Esta foto (DeFatoonline), casa cheia, mostra o "recomeço pelo telhado"
Resumo da história do Valeriodoce Esporte Clube numa página escrita por um de seus pioneiros; outra, de minha autoria, mais um “elefante branco” vergonhoso
Fernando José Gonçalves,
ex-secretário da Superintendência das Minas da Vale, em seu livro de memórias
denominado “A vida que Deus me deu”,
editado em agosto de 2001, nas páginas 35 e 36, nos oferece um pequeno
histórico do nascimento do VEC, que transcrevo a seguir. Vale dizer que
Fernando Gonçalves contou a história que ele também viveu.
Em seguida, o meu Réquiem , quem
sabe um sonho que Itabira viveu. Com a palavra Fernando José Gonçalves, parceiro
de trabalho alguns anos na Vale.
“COMO
SE ORIGINOU O VALERIODOCE ESPORTE CLUBE”
“No dia 22 de novembro daquele ano
de 1942, um grupo de pessoas simpatizantes do esporte resolveu fundar um clube
de futebol ao qual deram o nome de Valeriodoce Esporte Clube, nome esse que
representa o endereço telegráfico da Cia. O então presidente da Vale, Israel
Pinheiro, ao autorizar o funcionamento do clube nas dependências da mesma,
determinou que o seu presidente e o seu vice-presidente fossem nomeados pelo
Superintendente do Departamento das Minas. Sob proteção e com o irrestrito
apoio da CVRD, o Valeriodoce cresceu e tornou-se uma paixão itabirana
Durante uma das suas primeiras
apresentações, já no campo improvisado no Campestre, onde, para maior conforto
dos diretores e convidados ilustres, foram construídos pequenos quiosques
cobertos de sapé, aos quais dávamos o nome de torrinha. Para abrilhantar a
solenidade, Dr. Israel foi convidado para assistir a peleja.
Um de nossos atletas mais salientes
manifestou a necessidade de fazer uma saudação ao ilustre visitante e programou
o seguinte arranjo: reunidos próximos à torrinha, abraçados, os jogadores
pronunciaram: “— Valeriodoce... ré, Valeriodoce... ré, Valeriodoce... ré, quem
é? Doutor Israé!...”
O hino do clube foi composto pelo
Edgar Ferreira da Silva, mecânico da Cia. e músico da orquestra. Contratávamos
músicos competentes que eram admitidos na Cia., de onde obtinham seus salários.
Em troca dessa parceria, tocavam no clube. A minha participação no desempenho
da orquestra era tanta que cheguei mesmo a fazer, com a ajuda de um maestro,
arranjos musicais e escrever músicas que eu solfejava e ele passava para a
pauta”.
“UMA
CASA NÃO SE COMEÇA PELO TELHADO”
Chegou, em janeiro de 2021 uma nova
administração para o município de Itabira. Era um sonho que a maioria de
itabiranos queria. Com as minhas ideias, nunca impostas, tentei direcionar
algum projeto, como fazia desde os tempos de Eliezer Batista. Dos atuais que
presenciaram cito o amigo Paulo Henrique Gomes de Figueiredo, com quem sempre
mantive bom relacionamento. A ele dei e repeti em minhas crônicas a ideia do
“Valério Regional”, que seria o sustenta-lo do clube Pós-Vale, que continua
ainda possível nos meus sonhos.
Na vida temos um ditado que todos
conhecem: “Uma casa não se começa pelo telhado” . A nova administração
municipal, que era esperança da maioria itabirana, atropelou o provérbio e outras
evidências estarrecedoras. Deixou de fazer história começando pela raiz a
colocar no teto capim seco em tempo de seca. Comprava ou alugava equipes mal
prontas em conchavos que quase ninguém entendia. Em outras palavras, formava-se
um time com junta-junta nas mãos de aventureiros ou não, mas sempre aquilo que
os peladeiros chamam de “ranca”.
O time do junta-junta quase chegou
na primeira divisão do Campeonato Mineiro. Mas se chegasse, seria certo o
fracasso. Ao contrário, fiz um levantamento na região. Tínhamos alcançado com o
Departamento de Estradas de Rodagem (DER) a reconstrução do Estádio Municipal
João Rodrigues de Moura, em São Sebastião do Rio Preto. Já existia outra arena
pronta, de Dores de Guanhães. Havia remodelação do campo de Santo Antônio do
Rio Abaixo e Morro do Pilar. Assim, andei, por minha conta, conversando com
todos os mandatários de cada cidade. Em que pensava? Em levar a equipe do
Valério a cada cidade para treinar, buscar promessas de atletas ao custo de
quase zero, além de popularizar a equipe alvirrubra de Itabira, formando
torcidas.
Isto já se foi. Agora ofereço minha
disposição nas dezenas de textos que rabisquei e em conversas que tive e ouvia,
como do torcedor Alberico de Alvarenga Mafra Filho, o conhecido Alberiquinho,
que sempre citava a formação de craques vindos da base.
Quem sabe, conseguimos transformar
esse Réquiem em um Levanta-te, Valeriodoce., lembrando o seguinte: em Barão de
Cocais, onde prosperou o Metalusina Esporte Clube, que já foi equipe
profissional e agora se mantém no amadorismo, podemos copiar os “pés de pomba”,
por que não?
Ou preferem criar mais um
ferro-velho na cidade, ou mais um dos
dez elefantes brancos, que envergonham Itabira?
José Sana (Zé do Burro)
Em 4 de novembro de 2026
Foto: DeFatoonline
P.S.1. Quero pedir, antecipadamente,
desculpas a algum por acaso ofendido com palavras que podem não ser elegantes e
oferecer a quem quer que seja o normal “direito de resposta"
PS2: Ao amigo Marcos Caldeira, autor da descoberta do dia 22/11/26 - triste para o MEC.
PS3: Ao prezado Chico Maia, de grandes informações e olho no futuro, que acolheu inicialmente o nosso sonho de cobrir sempre o VEC.



