapelável.

Pensei no assunto seriamente. Pessoas mais próximas  endossavam as palavras de outros e ainda diziam: “Todo mundo fala bem dos que morrem, sempre assim e melhor é você parar mesmo! Diante desta evidência estarrecedora, quase assinei uma declaração mais ou menos assim: “Declaro que não vou mais escrever sobre os que se foram deste mundo, somente sobre os vivos”. Pensei  em  assinar e levar ao Cartório de Registro de Títulos e Documentos  para averbar e, em seguida, mandar afixar defronte o computador.

Sustentei o silêncio até este momento. Até esta semana, mais exatamente hoje, dois dias após uma ocorrência. Amigos contrários à decisão me ligavam, pediam fotos, umas diziam: “Não vai escrever sobre este moço, que acaba de passar pela vida, deixar uma saudade indescritível e nos oferecer bons exemplos?” Respondi que já escrevera mais que um livro sobre este amigo, cujo nome próprio de cartório e pia batismal era e é, eternamente, João Guadalupe de Almeida. Conheci-o pela sequência de apelidos: Joãozinho da Sonel, Joãozinho Pão de Queijo, João do João Paulo e, finalmente, Kaki.


Vou sustentar a palavra de homem e não considerar estas linhas como um texto póstumo sobre o moço porque a nossa São Sebastião do Rio Preto sabe quem foi ele, conhece a sua história, simplicidade, sabedoria, jeito de ser, modo de andar e de falar. Desde o balaio de guloseimas que vendia ruas afora; os picolés itinerantes que entregava; o atendimento no Bar do João Paulo; a luta para manter, sozinho e sem nenhuma remuneração, o fornecimento de energia elétrica na Cachoeira Alegre; as duas de suas paixões, pela loteria e por Vera Fischer; seu xingatório mais santificado que possa existir, que todos entendiam como benfazejos; os gaguejos abençoados por todos, e por Deus — enfim, ele, de jeito peculiarmente compreensível e amado até chegar a este momento doloroso. Uma criatura que nunca teria raiva nem de uma onça que pudesse atacá-lo.

 Já escrevi também que na vida do casal João Paulo e Sonel, nasceram dez  filhos. Deus chamou nove e ficou apenas ele no mundo. O pai casa-se em segundas núpcias com Maria Rita e Deus lhe devolve nove irmãos e irmãs que havia perdido. Ato com cara de milagre, que também rabisquei em seguidos textos.

Tudo bem. Não vou mais escrever sobre os que nos deixaram. E nem sobre o Kaki. Vou apenas, e simplesmente, expor, de público, um pedido ao prefeito, aos vereadores, ao povo de São Sebastião do Rio Preto, a algum empresário que se sinta comovido, que façamos o seguinte: vamos erguer uma estátua para este moço e estampá-la em qualquer ponto da cidade. Não para remoer mais ainda esta saudade imensa que todos sentem por ele, mas por uma única razão: torná-lo eterno em nossas mentes, deixar que seus exemplos de humildade, trabalho, docilidade da alma  alastrem-se e transformem a loucura em que o mundo vive hoje num ambiente de amor como ele era e sempre será. Amigos, Joãozinho Kaki, queiram ou não queiram, é uma intocável  referência desta geração de nossa terra.

Concluindo, não entendam que escrevi, mas que sugeri uma homenagem, e a sua simplicidade não será alterada. Apenas que nós, seus conterrâneos e amigos, possamos demonstrar altíssimo nível de entendimento e estamos comovidos e dispostos em ser, como ele, de coração puro, alma límpida, alegria sem mácula. Que fique Kaki  inesquecível até o fim dos tempos.

 José Sana

 Em 20/09/2020

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

HARCY LAGE, GONÇALO SANTANA E EU


Conheci  Harcy Lage, saudoso pai de Marco Antônio Lage, esperança do futuro de Itabira, sem vê-lo e sequer ouvi-lo. Eleito vereador em 1972, tomei posse no ano seguinte. Durante  as reuniões do Legislativo Itabirano, Harcy  era um nome mágico, fantástico, uma espécie não sei de quê, acho que uma ópera. Vereadores sempre falavam dele, citavam-no como responsável por isso, por aquilo, aquiloutro. Conceituei-o, então, como pauta de reuniões.

De tanto ouvir  “Harcy Lage” daqui, “Harcy Lage” dali, certa vez resolvi perguntar durante uma reunião: “Senhor presidente, quem, afinal, é esse tal de Harcy Lage?” Ele foi resumido: “É um fazendeiro e ex-vereador, muito respeitado de Ipoema”. Tudo bem, pensei comigo, respeitado já senti que é.

Os anos passaram e  agora chegamos a  um dia de fevereiro de 1979. Tinha eu um jipe, adquirido às pressas,  para enfrentar as  enchentes bravas que caíam na região e fecharam entrada e saída de Itabira durante  bom tempo. No veículo, com tração nas quatro rodas, ia a Belo Horizonte  pelo menos uma vez por semana, via Ipoema, Bom Jesus do Amparo, até pegar a BR 381/262. Em BH adquiria mercadorias que não eram encontradas em Itabira para a confeitaria Cantinho do Pão de Queijo, meu ganha-pão na época.

Harcy Lage
Certa vez, voltando de BH em companhia de um funcionário, lá pelas dez da noite, debaixo de chuva torrencial, o potente veículo teve o diferencial agarrado no barro, em frente à sede da Fazenda da Dona.  Estacionamos, forçados, no meio da estrada e não passou  sequer uma alma viva para nos ajudar, só pelejamos e desistimos. Durante a peleja, vem um funcionário da fazenda e me orienta: “Você vai ter de esperar até amanhã cedo para que funcionários da Prefeitura venham arrancar esse carro daí.”

Vivemos um drama parecido com o das “mil e uma noites”. Antes de pegar no sono, que durou curtíssima  hora,  mal-acomodados, é claro, chega de novo o ajudante da fazenda e diz: “Estão te chamando para dormir  lá” — apontou o dedo para o casarão colonial, de notável valor cultural. Penhoradamente  agradeci.

Cochilos intercalados pelo barulho da chuva, o dia amanheceu, um funcionário da fazenda vai a Ipoema e traz uma equipe de trabalhadores municipais que, num instante, com um trator, puxa  o jipe. Ainda recebemos outro convite: “A dona da casa mandou chamar para o café”. Mais uma vez sou agradecido pelo segundo convite. Tento contribuir com os operários do socorro, mas eles rejeitaram todo tipo de gorjeta.

Passados  três anos, ou seja, estamos em 1982, eu numa campanha inglória  para  deputado estadual. A jornada é árdua, não só nas cidades vizinhas, mas também nas zonas rural e urbana. Comícios, reuniões, visitas, festas religiosas, casamentos, batizados, velórios, missas e outros  eventos faziam parte das programações. Como praticam os candidatos, cumprimento um a um os cabos eleitorais e eleitores. Entre  conversas,  falam  muito de dois fazendeiros e, não sei por qual razão, no auge de meus trinta e poucos anos, certos nomes guardo, como Gonçalo e Harcy, mas me fogem da memória as fisionomias.

Num dos comícios, deparo-me com um desses fazendeiros: aproximo-me  e o cumprimento com voz retumbante: “E aí, senhor Gonçalo, como vai?” Quebrei a cara e foi como cutucar onça com vara curta. Ele, simplesmente, agarra-me pelos braços e solta um discurso enfático: “Outra vez?” Vi que estava a um palmo de um puxão de orelhas sem saber o porquê.

Antes mesmo que desse  conta do erro, fixo os olhos no bolso de sua camisa e lá estava um monte de santinhos. Dava para ver: “Vote em José Sana, número 1117”. Alívio momentâneo, mas vem a fatal franqueza: “Olha aqui, seu Sana, candidato a deputado, estou trabalhando para você e você nunca me pediu; agora vem trocar o meu nome? Pare de me chamar de Gonçalo!” Estava frente a frente com Harcy Lage.

Nem sei mais qual foi a réplica. Ou melhor, perdi a voz. Ele continuou: “Olha que você  ainda teve a coragem absurda de passar  uma noite dentro de um carro na porta de minha casa, rejeitar convite para dormir, nem um simples café aceitou!”Minha voz embargada não emite sequer pedido de desculpas, acho que ele entendeu o constrangimento.

Poucos dias depois, noutro comício, aperto a mão do segundo fazendeiro e pronuncio a seguinte frase: “Como vai, senhor Gonçalo Santana Silveira?” Ele respondeu: “Onde ficou sabendo meu nome todo?” Desta vez acertei, penso comigo mesmo. Antes de lhe explicar, surpreende-me também: “Me dá cédulas dessas aí que eu e meu pessoal de casa vamos todos votar em você. O Harcy me pediu!”

O tempo voa para 2013, ele já não está mais conosco, leio um belíssimo texto no Facebook, de autoria de Stael Azevedo, que revela: Harcy Lage foi o pioneiro de fotografias na velha Aliança. Aí, então, anexo mais dados dele no meu caderno:  exímio fotógrafo, ex-vereador, grande chefe político e professor de política pura, limpa e sincera, das que poucos praticam hoje em dia, além de pai de 11 filhos, tendo Marco Antônio no meio do time de craques.

Este foi apenas um pequeno capítulo de meu relacionamento com Harcy Lage, passando por Gonçalo Santana. O importante ainda mais foi que aprendi  lições inesquecíveis, como: não rejeite um teto para dormir, nem um café de cortesia, quanto menos troque o nome do eleitor. Erros como estes podem custar uma derrota inapelável. Perdi a eleição para deputado, mas cheguei bem perto, com 15.351 votos num colégio eleitoral de 45 mil eleitores.

José Sana

26/08/2020

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

SÚPLICA DE ÚLTIMA HORA: DOE UM RADINHO, POR FAVOR!


Amigos, ajudem-me a raciocinar, por favor: estamos no ano 2020, não? Vivemos no Terceiro Milênio da civilização humana na face do Planeta Terra, não?

Mas  tive uma sensação esquisita, ou até saudosista, de  que estávamos na Idade Média, para não dizer na Pré-História, ao receber um pedido. Eis o resumo da mensagem:

 - A Secretaria Municipal de Educação de Itabira vai iniciar, nesta segunda-feira, 24 de agosto, aulas para seus alunos residentes nas zonas rural e urbana.

- As aulas serão ministradas via rádio (Itabira AM 770 khz).

- Para  se chegar a esta decisão, foi feita pesquisa junto às famílias de alunos. Constatou-se que 146 residências não possuem nem rádio, nem TV.

- Exemplarmente falando, a  Fide e a EFG/Itabira se uniram em prol destes estudantes e solicitam, a quem puder ajudar com a doação de um rádio, frequência AM, novo ou usado em boas condições de uso, que leve a sua doação até dia 28/08 (sexta-feira) à Secretaria Municipal de Educação (gabinete do secretário ou na Superintendência técnico-pedagógico) - Rua Jacutinga, nº 5 - Campestre.

- A providência de ministrar ensinamentos via rádio é para suprir a falta de aulas presenciais, situação provocada pela pandemia.

- Estamos não somente na Pré-História, mas também na pobreza total, já preconizada pela saída da Vale de nossas terras, em 2028. E não temos cerca de 12 mil reais para adquirir os radinhos. Unidos, cada um participando com uma doação, com certeza é possível, sim, realizar esta façanha.

Então, vamos praticar este ato de solidariedade? Pretendo ir lá levar o radinho que ainda vou pechinchar por aí (dizem que no Paraguai custa R$ 3,00, via internet) e espero encontrar você fazendo o mesmo.

Em nome de 146 famílias, a Fide e a EFG/Itabira agradecem. E nós também.

José Sana

Em 24/08/2020




sábado, 22 de agosto de 2020

DOEM RÁDIOS PARA CRIANÇAS ITABIRANAS, POR FAVOR!


Amigos, ajudem-me, por favor, estamos no ano 2020, não? Vivemos no Terceiro Milênio da civilização humana na face do Planeta Terra, não?

Mas ontem, 21 de agosto de 2020, sexta-feira, tive uma sensação esquisita, ou até saudosista, de  que estávamos na Idade Média, para não dizer na Pré-História. Anotem a mensagem que recebi e que me deixou meio perdido no tempo, depois deprimido:

“A Rede Municipal de Ensino de Itabira, vai iniciar a partir do dia 24/08, segunda-feira, a transmissão das aulas por meio das ondas da rádio Itabira 770 AM.

De acordo com levantamento feito pela Secretaria Municipal de Educação, 146 famílias ainda não dispõem de rádio, ou qualquer outro meio, para ouvirem em casa essas aulas.

Assim, a Fide e a EFG/Itabira se uniram em prol destes estudantes e solicitam, a quem puder ajudar com a doação de um rádio, frequência AM, novo ou usado em boas condições de uso, que leve a sua doação até dia 28/08 (sexta-feira) à Secretaria Municipal de Educação (gabinete do secretário ou na Superintendência técnico-pedagógico) - Rua Jacutinga, nº 5 - Campestre".




Releiam vocês a mensagem acima descrita: “146 famílias ainda não dispõem de rádio, ou qualquer outro meio, para ouvirem em casa essas aulas”. Depois pude apurar que a maioria absoluta dos “sem rádio” mora na zona urbana.

Volto ao início deste texto: estamos quando mesmo? A invenção do rádio é atribuída ao italiano Guglielmo Marconi no século XIX. No Brasil, a primeira transmissão ocorreu em 1923, por Edgard Roquete Pinto e Henry Morize.

O rádio é a união de três tecnologias: a telegrafia, o telefone sem fio e as ondas de transmissão. São quase cem anos que ele já era popular no nosso país. E voltemos a refletir: centenas de famílias, ou milhares, porque a pesquisa se fez com alunos da Rede Municipal de Ensino, não o têm, ou não o conhecem. E somos da grande Itabira, de Carlos Drummond de Andrade, da velha e poderosa Vale do Rio Doce, e governados por uma Prefeitura que está entre as que mais arrecadam impostos no Brasil. E gasta à revelia com bulhufas.

Depois do rádio, ocorreu uma quarta ou quinta revolução industrial. Veio o telefone sem fio, estabeleceu-se como popular a televisão, apareceu a internet e com ela  redes mais importantes de comunicação no mundo. E 146 famílias de Itabira entre alunos da Rede Municipal de Ensino não conhecem o rádio, ou só o veem em poder de “poderosos”.

Amigos, vamos deixar esse enxovalho de lado, pelo menos por enquanto e atendermos o pedido da Fide e da Escola do Sebrae. Vamos esquecer o nosso atraso. Vamos  somente  pensar no seguinte: um rádio comum custa R$ 80,00 x 146 unidades = R$ 11.680,00. Exemplificando, a Prefeitura de Itabira gastou R$ 14 milhões de verba federal para combater o Coronavírus. Mas não tem essa Prefeitura 12 mil reais, valor do salário de um mero secretário, e a metade da remuneração do prefeito, para adquirir rádios para alunos carentes, obrigados a estudar em casa por conta desse maldito vírus Covid-19?

Abro um parágrafo para dizer que objetivo destas linhas é pedir a você que me lê, que faça o seguinte, por favor: adquira um radinho e entregue-o no local determinado  para as famílias carentes. Elas vão ficar felizes porque você contribui para a educação de muitos meninos e meninas.

Fechando o parágrafo, quanto à realidade que nos atinge em cheio, desisto, acredito estarmos  mesmo numa civilização retardada, acordei na Pré-História. Por isso, vou, ao lado de cidadãos sensíveis, aguardar uma nova invenção. Não do rádio nem de mais nada, de tecnologia nenhuma, mas  apenas da vergonha na cara, que ainda não chegou por aqui.

José Sana

Em 22/08/2020