sábado, 29 de maio de 2021

ITABIRA E EU: 55 ANOS DE CONVIVÊNCIA

Como graduado em História, pós-graduado em História do Brasil e  Patrimônio Histórico, nunca fui adepto da Escola Positivista. Cada tempo na sua época.

 Agora, mesmo tentando praticar os métodos da História Nova, sou obrigado a fazer uma cronologia, dentro do contexto positivista, de minha relação direta com Itabira no decorrer dos anos, uma ligação umbilical, parece, mesmo tendo nascido a 60 km daqui, São Sebastião do Rio Preto.

 Em 1949, com menos de cinco anos de idade, fiquei conhecendo Itabira, cidade que visitei sempre. Assustava-me a escuridão provocada pelo Pico do Cauê e me agradava o soar dos pianos nas ruas centrais da cidade.

Aos 9, 10 e 11 anos de idade, assistia de uma montanha, 1,2 mil metros de altitude, no fundo de nossa casa, em São Sebastião do Rio Preto, explosões no Cauê. Estava a uma distância de 42 km em linha reta e achava aquilo algo do outro mundo.



A nossa cozinheira, Maria Lucinha, que cuidava de mim e dos irmãos, dizia que “os ingleses queriam acabar com Itabira”. Muitos anos depois, vindo morar aqui, liguei as suas palavras às de Carlos Drummond de Andrade: “Cada um de nós tem seu pedaço no Pico do Cauê...” Mas os ingleses por aqui não andavam mais naquele tempo. As minas de ferro tinham sido nacionalizadas por Getúlio Vargas.

28/05/1966 — Admissão na Companhia Vale do Rio Doce.  Assina minha Carteira de Trabalho, como “Apropriador”, o chefe de Serviço de Pessoal Sinval Silva.

01/03/1971 a 04/12/1973   — Curso de Contabilidade no Colégio Comercial Itabirano  (Fide).

03/10/1972 — Eleito vereador com 693 votos, em primeiro lugar  na cidade, pelo MDB.

31/01/1973 — Empossado vereador e eleito 1.º secretário da Câmara Municipal de Itabira.

01/05/1973 — Promoção na CVRD, por motivo de aprovação em concurso, do cargo de “Apropriador” para “Auxiliar de Cálculos e Dados”. Assinatura da Vale na CT por André de Caux.

01/07/1974 — Designado para o cargo de “Supervisor de Orçamento” com progressão automática da classe 4, 5 e  à 6.

01/01/1975 — Cargo de confiança “Controlador de Promoções e Relações Públicas”, classe 7.1, em Belo Horizonte.

01/07/1975  — Vestibular na Fafi-BH (hoje Uni-BH), quarto lugar, de Jornalismo.

26/07/1976 a 01/08/1976 — Nomeado coordenador do I Encontro de Associações de Amigos de Bairros de Itabira pelo presidente José Braz Torres Lage, lanço o Plano Funil como modelo político para solução dos problemas da cidade. E o coloco em prática até 1982.

02/10/1976 — Reeleito vereador com 701 votos.

06/11/1976 — Cargo de confiança “Assessor de Imprensa”, classe 7.1, em Itabira.

01/01/1978 — Eleito por unanimidade presidente da Câmara Municipal de Itabira.

08/01/1978 — Cantinho do Pão de Queijo —  Bairro do Pará, Itabira

30 de junho a 2 de julho de 1978 — Promoção do I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras. Nasce no congresso a ideia apresentada por Paulo Camilo Pena a pedido de Carlos Drummond de Andrade — Fundo de Exaustão de Recursos Minerais — que resultou na criação do Royalty do minério de ferro, projeto transformado em lei na Constituição Federal de 1988..

02/01/1979 — Demitido da CVRD.

08/01/1979  — Cantinho do Pão de Queijo —  Bairro da Penha, Itabira.

08/01/1980 — Cantinho do Pão de Queijo —  Centro, Itabira.

01/01/1982  — Eleito por unanimidade presidente da Câmara Municipal de Itabira.

15/11/1982 — Candidato a deputado estadual: 15.351 votos (terceiro suplente).

15/11/1986 — Candidato a deputado federal: 16.301 votos (segundo suplente).

01/01/1993 — Revista Itabira Ltda. com “Itabira e Centro-Leste em Revista”.

01/10/1995 —  Revista Itabira Ltda. com “DeFato”.

10/10/1995  — Título de “Cidadania Honorária Itabirana”, projeto do vereador Raimundo Afonso de Araújo Lima.

01/08/1997 — Aposentadoria por tempo de serviço.

01/12/2000 — Jornalista de Itabira em Revista.

08/01/2003 a 21/09/2007 — Vestibular  na Funcesi (segundo lugar geral) Curso de História, concluído em novembro de 2007 (Iseed/VGP).

20/10/2010 — Demitido de Revista Itabira Ltda.

12/03/2021 — José Almeida Sana (MEI) com www.noticiaseca.com.br

 29/05/2021 —  A vida continua...


José Sana

29/05/2021


Em tempo:

1.  Isto não é um currículo. Rever o título. “Itabira e eu: 55 anos de convivência”.

2. Foto de Itabira nos anos 1940/ 1950, publicada no jornal O Trem Itabirano.

 

quinta-feira, 27 de maio de 2021

CABRITO DESVENDA O MISTÉRI0 DA “TÁTICA DO BISPO”

Bom dia, boa tarde, boa noite! O Cabrito foi  convocado para resolver um problema, que é o seguinte: mais uma vez a mineradora Vale está na mira de destruir um bairro em Itabira. Mais um, como se não bastassem Explosivo, Paciência de Cima e do Meio, Chacrinha, e Conceição de Cima. 

 Não é da alçada humana enfrentar o esquema que armaram contra os moradores dos bairros Bela Vista e Nova Vista. Para não nos culparem por omissão, convocamos o Cabrito que, além de uma “live” especial, feita diretamente do terreno baldio que ronda parte dos dois bairros, desenhou o texto abaixo, depois de detectar as causas e de discutir com os seus contratantes quanto seria o capim correspondente ao pagamento por seus serviços de anti-marketing. Vamos ao que interessa:

 COM A PALAVRA O CABRITO

 “Aqui vos fala o famigerado Cabrito, que de vez em quando é bom, mas sempre adora ser justiceiro. O ser humano sempre precisou de justiça com as próprias mãos e a justiça caprina preenche todos esses requisitos, inclusive invadindo as hortas dos criminosos quando esses se negam a fazer o que é correto.

Eu, Cabrito Macho, repito: vou revelar a questão que assola Itabira e o Brasil e ensinar aos jornalistas, ou copiadores de textos, ou cometedores de erros crassos, a qualquer cidadão  que queira entender a problemática.

Objetivamente falando, é o seguinte: foi criada uma maneira de não dar satisfações à imprensa, nem a advogado algum, sequer à Justiça e a qualquer curiboca sobre o que os outros acusam e berram. Particularmente, a mineradora, que corrói Itabira há quase 80 anos adota o seguinte lema hoje em dia: ‘O que dizem de mim não é da minha conta’.



‘TÁTICA DO BISPO’

O que chamam de lenda e não é, consiste no seguinte: um bispo, dos novinhos em folha resolveu fazer uma trapalhada que abalaria Roma e acho que ceifou mesmo. Não vou contar o tamanho da sujeira, é outro assunto. Apenas o seguinte: o prelado, depois de cometer o erro imperdoável, não dormia, não comia, caiu numa cava e eterna depressão. Com ele, seus confrades, preocupados com o que estava acontecendo, sussurram de ouvido em ouvido o que poderia ser feito para acabar com aquele problema.

Jornais de todo lado, emissoras de rádio, sites endoidados caíam de pau nele, todo dia arremessando-lhe pancadas na cabeça, no peito, no pescoço, com palavras denunciadoras e de extrema gravidade. O que urravam fazia tremer não Roma apenas, mas o Céu, o Purgatório e até o Inferno.

Ninguém resolvia o problema, que só se agravava, até que surgiu uma luz no fim do túnel. Convocaram um outro bispo, este calejado, mais velho, cheio de ‘ideias geniais’ O velho de guerra recebeu o apelo, quase uma convocação para comparecer à cidadezinha e lá dar cabo àquele nefasto acontecimento.

E deu. Chegou num jipe velho, capota de lona rasgada, saltou rapidamente (era velho mas continuava esperto e nem tropeçou na batina),  entrou no salão onde lhe esperavam duas dúzias de beatos assustados, trêmulos e de olhos esbugalhados.

Deu boa tarde, proferiu somente as seguintes palavras: ‘Meus amigos, não se atordoem! A partir de agora, nada aconteceu, deixem berrar, uivar, grunhir, rinchar o que quiserem. Podem berrar qualquer impropério. A resposta nossa é a seguinte: silêncio. Em pouco tempo, tudo cai no esquecimento, a memória humana não vale um centavo’.

E pegou de novo o seu jipe, voltando para a sua diocese, calminha, onde ventos acusadores jamais entraram.

O que ensinou naqueles velhos tempos serve para hoje. Os estrategistas de governos, os donos do poder, os que vivem num patamar alto, estão adotando o que o quase cardeal ensinou. Por ser vitoriosa, sua sabedoria  recebeu a denominação de 'Tática do Bispo'.

Dito o problema, vale dizer que o deputado estadual Bernardo Mucida de há muito vem tentando uma solução para 300 famílias, ou seja, mais de 1.200 pessoas, que correm o risco de serem despejadas. 

Eles, os bela-vistanos e nova-vistanos, sentem no disse-que-disse diário constitui verdadeiro terror. Mucida sobe na tribuna da Assembleia Legislativa quase todo dia  e solicita, pede, roga por compaixão e defesa das famílias uma palavra qualquer, um raro “aguarde” e nada, nada, nada. Seus pedidos, protestos, busca de soluções parecem ir para o lixo de quem os recebe, ou que nem chegam ao destino. A empresa é intocável, ou seja sociedade anônima, de ninguém, dono definido.

‘TÁTICA DA ONÇA BRABA’

Ofício? Requerimento? Gritos na internet? Discursos no maior Poder Parlamentar do Estado? Nada disso está resolvendo. Está valendo a ‘Tática do Bispo’, só ela, nenhum outro caminho, o mesmo que outras autoridades fazem nesta época de mundo doido, Brasil surtado, Itabira maluca.

Mas ninguém mais corajoso que o Cabrito que vem agora resolver a solução: farei o mesmo que o bispo, apesar da condição de ser chamado de um irracional. 

Prometo que amanhã, ou depois de amanhã, ou até este domingo próximo trarei a vocês uma réplica ao bispo chamada “Tática da Onça Braba”. Vou contar aqui como se derrubam esquemas, métodos nazifascistas, tudo isso que para a cabritada já caiu do galho O silêncio como marketing dos ‘despoderados’ vai por água abaixo.

Até amanhã, ou depois de amanhã!”

Cabrito Velho de Guerra

Em 27/05/2021

sábado, 22 de maio de 2021

A FÁBULA DE ITABIRA E DA VALE

Estou numa sala de aula do Grupo Escolar Dr. Odilon Berhens, segundo ano, na década de 1950, sem erro algum porque a memória está ativa. Minha professora chama-se Dona Inês Alvarenga, que desembarca com Dona Ilsa Caldeira Duarte, esta que me ensinou as primeiras letras. Ambas chegam triunfantemente, recebidas com festas e banda de música, e vindas das terras abençoadas de Santana dos Ferros, pertinho de São Sebastião do Rio Preto, onde nasci.

A senhora mestra Dona Inês, como os pais chamavam a professora, de olho em mim, pede que leia e interprete a Fábula da Cigarra e da Formiga. Li, entendi, interpretei e ganhei aplausos. Ela, Dona Inês, elege-me seu aluno preferido pelo fato de ser um menino sapeca, pintor do sete,  direto e reto.

Quanto à fábula de que fui relator, vou ver se me recordo bem. É esta: “Durante o verão, a Cigarra quer aproveitar o tempo bom e passa os dias cantando. Enquanto isso, a Formiga trabalha de forma diligente, reunindo alimentos para sobreviver no inverno.

Quando chegam os dias de frio e chuva, a Cigarra não tem o que comer e pede à outra para partilhar a comida dela. A Formiga recusa, imaginando que a Cigarra passara o verão cantando e agora precisa "se virar".



Leio em voz alta o diálogo travado entre os insetos:

Formiga — E o que é que você fez durante todo o verão?

Cigarra — Durante o verão eu cantei.

Formiga — Muito bem, pois agora dance!

Moral da história: trabalhemos para nos livrarmos do suplício da Cigarra, e não aturarmos a zombaria da Formiga”.

Os anos passam, ingresso-me na Vale e concluo meu trabalho no cargo de assessor de imprensa. Sou eleito por dois mandatos vereador e, ao deixar a presidência da Câmara, demite-me um tal de Hugo Mourão pelo simples fato de tomar a iniciativa de realizar em Itabira (junho de 1978) o I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras, oportunidade em que nasce a semente fértil do royalty do minério de ferro, que daria aos municípios mineradores a sustentação do futuro.

Colocado no “olho da rua” pela estatal dos tempos da ditadura e com família para criar, abro confeitarias e padarias para garantir o leite e os estudos dos filhos. Em seguida, crio uma revista e um site que defendem tenazmente o mesmo ideal que me tomam como instrumento ou ferramenta.

Sou impelido a contrair rusgas terríveis na vida por ser um mini-Tutu Caramujo, embora não adepto da filosofia da “derrota incomparável”. Do pleito eleitoral de 2020, carrego para sempre o peso do idealismo que convém a poucos, infelizmente. Conclusão: faço parte de uma minoria sem medo. Mesmo se sozinho ficar nunca arredarei pé desta convicção de que Itabira precisa se livrar de fábulas.

Dia destes, um amigo, grande conhecedor das estratégias internacionais do mercado minério de ferro, verdadeiro “expert” no tema, contata-me e saúda o tema que estou abordando e que, por inacreditável coincidência, faz-me lembrar  a Fábula da Cigarra e da Formiga. Peço-lhe licença para associar a minha infância escolar ao encaixe desta situação perfeita, cumprindo somente a tarefa de adaptação simples e compreensiva.

O diálogo agora é este:

Vale — E o que é que você fez durante todo o verão?

Itabira — Durante o verão eu cantei.

Vale — Muito bem, pois agora dance!

Nada mais a dizer, senão que ouço vozes que se deliciam nos bastidores me chamando de “velho gagá”. Pedem que seja adotada a “técnica do bispo”, ou seja, “isso passa, isso se esquece” Deixo apenas uma resposta: a coerência de meu trabalho durante 55 anos de Itabira me tranquilizam e me garantem não ter Alzheimer para ser tratado, graças a Deus, embora respeite todos os que o enfrentam e a esses diga que um santo remédio vem aí para a cura.

Gagá ou não, a minha sustentação vem dos 11 anos de idade, quando subia no morro mais alto de minha vila e de lá, a cada meio-dia, via estourarem dinamites no extinto Cauê. O meu fascínio pelo pico, anunciado como o mais rico do mundo no início do século XX, passa para o tempo em que venho trabalhar exatamente no seu cume e o vejo transformar-se numa cava imensa e inarredável.

A minha história não é a mesma de Robinson Crusoé, como diria Drummond. Ela é também não é tão bonita, nada de admirável, mas tem um algo muito forte de sinceridade no seu bojo: a persistência como a hematita de teor 100%  de ferro, mas que não embarca em trem algum, em navio nenhum, nem vai para o alto-forno da sinterização sem luta e sem fé.

 José Sana

Em 22/05/2021

sábado, 15 de maio de 2021

CREIO EM TI, BILL GATES !

“Ele não precisa mentir. Nem de  jogar o que tem de credibilidade pelos ares, não nossos, mas  de  milhões de admiradores; porque o mundo acredita em quem fica rico, aprecia a capacidade de ganhar dinheiro dos espertalhões; só mete o pau naquele que arranca dinheiro,  escancaradamente, na nossa cara, tudo às custas de omissão e inércia”.

 Recebi esta mensagem via WhatsApp, bem podia divulgar o nome do autor, até se fosse pelos canais do tambor de indígenas de filmes.

Outro cidadão me “ameaçou” vir à minha casa para acusar os ricaços internacionais de financiarem o socialismo ou o comunismo, todos poderosos, às custas do capitalismo selvagem. Disse: “Insatisfeitos por suas riquezas terem alcançado o grau infinito, acreditam que sejam   deuses”.  Na verdade, ele gritou do outro lado da rua, abaixou a máscara para soltar a voz. Quem viu pôde ter a certeza, de que fosse eu o Bill Gates ou o George Soros perdido no interior destas Minas Gerais. “Tadim de mim!” – pensei, acompanhado de  minha avançada ignorância.

Fiquei pensando por trás de minha máscara que, aliás, todos as têm de seu jeito, que  um Jeca-Tatu da Roça nunca tem o direito de dizer isso, mas somente quem frequenta as páginas do New York Times ou da Forbes. Sendo eu um Mané da Esquina, julgo-me apenas no direito de acreditar, sim, nas palavras do cofundador  da Microsoft, muito mais que no dono do hot-dog  que fica ali nos passeios vendendo os seus produtos para garantir o leite das crianças.

Com todo o respeito a ambos, apenas admito entender que vale a força do acesso à informação. Quer dizer, saber desinteressada ou interessadamente, é o que conta neste momento.




Acredito em Bill Gates também por ele ser claro: novas pandemias vêm aí e o globo terrestre, principalmente os países do primeiro mundo, devem preparar-se para, cada vez mais, enfrentar desafios de desastres naturais e artificiais. É o que diz a lógica vista até por cego de olhos arregalados, burros ou preguiçosos, mesmo os que não ouvem, não leem, não se ligam no raciocínio lógico. E chega de espernear, a ordem é organizar!

O maior súdito ou acesso à verdade, para compensar  o fiel da balança, pode vir exatamente do Izé da Esquina, o Jeca-Tatu, comedor de angu, como diz outro lambedor de rapadura, desfazem dele o criador de caso, que vive reclamando, nada faz, ou se age, adora uma contramão.

Deus criou  — se não foi Ele, o herói é você —  o ser terrestre  para  ir em busca de uma grande conquista, um feito notável, memorável. Mas, o dito cujo homem resolveu  mostrar forças que não tem, exibir capacidade que nunca lhe foi dada para deixar tudo aí malfeito, à beira do caos.

A raça humana bate no peito para dizer impropérios um para o outro e a verdade é a seguinte: operando máquinas sofisticadas, tocando naves espaciais de tecnologias incríveis, está a cabeça do mesmo ser pré-histórico que fazia tudo por guerras e hoje faz mais que isto: para construir o caos geral.

Pronto. Creio em Bill Gates, mesmo que seja ele irmão ou primo do Belzebu que tanto o mundo teme, ou de um Lúcifer qualquer, que outro lado tanto estima por lhes dar um aparente conforto material.

Diz Gates que tudo mudou. Já alteramos os métodos de higiene, vamos ter que nos adaptar a um tipo, não exagerado, de distanciamento social, precisamos criar aproximações mais coletivas de lideranças, deixemos de acreditar nos super heróis dos filmes e antigas revistas em quadrinhos.

A busca é da igualdade, sim, mas com pesos  nos ombros de todos.  Minha inarredável  ideia do plano comunitário continua de pé, mesmo que me chamem de velho gagá, ou de Bill Gates ou George Soros às avessas. Agradeço de bom grado.


José Sana

Em 15/05/2021

(Foto: Divulgação)

sexta-feira, 7 de maio de 2021

UM MITO CHAMADO PROFESSOR JOSÉ ANTÔNIO SAMPAIO

Desde meus tempos de criança sempre tive obsessões que, dentro de mim, criam mitos. Esses podem ser gente, objetos, paisagens, qualquer símbolo. Vou dar um exemplo: o Pico do Cauê, que conheci de vários pontos de Itabira aos cinco anos de idade, era um mito especial. Via-o como algo sinistro, que escurecia Itabira sempre antes do pôr do sol. E até me metia medo.

Eu o perseguia determinadamente: aos 11 anos, tinha o costume de subir uma serra de quase 2 mil metros de altitude, atrás do casarão onde morávamos, em São Sebastião do Rio Preto, para ver a olho nu as dinamites arrebentarem a rica hematita, religiosamente ao meio-dia. Cauê, meu mito antológico, tornou-se uma cava. E que cava depressão!

Agora, vamos ao que interessa neste momento: outro mito imaginário, este humano, chamava-se Professor José Antônio Sampaio. Conheci-o pessoalmente em 1972, exatamente no mês de julho. Foi um dia após ter meu nome inserido em ata como candidato a vereador, pelo meu amigo e secretário do MDB, Marcos Evangelista Alves, o Gabiroba. Ao invés de sair pelas ruas e casas a pedir votos e de nem sequer planejar a campanha, tomei a iniciativa de ir à espreita da História de Itabira. Exigi de mim mesmo: como poderei ser vereador de uma cidade da qual não conheço a história?

Fui guiado a procurar o Museu do Ferro, situado na Rua Tiradentes, 55, bem no centro de Itabira, defronte o Zequinha Alfaiate e nos arredores de Aloísio Sampaio e Magalhães & Cia.

E vamos ao momento presente. Não me lembro que dia é hoje, só sei que estamos numa segunda-feira do mês 7, bem à tardinha. O Pico do Cauê já tapava o sol refrescante do inverno rigoroso daqueles tempos gelados.




Paro no primeiro degrau do casarão. Não vejo sequer um vira-latas vadiando pelas ruas, ou um gato em algum telhado por perto do Oswaldo Sampaio. Silêncio total, cada vez mais ensurdecedor, termo comum nos filmes de Martin Scorcese. Detenho-me ao pisar o chão da escadaria e deparo-me com um senhor, escrevendo à uma mesa, largando imediatamente a caneta-tinteiro e levantando-se para atender-me atenciosamente.

Peço-lhe desculpas assim: “Perdão, eu vim aqui à procura da História de Itabira, não sei se estou no caminho certo”. Não precisou dizer nem uma palavra e me arrastou gentilmente a uma sala, com ferros pendurados em suportes de mais ferros, nomes de forjas dos tempos idos pós-mineração do ouro, depois conduz-me a um armário recheado de livros com recortes de jornais colados e também revistas catalogadas, sobre História do Brasil, Minas Gerais, Regional e de Itabira

E começa a mostrar-me ainda uma ruma de descrições com os nomes de Padre Manoel do Rosário, vindo de Portugal, e dos Irmãos Albernaz, estes paulistas (seriam dois, mas um deles a ex-vereadora Maria José Pandolfi pesquisou e descobriu que apenas um esteve por estas bandas).

O Professor fala da Serra Cabeça de Boi, em Itambé do Mato Dentro, de onde o Cauê fora visto em 1720. E me enche de informações, fala de Tutu Caramujo, Drummond, Alfredo Duval, Maria Cassemira;  mostra-me foto dos vereadores reunidos na primeira Câmara Municipal e marcamos novas aulas.

Nem me pergunta qual seria a minha intenção de conhecer as causas da descoberta do ouro, depois do ferro, nestas terras complicadas e misteriosas. E eu nem tive a coragem de pedir-lhe o primeiro sufrágio, calo-me pelo motivo claro: quem desconhece a terra pedir voto a quem a cabe de cor e salteado? Será que mereço? Volto lá dezenas de vezes e só quero mesmo saber da terra cercada pelo imenso pico de hematita compacta.

Mas desejo saber dele a sua própria história, que o tornara sábio do passado. Conta-me aos poucos: é “garrucheiro” da vizinha Santa Maria, leciona História, tornou-se inspetor escolar e por aí narra alguns tópicos até chegar àquele casario que parecia assombrado.

Três anos depois, eu eleito vereador, no segundo ano da primeira legislatura, tomo conhecimento de sua morte, bate-me grande arrependimento por não ter procurado essa criatura para falarmos mais sobre a história itabirana que poucos conhecem.

Já pra lá da idade escolar, resolvo estudar História, fazer duas pós, mesmo exercendo jornalismo. E me cresce a cada relance o arrependimento de não ter conhecido com mais profundidade essa figura que elegi como algo simbólico-imagético. Achava que por conhecer os Sampaio, muito populares nestas bandas, pudesse redescobri-lo facilmente. Mas, não! .

Mas, finalmente, por meio de um vereador, Marcelino Freitas Guedes,  retorno àquela época mágica de correr atrás dos Albernaz e dos Rosário. Recordo-me ter construído outros mitos, como Dr. Pedro Martins Guerra, Terezinha Fajardo Incerti, Dr. Costa de Santa Maria, Dr. Mauro Alvarenga, Glória Lage (a enciclopédia) e outros, mais outros.

Voltando ao homem do momento, já fiz o relato: o Professor José Antônio Sampaio inventou o Museu do Ferro, que neste ano de 2021, transformado em Museu de Itabira, celebra seu cinquentenário.

Parabéns, meu mito Professor José Antônio Sampaio!

Parabéns, vereador Marcelino Freitas Guedes!

Parabéns, vereadores que aprovam o projeto!

Parabéns, prefeito que promulgará a importante lei!

Anuncio e prometo revelar mistérios que ainda rondam a história itabirana. Às vezes passando pelos mitos, às vezes por meio de minha intermitente curiosidade nascida na infância, que vaza a velhice e segue para sempre.

José Sana

Em 07/05/2021

quinta-feira, 22 de abril de 2021

O PORQUÊ DO AMOR A UM HOSPITAL

Tenho 16 e 17 anos de vida. Passo esses dois anos em minha cidade natal, São Sebastião do Rio Preto, esperando completar 18 para cair no mundo à cata de estudos e de emprego. Tenho algumas tarefas a executar: arar terra, prender bezerro, ajudar na ordenha de vacas, ser balconista do Bazar São Geraldo, de meu pai, engraxar sapatos, editar o jornalzinho Folha Sebastianense e dirigir um jipe. Também tenho o hábito inexplicável de subir o mais alto morro acima de nossa casa, sempre ao meio-dia, para ouvir as “dinamitagens” da Vale a 42,72 km em linha reta (IBGE), estrondo vindo do Pico do Cauê, em Itabira. Cisma de Tutu Caramujo. A então Vila de São Sebastião só tinha dois veículos motorizados: o jipe do Lucinho Moura e esse fabricado pela Willys Overland do Brasil. Motorista que fazia “corridas” somente eu.



  MOTORISTA DE AMBULÂNCIA?

Bem, aos 16 anos não sou apenas um chofer do carro do ano. Precisamente, meu tempo divide-se em 80% ocupado em transportar mazelados ou para Ferros, ou Santa Maria de Itabira, ou Itabira. São enfermos de verdade, ou suspeitos, desconfiados, acidentados ou doentes terminais. Um pescador qualquer estoura a mão com dinamite; um bêbado eventual cai de uma ponte; uma mulher grávida está em trabalho de parto —  chega um chamado às pressas para levar o paciente para socorro imediato, a mim que estivesse ou na primeira esquina ou no alto da serra, contemplando o tiro na hematita itabirana.

 Noventa por cento dos destinos têm um alvo: Itabira, e cem por cento o Hospital Nossa Senhora das Dores. Alguns perdem  litros de sangue que jorram em baldes, outros gritam de dor, crianças agonizam, velhos padecem, eu testemunho, com o coração despedaçado e as mãos agarradas ao volante, às vezes voando, ao vivo, tristes despedidas da vida.

Já voltei em alguma ocasião do meio do caminho, quando a vida tinha sido perdida. Na maioria das viagens da ambulância sem sirene, acompanhava-me, alguém de boa vontade, mas estou sempre sozinho com o doente, até o seu destino. Sem convênio com município algum, o hospital de Itabira não podia receber adoentados vindos de outras comunidades além dos limites geográficos itabiranos.

E estou agora na porta do HNSD. Uma atendente abre  a janelinha da porta para dizer um “não” sonoro, eu o ouço antes de ter sido pronunciado, porque conheço o sistema, nem pagando, quanto menos indigente forasteiro. Está escrito no regimento interno. Tenho, então, de ir à casa do diretor, que pode  ser Dr. Eduardo Costa, ou Dr. Edson Machado, ou nem me lembro mais quem para reiniciar as frases treinadas: “Está perdendo sangue, vai morrer se não for atendido”. O médico tem que ser humano e todos assinam a ordem de internação, comovidos por gemidos que ouvem. Acabam debruçando, mesmo no caput quente do jipe, para rubricar a autorização de atendimento.

E lá vou eu feliz da vida de volta ao hospital para ser recebido, agora com ordem superior, e contribuir, graças a Deus, para a salvação de uma vida preciosa. Que orgulho tenho me domina o hospital pela parceria! E quão feliz me sinto mesmo atravessando anos a fio daquele tempo distante, mas inolvidável!


UMA VIDA DE ITABIRANO

Os anos passaram, meu emprego, depois de labutar na imprensa de Belo Horizonte, bateu às portas da antiga Companhia Vale do Rio Doce, na cidade que me acolheu, Itabira. Aqui me fixei definitivamente, mesmo intercalando estudos na capital, e sempre usando o hospital, não há quem não necessite dele. Quando era vereador, sempre e sempre solicitado por amigos e eleitores e, como cidadão comum,  afinal sou também um ser que adoece e sempre fui um feliz bem-atendido.


 MINHA PERENE GRATIDÃO

Nunca em toda a vida me esqueci de, depois de atendido ou tendo um parente bem-atendido na casa de saúde, escrever um bilhete, ou carta, ou SMS, agradecendo pelo tratamento praticado. Não vou citar nomes alvos de meu preito de gratidão, recordo-me ter enviado a Dom Mário e a Márcio Labruna, dois ídolos que tenho no coração como exemplos de dinamismo e dedicação.

O impaciente que pode estar lendo-me deve perguntar: “Só por isso você ama o hospital?” Não seria pouco agradecimento se não soubesse que, na verdade, sempre denominei o HNSD de “Valente da Saúde”, podem conferir em Itabira e Centro-Leste em Revista de novembro de 1993 (edição 11, páginas 16 a 19). Na época, a Irmandade chegava aos 139 anos de existência resistente.


O VALENTE  DA  SAÚDE

O Valente atende a mais de 20, ou 30 e até 50 encaminhados por municípios nesta pandemia e vai transpondo barreiras, lutas ferrenhas e sem entregar-se. Desafios imensos e indizíveis pela frente, cada vez mais tenazes. E atende Itabira com todas as suas resistências, que vêm de provedores, médicos, enfermeiros, técnicos, ajudantes, escriturários, faxineiros, cozinheiros, trabalhadores, enfim. Um grupo unido de trabalho com a alma aberta e até sorrisos quando a barra está pesada.

Não vou mais dizer o porquê deste amor que se estampa  na cara, nem vou me lembrar de provedores e diretores, para não cometer injustiças. Mas gostaria de citar aqui um fato ocorrido numa época em que o saudoso Dom Mário Gurgel  fora chamado para dar extrema unção ao hospital que morria, desta vez aceleradamente. As vozes das ruas pareciam gemer unissonamente: “Vai fechar, vai fechar, vai fechar!”. Então, cabia a presença de um verdadeiro milagreiro para resolver a questão. E santo por aqui era somente o salvador também da Funcesi. Como faz falta a Itabira este gigante encurvado e forte que veio do Nordeste!

Como o herói retirou o hospital da situação pré-agônica?  Dom Mário mexeu com os pauzinhos e montou UTIs de luxo, atraindo recursos da Vale. Convidou a comunidade para a inauguração. Eu estava lá. Nós, da imprensa, intrigados, perguntávamos uns aos outros: “Como alguém, à beira da morte, pode sair esnobando luxo no meio de dívidas impagáveis?” A pergunta que fiz ao bispo antes da solenidade ele a respondeu em seu discurso: “Para sairmos do caos, tivemos que construir fontes de fornecimento de serviços a quem tem dinheiro. Quem tem dinheiro sustenta o nosso hospital. Está explicado como saímos das contas em vermelho para as cores azuis”.


REAFIRMANDO A MINHA OBSESSÃO INFINDÁVEL

Para encerrar quero repetir, com perguntas, a quem pode ter a tolerância de me ler::

 — Você mora em Itabira ou na região de Itabira?

  Você tem consciência de que pode adoecer ou se julga um ser imortal?

  Você nunca foi ao HNSD e nunca viu como lá o trabalho é sério?

  Você pensa que o hospital pode salvar vidas, inclusive a sua e dos seus entes?

— Você já teve na vida a alegria de ter podido salvar doentes como eu tive?

 Se você for contra tudo o que acabo de rabiscar, tudo bem, siga o seu caminho. Mas se quer ser como sempre quis, sempre sou e serei, entenda a minha repetição obsessiva de uma frase que não me canso de com ela refletir de coração aberto: amo o Hospital Nossa Senhora das Dores como a maior fonte de caridade que há por aqui. Amor juntado a esperança, virtudes que necessitam ser estendidas. Para que sempre prevaleçam o bem e a verdade para além da vida e para além da morte.

 Amém.

José Sana

Em 22/04/2021


sexta-feira, 2 de abril de 2021

CARTA ABERTA AO SENHOR MANOEL LAUQUIDAU

 Prezado Senhor Manoel Lauquidau,


Cordiais saudações.


Aqui quem vos aciona de  meu computabrito  é  o Cabrito Doido, fugido de clínicas de tratamento de doideira  porque estava sendo maltratado e via que loucos eram eles.

Pois é, me dirijo ao senhor por ter inventado esta tal de dia da preguiça, aumentado para semana do desleixo e agora virou mês da vadiagem detida.

Então,  me trancaram na choupana e meu capim está acabando. O compadre Zé Maneca Bodaço teimou e ficou debaixo da cama com medo do senhor. Foi achado lá desmaiado de  fome. Não fossem as orações da senhora Cabra da Peste, esposa dele, teria ido pro Cafundó do Judas ou Quintos dos Infernos.



A Senhora  Covid, pelo nome  já diz que está convidando a gente para lhe dar um abraço e ficar contaminado. Diz mais: seria Convid, mas o computabrito do Joaquim Mandioca pipocou e vomitou a letra “n”. Quer dizer: a montanha não vem a nós; somos nós que vamos à montanha da Covid. Tudo isso é mostrado pela TV JC em sua retrospectiva de contaminados em lista maior que a de Schindler.

A falta de capim-meloso ameaça a Cabritolândia toda. A fome está chegando com brutalidade. E sem perdão. Tudo o que tinha de comer nas ruas principais de Cabritolândia e ao redor já foi catado pela cabritada. Existem algumas hortas ainda, mas a polícia caprina resolveu cercar tudo e não deixar passar  ninguém. Mandam a cabritada para casa. E nem temos casa. Pode?

Quero dizer a você, meu caro Lauquidau, que nos faça o seguinte favor: saia fora da raia e nos deixe viver. Ensine esse povo o que é tratar da doença do Josué Coronga. Vá a Rondônia e veja o que o governador de lá está fazendo. Longe pra ir, não é? Pois, então, siga o caminho de Itajubá, no Sul de Minas. Lá combatem a Covid antes de ela chegar.

Meu caro Senhor Lauquidau, sei que o senhor está rindo da falta de inteligência do ser caprino-humano que nos rodeia. Diz o ditado que um cabrito com iniciativa chifra até a mãe e o pai dele. É o que está acontecendo.

Não vou me prolongar mais. Só vou adverti-lo sobre a  maldade que o senhor está fazendo, pedir-lhe ajuda e que  ensine o povo de Cabritolândia a ser mais esperto. Então, faça-lhes lives, dê entrevistas no Jornal da Cabritada, escrito e televisado (JC), explique direitinho a maldade de ficar sem capim-meloso ou capim-gordura.

O cálculo é fácil de se fazer: qualquer um fica com a barriga murcha, acaba até o capim-cheiroso, qualquer bode se enfraquece. Em se enfraquecendo vem a anemia e o bode passa a não aguentar a subir em talhados. Vem a seguir a principal fraqueza que é uma comorbidade inapelável. Os bodes, bodinhos, bodões, cabras, cabritos e até os cães vadios, os vira-latas, estão sendo frontalmente atingidos.

Liberem esses cabritos para invadir hortas. E adotem o tratamento por prevenção, enchendo-lhes a barriga de tudo o que é verde. A ordem dos lugares comandados por onças, tigres e até elefantes não há  a tal Maria Fome, nem a peste e a guerra na busca de bendita braquiária, já praticamente um substantivo abstrato, ou seja, inexistente.

 Atenciosamente.

 Assinado: Cabrito Doido de Jogar Pedra da Silva

 

P.S.: 1. Sou alfabetizado em Cabritolândia. Não  sei  escrever Lauquidau em inglês.

 

       2. Estão aterrorizando a cabritada toda. Juntem o número de mortos e joguem  tudo num dia só. Cabritos também se suicidam. 

     3. Cabritos fazem entrega de sanduíches de capim pra  todo lado. Nesta semana perdemos meia dúzia de bodes de entrega. Culpa  sua, senhor Lauquidau!

       4. Ninguém sabe nada de Coronga. Apresente o marido da Covid-19 a eles para que aprendam lições fabulosas.

       5. Anotem nos seus caderninhos de apontamentos: sempre prometi e repito que não se aglomerem na cidade, sejam seres distanciados, nem briguem por causa de capim de espécie alguma.

   6. E contem comigo de máscara, luvas, sapatos esterilizados, toalha pendurada no chifre para lavar as mãos de meia em meia hora. Prometo jogar um balde de água no Senhor Lauquidau se não rachar fora já.


O MESMO CABRITO