Não houve resposta
ao chamado do velho; então, a mocinha se dirigiu ao velhinho e indagou o seu
nome
Em Santa Bárbara, numa seção
eleitoral que funcionava na Prefeitura, aconteceu, em 1960, um caso curioso.
Disputava para presidente da República General Lott, muito querido na cidade,
com Jânio Quadros, que acabou vencendo o pleito.
A fila de eleitores de toda a
cidade e de todas as tendências virava o Hotel Quadrado e chegava à Casa
Grande, onde nasceu o ex-presidente Afonso Pena. Os cidadãos aguardavam a
chegada dos oficiais da Justiça Eleitoral. Às oito horas, iniciaram-se as chamadas
nominais do eleitor para a votação, que transcorria tranquila e com certa
agilidade.
Votaram os Osvaldos, Orlandos,
Ormídios, Odilons, Paulos, Pedros, Pastores e até um fulano de tal Presbítero.
Na chamada da letra Q, primeiro foi o senhor Queiroz Sabino de Albuquerque que,
imediatamente, sapecou na urna o voto para o Marechal Lott. Em seguida, a
mocinha da mesa chamou o nome:
— Quinhento Reis de Bosta.
E nada desse tal de Quinhento.
Na fila, um velhinho, de aproximadamente
80 anos, ansioso, aguardava a vez, e seu nome não era mencionado pela mocinha.
No fim da tarde, quando todos já
haviam votado, faltava apenas o velhinho e a mocinha continuava:
— Quinhento Reis de Bosta.
O silêncio continuava total ao
chamado.
No fim de tudo, a mocinha, já não
tendo a quem chamar e vendo o velhinho ansioso esperando, chamou pela última
vez:
— Quinhento Reis de Bosta.
Não houve resposta e ela se dirigiu
ao velhinho e indagou o seu nome. O velho, feliz com a atenção de que era alvo,
respondeu ligeiro:
— Meu nome é Quintiliano Reis de
Bastos.
Assim terminou mais um dia de
votação em Santa Bárbara, que continua sempre com muitas histórias para contar.
(História de Tião Crispim)