sexta-feira, 23 de julho de 2021

AS QUATRO LEIS DA ESPIRITUALIDADE ENSINADAS NA ÍNDIA

 Na Índia, são ensinadas Quatro Leis da Espiritualidade. São elas:

Primeira Lei — A pessoa que vem é sempre a pessoa certa. Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo conosco, têm algo para nos ensinar em cada situação.

Segunda Lei —  Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido. Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe.

Não existe aquela coisa de “aah... mas se eu tivesse feito tal coisa…”. Não! Fizemos o melhor que podíamos ter feito com a consciência que tínhamos. O que aconteceu lá atrás foi tudo o que podia ter acontecido, fez parte do nosso aprendizado e devemos seguir em frente. Toda e qualquer situação que acontece em nossas vidas são perfeitas, pois todas elas visam o nosso crescimento e a nossa evolução.

Terceira Lei — Toda vez que iniciares algo é o momento certo. Tudo começa na hora certa, nem antes e nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que então as coisas começam a acontecer.

Quarta Lei diz — Quando algo termina, termina. Se algo acabou em nossas vidas é porque este ciclo chegou ao fim. Simples assim. Não se agarre ao passado. Faz parte do nosso  aprendizado deixarmos ir. Por isso vá em frente e se enriqueça com novas experiências.

Não é por acaso que você está lendo este texto hoje. Se ele veio até você é porque você já está pronto (a) para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado. Tudo está sempre certo. Tudo faz parte da sua evolução e do seu aprendizado.

José Sana

Com: Vilma Nöel

Em 23/07/2021

quarta-feira, 14 de julho de 2021

NO TEMPO DAS ASSOMBRAÇÕES E “O CAUSO M.B.N.”

Meu amigo J.F.S. me deu uma aula sobre as chamadas assombrações. Ele acredita nelas, sim, mas explica: “Não existem mais; eram almas perdidas e penadas que, com a evolução da natureza, subiram de plano no astral e não ficam por aí mais enchendo a paciência da gente”. Por extremo desconhecimento do assunto, ou melhor ignorância mesmo, aceitei a sua justificativa. Ele se baseou até em Machado de Assis, que aborda muito em suas obras, o virar do relógio à meia-noite, quando “as vozes tremulam no além”.

Ao abordar este tema, por influência de uma amiga — M.F.M.F.M — explico o porquê de não mencionar os nomes por extenso: considerando o que afirmou J.F.S., as assombrações chisparam, ou melhor, racharam fora do mapa. Evoluíram no contexto.

O causo que vou contar é dos  idos de 1954, vou  também citar os locais — cidade e nomes da zona rural — neste rápido histórico a que chamo de “O Causo M.B.N”. E lá vão barulho, luzes, quebradeiras e zoadas  esquisitas.

A história começa assim: o senhor M.B.N. morava na localidade da Barra do Rio Preto, para lá da confluência de outro local, a famosa Banqueta, onde residia o fazendeiro J.V.S. Também ele era fazendeiro. Nas horas vagas dava-se a jogatinas mais por distração. Assim, ao entardecer de todo sábado, arreava seu burro cor pelo de rato. Sendo inverno, usava uma capa marca “Ideal”  dobrada na sela e, para não dar chicotadas no animal, punha esporas afiadas no calcanhar da botina, ou bota.

Chegava na rua da Vila chamada São Sebastião do Rio Preto e manjava qual o melhor “cassino” lhe interessaria daquela vez, o mais animado: tinha T.G., P.J.F., L.G.A. e outros. Amarrou o burro encabrestado num toco próprio, instalado na praça central e bambeou a barrigueira para aliviar o fôlego do animal, coitado.

Nesta noite, escolheu L.G.A., tendo como seu destino numa cadeira no fundo da venda. A jogatina, que valia muitos poucos réis, infiltrou-se pela calada da noite até por volta de uma e pouco da madrugada. Já havia passado o horário de terror descrito por Machado de Assis, a famosa meia-noite de terror.

Os amigos de pôquer de M.B. — vamos simplificar um pouco o nome do fazendeiro jogador — estranhavam a saída do companheiro muito cedo, mas não insistiram muito. Como dizia meu avô, “quando o matuto coloca o instinto para funcionar, ele deve estar certo”. E lá se foi o M.B. montado no seu burro pelo de rato, assim ele o chamava, retornando à fazenda.

Quarenta minutos depois, de galopada, estava ele no alto da porteira da divisa de seu terreno. E, lá em baixo, avistava, assustado, sua casa, toda iluminada, como se tivesse luz elétrica, os focos piscando como em boates não avermelhadas, mas claras; apagavam, acendiam, incessantemente. M.B.se aproximava de lá, à medida que ia ouvindo barulhos e mais barulhos esquisitos, vasilhas sendo jogadas para cima, copos de vidro quebrados, gritos dos familiares, esses eram íntimos.



M.B. sempre dizia que assombração não existia. Pressentiu que a sua casa estivesse sendo assaltada, mas não conhecia nada semelhante a esse tipo de ação de bandidos naquele tempo. Uma multidão de pensamentos assaltava, sim, mas a mente, o coração ia acelerando à medida que foi apeando, amarrando o burro, vendo e ouvindo aquela arruaça acontecer  até na varanda.

Subiu as escadarias enquanto a mulher e os filhos vinham correndo ao seu encontro, pegavam-no, chorando, trêmulos, olhos rútilos, alguém segurando uma lamparina trêmula como as pernas de todos.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou M.B. aos berros.

— Assombração, assombração, alma do outro mundo, alma do — e a mulher se engasgou de vez, soluçando...

M.B. caminhou para a cozinha, onde parecia ocorrer a maior algazarra: quebradeiras, panelas caindo, frigideiras tilintando, colheres e garfos batendo no sótão, telhas sendo destruídas, copos e cristaleiras despedaçando-se. Todos agarrados ao chefe da casa, chegaram à cozinha, tudo no lugar certo, nada de objetos quebrados ou fora do lugar.

Naquele momento, a farra se transferiu para os quartos, as salas de jantar e de visitas, quadros pareciam quedarem-se ao chão, despedaçarem-se, tudo se agitando, até o burro, lá fora rinchando, arrebentou o cabresto, correu para o paiol.

O agora, já meio calmo fazendeiro, resolveu buscar o terço, todos na sala, tudo no lugar certo, começaram a rezar, puxados por ele, eram católicos, ou melhor, são católicos, a família o segue religiosamente até os dias atuais. Pediram a Deus por aquela “alma perdida”, M.B. já acreditava em coisas do além, estava convencido disso, plenamente bem informado por ser testemunha ocular e até com um acréscimo: sempre ouvira falar de assombração que aparecia para um só, agora era para a família inteira, não botar dúvida.

Quietos na sala, barulho na cozinha, os meninos dormiram no colo da mãe, M.B. tomou uma atitude e soltou uma frase fatal quando o dia começava a raiar:

— Pelo amor de Deus, diga o que você quer, sua alma sofrida, penada! Quer uma missa? Quer que mande celebrar uma missa para você descansar-se em paz?

Repetiu a frase várias vezes até que, finalmente, quando o dia clareava, uma voz sôfrega saiu pelos ares, soltando uma resposta bem compreendida assim:

— Clé... Clé... Clé... Clé...Clé... Clé... Clé... Clé... Clé...Clé...

M.B.N. entendeu claramente como “quero”... “quero”... “quero”... e não pensou duas vezes: montou de novo o burro pelo de rato e voltou para a Vila. Foi direto à casa do padre. Era domingo, o padre estava na igreja. Mas ele conseguiu falar com ele na sacristia e lá encomendou a missa que ocorreria naquele momento, 8 horas da manhã. Para sua paz, assistiu, de espora na botina e chicote na mão, o pedido  pela tal “alma penada” que assombrou a sua casa durante uma noite inteira.

Foi assim “O Causo M.B.N”. Esqueci-me de dizer que o padre se chamava R.M.

José Sana

Em 14/07/2021

terça-feira, 22 de junho de 2021

IRMÃ FRANCISCA: UMA BREVE HISTÓRIA DE FÉ E PERSISTÊNCIA

Itambacuri, 22 de junho de 2021. Neste dia, terça-feira, uma família e muitos amigos se reuniriam para celebrar uma série de aniversários transcorridos neste junho de muitas celebrações.  Contudo, veio a pandemia e impede. Mas elevar pensamentos  a Deus, tomar os exemplos e colocá-los a serviço dos acontecimentos é plenamente possível e vale como brinde de agradecimento.

 Antes, porém, a lista dos aniversariantes:

 Dona Emerenciana Rodrigues dos Santos, a mãe, completou 90 de vida bem-vivida;

— José dos Anjos, filho, 70, reforçando o grupo já repleto de  homens e que se destaca com uma  mulher;

— Maria Francisca  Ramos — é ela a que centraliza a comemoração , única do sexo feminino, uma ilha de fé e perseverança na luta, 50 anos de idade e 25 de vida religiosa, os fatos marcantes.

 

A CONGREGAÇÃO DAS CLARISSAS



Para abrir o começo desta história, é preciso uma palavra rápida sobre como esta trajetória foi iniciada. Em 1907, as Irmãs Clarissas Franciscanas Missionárias do Santíssimo Sacramento descobriram, em Itambacuri, um belo futuro para nele nascer e prosperar uma unidade entre dezenas de outras que chegavam ao Brasil.

 A cidade foi escolhida para abrigar um convento e uma escola, sob a orientação de Madre Serafina de Jesus, a baluarte da caminhada e que tem seu nome gravado e venerado há dezenas de anos. A homenageada de hoje, Maria Francisca, tem a trajetória marcada pela vocação, desenvolvida no ambiente próprio, esta a primeira graça recebida.


DETERMINADA VOCAÇÃO



Completando 50 anos de idade, Maria Francisca Ramos relembra sua história de insistência e perseverança que sempre a acompanhou.

 Nascida na localidade, uma espécie de fazenda, Santa Rosa, proximidade da Vila Santa Isabel pertencente ao distrito de Frei Serafim, município de Itambacuri (MG), muita pobreza mas dignidade à sua volta, a vida começou decisiva para ela, quase não dando tempo ao temo.  

A força de integrar-se à Congregação, a luta sem tréguas entre os obstáculos que lhes eram apresentados, destacando-se o ser mulher entre quase uma dezena de  seres masculinos, desafios que, no entanto,  não a detiveram.

 A história decisiva de Maria Francisca, para simplificar, pode ser resumida assim: duas irmãs, Rosa e Miriam, a acolheram. Depois  da costumeira  triagem, a encaminharam a um encontro vocacional em Governador Valadares. Desse seminário saiu com a decisão dentro de si ainda mais fortalecida: “Serei freira, se Deus quiser!” Amadurecimento quase total.

De sua determinada decisão, Francisca ingressou no Postulando, em 1994, e Noviciado dois anos depois, esses passos em Belo Horizonte, na Congregação das  Clarissas Franciscanas, o seu norte na vida. Não demorou a tornar-se Irmã Clarissa Franciscana. Sonho realizado.


ESTUDO E PROFISSIONALIZAÇÃO



Voltando um pouco no tempo, suas primeiras  letras ocorreram ao seu redor, em Frei Serafim, distrito de Itambacuri, de reduzido número de habitantes. Ao alcançar o patamar do curso Fundamental, a menina, filha de Basílio Soares Ramos (in memoriam) e da agora nonagenária Emerenciana Rodrigues dos Santos, encontrou o amparo no casal Dona Amélia e “Seu” Ginu, logo na rua de frente à escola das irmãs, onde estudou e se tornou em parte itambacuriense. 

 Daí para a frente, o desafio seria chegar ao Ensino Médio, este foi  concluído com o Magistério, tendo sido seu ancoradouro o Instituto Regina Pacis, em Sete Lagoas (MG), onde estudava num período e em outro trabalhava  como auxiliar, atividade que lhe possibilitou sustentar-se.

A seguir, recebeu convite e seguiu para trabalho de dois anos em Redenção, Estado do Pará, onde exerceu a função de professora em escola infantil, construindo aí parte de sua experiência no magistério.

O retorno da  irrequieta Francisca a Belo Horizonte vem logo e ela ingressa na Uni-BH, onde inicia e conclui graduação em Fisioterapia, ano de 2009. Imediatamente, faz pós-graduação  no Instituto Mineiro de Acupuntura, agregando mais uma especialidade profissional ao currículo.

Difícil também é fazer uma listagem de suas atividades profissionais, mas em anotações à parte, que delas se extrai, além de atendimentos a idosos, de casa a casa, Irmã Francisca trabalhou, de 2013 a 2016, no Centro Geriátrico Frei Zacarias, em Belo Horizonte, e na Casa Santo Antônio, também na Capital, paralelamente, e até 2017.

De 2017 a 2020, Irmã Francisca passou a atender a comunidade de Campanário (MG) como fisioterapeuta, além de suas  incansáveis atividades domiciliares, especialmente, no chamado Convento das Irmãs de Itambacuri, a joia criada por Madre Serafina de Jesus lá no início do século XX.


A VIDA CONTINUA



Vamos a este dia mencionado, o hoje, 22 de junho de 2021. Eis aí a feliz  e ela se diz assim porque lutou sempre e segue vencendo.  A cidade que a acolheu desde a infância, Itambacuri, recebe-a de novo, onde está com vida, coragem intimorata e fé.

Reafirmando o lamento por não haver uma comemoração com a mãe, o irmão, a grande família e uma  legião de parentes e amigos, não vacila em  agradecer a Deus pelas graças alcançadas nesta luta que prossegue.

 A vida continua e deixamos aqui o abraço dos sobrinhos, primos, seguidores na fé de Irmã Miriam Natividade. Desejamos a você, Irmã Francisca, jovem cheia de força, que continue sendo abençoada por Deus e que a sua fé cinquentenária se espalhe para  todos os que entendem desta glória.

Amém e Abraços.

José Sana (em nome de toda a turma de Irmã Miriam)

 Em 22/06/2021


FOTOS: 

 Escola Estadual Madre Serafina de Jesus, preservada em Itambacuri

2 – Maria Francisca em culto religioso (missa)

3 – Ir. Francisca, graduada em Fisioterapia (depois pós-graduada em Acupuntura

4 – Dona Emerenciana ao lado da filha Francisca

 

 

sábado, 29 de maio de 2021

ITABIRA E EU: 55 ANOS DE CONVIVÊNCIA

Como graduado em História, pós-graduado em História do Brasil e  Patrimônio Histórico, nunca fui adepto da Escola Positivista. Cada tempo na sua época.

 Agora, mesmo tentando praticar os métodos da História Nova, sou obrigado a fazer uma cronologia, dentro do contexto positivista, de minha relação direta com Itabira no decorrer dos anos, uma ligação umbilical, parece, mesmo tendo nascido a 60 km daqui, São Sebastião do Rio Preto.

 Em 1949, com menos de cinco anos de idade, fiquei conhecendo Itabira, cidade que visitei sempre. Assustava-me a escuridão provocada pelo Pico do Cauê e me agradava o soar dos pianos nas ruas centrais da cidade.

Aos 9, 10 e 11 anos de idade, assistia de uma montanha, 1,2 mil metros de altitude, no fundo de nossa casa, em São Sebastião do Rio Preto, explosões no Cauê. Estava a uma distância de 42 km em linha reta e achava aquilo algo do outro mundo.



A nossa cozinheira, Maria Lucinha, que cuidava de mim e dos irmãos, dizia que “os ingleses queriam acabar com Itabira”. Muitos anos depois, vindo morar aqui, liguei as suas palavras às de Carlos Drummond de Andrade: “Cada um de nós tem seu pedaço no Pico do Cauê...” Mas os ingleses por aqui não andavam mais naquele tempo. As minas de ferro tinham sido nacionalizadas por Getúlio Vargas.

28/05/1966 — Admissão na Companhia Vale do Rio Doce.  Assina minha Carteira de Trabalho, como “Apropriador”, o chefe de Serviço de Pessoal Sinval Silva.

01/03/1971 a 04/12/1973   — Curso de Contabilidade no Colégio Comercial Itabirano  (Fide).

03/10/1972 — Eleito vereador com 693 votos, em primeiro lugar  na cidade, pelo MDB.

31/01/1973 — Empossado vereador e eleito 1.º secretário da Câmara Municipal de Itabira.

01/05/1973 — Promoção na CVRD, por motivo de aprovação em concurso, do cargo de “Apropriador” para “Auxiliar de Cálculos e Dados”. Assinatura da Vale na CT por André de Caux.

01/07/1974 — Designado para o cargo de “Supervisor de Orçamento” com progressão automática da classe 4, 5 e  à 6.

01/01/1975 — Cargo de confiança “Controlador de Promoções e Relações Públicas”, classe 7.1, em Belo Horizonte.

01/07/1975  — Vestibular na Fafi-BH (hoje Uni-BH), quarto lugar, de Jornalismo.

26/07/1976 a 01/08/1976 — Nomeado coordenador do I Encontro de Associações de Amigos de Bairros de Itabira pelo presidente José Braz Torres Lage, lanço o Plano Funil como modelo político para solução dos problemas da cidade. E o coloco em prática até 1982.

02/10/1976 — Reeleito vereador com 701 votos.

06/11/1976 — Cargo de confiança “Assessor de Imprensa”, classe 7.1, em Itabira.

01/01/1978 — Eleito por unanimidade presidente da Câmara Municipal de Itabira.

08/01/1978 — Cantinho do Pão de Queijo —  Bairro do Pará, Itabira

30 de junho a 2 de julho de 1978 — Promoção do I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras. Nasce no congresso a ideia apresentada por Paulo Camilo Pena a pedido de Carlos Drummond de Andrade — Fundo de Exaustão de Recursos Minerais — que resultou na criação do Royalty do minério de ferro, projeto transformado em lei na Constituição Federal de 1988..

02/01/1979 — Demitido da CVRD.

08/01/1979  — Cantinho do Pão de Queijo —  Bairro da Penha, Itabira.

08/01/1980 — Cantinho do Pão de Queijo —  Centro, Itabira.

01/01/1982  — Eleito por unanimidade presidente da Câmara Municipal de Itabira.

15/11/1982 — Candidato a deputado estadual: 15.351 votos (terceiro suplente).

15/11/1986 — Candidato a deputado federal: 16.301 votos (segundo suplente).

01/01/1993 — Revista Itabira Ltda. com “Itabira e Centro-Leste em Revista”.

01/10/1995 —  Revista Itabira Ltda. com “DeFato”.

10/10/1995  — Título de “Cidadania Honorária Itabirana”, projeto do vereador Raimundo Afonso de Araújo Lima.

01/08/1997 — Aposentadoria por tempo de serviço.

01/12/2000 — Jornalista de Itabira em Revista.

08/01/2003 a 21/09/2007 — Vestibular  na Funcesi (segundo lugar geral) Curso de História, concluído em novembro de 2007 (Iseed/VGP).

20/10/2010 — Demitido de Revista Itabira Ltda.

12/03/2021 — José Almeida Sana (MEI) com www.noticiaseca.com.br

 29/05/2021 —  A vida continua...


José Sana

29/05/2021


Em tempo:

1.  Isto não é um currículo. Rever o título. “Itabira e eu: 55 anos de convivência”.

2. Foto de Itabira nos anos 1940/ 1950, publicada no jornal O Trem Itabirano.

 

quinta-feira, 27 de maio de 2021

CABRITO DESVENDA O MISTÉRI0 DA “TÁTICA DO BISPO”

Bom dia, boa tarde, boa noite! O Cabrito foi  convocado para resolver um problema, que é o seguinte: mais uma vez a mineradora Vale está na mira de destruir um bairro em Itabira. Mais um, como se não bastassem Explosivo, Paciência de Cima e do Meio, Chacrinha, e Conceição de Cima. 

 Não é da alçada humana enfrentar o esquema que armaram contra os moradores dos bairros Bela Vista e Nova Vista. Para não nos culparem por omissão, convocamos o Cabrito que, além de uma “live” especial, feita diretamente do terreno baldio que ronda parte dos dois bairros, desenhou o texto abaixo, depois de detectar as causas e de discutir com os seus contratantes quanto seria o capim correspondente ao pagamento por seus serviços de anti-marketing. Vamos ao que interessa:

 COM A PALAVRA O CABRITO

 “Aqui vos fala o famigerado Cabrito, que de vez em quando é bom, mas sempre adora ser justiceiro. O ser humano sempre precisou de justiça com as próprias mãos e a justiça caprina preenche todos esses requisitos, inclusive invadindo as hortas dos criminosos quando esses se negam a fazer o que é correto.

Eu, Cabrito Macho, repito: vou revelar a questão que assola Itabira e o Brasil e ensinar aos jornalistas, ou copiadores de textos, ou cometedores de erros crassos, a qualquer cidadão  que queira entender a problemática.

Objetivamente falando, é o seguinte: foi criada uma maneira de não dar satisfações à imprensa, nem a advogado algum, sequer à Justiça e a qualquer curiboca sobre o que os outros acusam e berram. Particularmente, a mineradora, que corrói Itabira há quase 80 anos adota o seguinte lema hoje em dia: ‘O que dizem de mim não é da minha conta’.



‘TÁTICA DO BISPO’

O que chamam de lenda e não é, consiste no seguinte: um bispo, dos novinhos em folha resolveu fazer uma trapalhada que abalaria Roma e acho que ceifou mesmo. Não vou contar o tamanho da sujeira, é outro assunto. Apenas o seguinte: o prelado, depois de cometer o erro imperdoável, não dormia, não comia, caiu numa cava e eterna depressão. Com ele, seus confrades, preocupados com o que estava acontecendo, sussurram de ouvido em ouvido o que poderia ser feito para acabar com aquele problema.

Jornais de todo lado, emissoras de rádio, sites endoidados caíam de pau nele, todo dia arremessando-lhe pancadas na cabeça, no peito, no pescoço, com palavras denunciadoras e de extrema gravidade. O que urravam fazia tremer não Roma apenas, mas o Céu, o Purgatório e até o Inferno.

Ninguém resolvia o problema, que só se agravava, até que surgiu uma luz no fim do túnel. Convocaram um outro bispo, este calejado, mais velho, cheio de ‘ideias geniais’ O velho de guerra recebeu o apelo, quase uma convocação para comparecer à cidadezinha e lá dar cabo àquele nefasto acontecimento.

E deu. Chegou num jipe velho, capota de lona rasgada, saltou rapidamente (era velho mas continuava esperto e nem tropeçou na batina),  entrou no salão onde lhe esperavam duas dúzias de beatos assustados, trêmulos e de olhos esbugalhados.

Deu boa tarde, proferiu somente as seguintes palavras: ‘Meus amigos, não se atordoem! A partir de agora, nada aconteceu, deixem berrar, uivar, grunhir, rinchar o que quiserem. Podem berrar qualquer impropério. A resposta nossa é a seguinte: silêncio. Em pouco tempo, tudo cai no esquecimento, a memória humana não vale um centavo’.

E pegou de novo o seu jipe, voltando para a sua diocese, calminha, onde ventos acusadores jamais entraram.

O que ensinou naqueles velhos tempos serve para hoje. Os estrategistas de governos, os donos do poder, os que vivem num patamar alto, estão adotando o que o quase cardeal ensinou. Por ser vitoriosa, sua sabedoria  recebeu a denominação de 'Tática do Bispo'.

Dito o problema, vale dizer que o deputado estadual Bernardo Mucida de há muito vem tentando uma solução para 300 famílias, ou seja, mais de 1.200 pessoas, que correm o risco de serem despejadas. 

Eles, os bela-vistanos e nova-vistanos, sentem no disse-que-disse diário constitui verdadeiro terror. Mucida sobe na tribuna da Assembleia Legislativa quase todo dia  e solicita, pede, roga por compaixão e defesa das famílias uma palavra qualquer, um raro “aguarde” e nada, nada, nada. Seus pedidos, protestos, busca de soluções parecem ir para o lixo de quem os recebe, ou que nem chegam ao destino. A empresa é intocável, ou seja sociedade anônima, de ninguém, dono definido.

‘TÁTICA DA ONÇA BRABA’

Ofício? Requerimento? Gritos na internet? Discursos no maior Poder Parlamentar do Estado? Nada disso está resolvendo. Está valendo a ‘Tática do Bispo’, só ela, nenhum outro caminho, o mesmo que outras autoridades fazem nesta época de mundo doido, Brasil surtado, Itabira maluca.

Mas ninguém mais corajoso que o Cabrito que vem agora resolver a solução: farei o mesmo que o bispo, apesar da condição de ser chamado de um irracional. 

Prometo que amanhã, ou depois de amanhã, ou até este domingo próximo trarei a vocês uma réplica ao bispo chamada “Tática da Onça Braba”. Vou contar aqui como se derrubam esquemas, métodos nazifascistas, tudo isso que para a cabritada já caiu do galho O silêncio como marketing dos ‘despoderados’ vai por água abaixo.

Até amanhã, ou depois de amanhã!”

Cabrito Velho de Guerra

Em 27/05/2021

sábado, 22 de maio de 2021

A FÁBULA DE ITABIRA E DA VALE

Estou numa sala de aula do Grupo Escolar Dr. Odilon Berhens, segundo ano, na década de 1950, sem erro algum porque a memória está ativa. Minha professora chama-se Dona Inês Alvarenga, que desembarca com Dona Ilsa Caldeira Duarte, esta que me ensinou as primeiras letras. Ambas chegam triunfantemente, recebidas com festas e banda de música, e vindas das terras abençoadas de Santana dos Ferros, pertinho de São Sebastião do Rio Preto, onde nasci.

A senhora mestra Dona Inês, como os pais chamavam a professora, de olho em mim, pede que leia e interprete a Fábula da Cigarra e da Formiga. Li, entendi, interpretei e ganhei aplausos. Ela, Dona Inês, elege-me seu aluno preferido pelo fato de ser um menino sapeca, pintor do sete,  direto e reto.

Quanto à fábula de que fui relator, vou ver se me recordo bem. É esta: “Durante o verão, a Cigarra quer aproveitar o tempo bom e passa os dias cantando. Enquanto isso, a Formiga trabalha de forma diligente, reunindo alimentos para sobreviver no inverno.

Quando chegam os dias de frio e chuva, a Cigarra não tem o que comer e pede à outra para partilhar a comida dela. A Formiga recusa, imaginando que a Cigarra passara o verão cantando e agora precisa "se virar".



Leio em voz alta o diálogo travado entre os insetos:

Formiga — E o que é que você fez durante todo o verão?

Cigarra — Durante o verão eu cantei.

Formiga — Muito bem, pois agora dance!

Moral da história: trabalhemos para nos livrarmos do suplício da Cigarra, e não aturarmos a zombaria da Formiga”.

Os anos passam, ingresso-me na Vale e concluo meu trabalho no cargo de assessor de imprensa. Sou eleito por dois mandatos vereador e, ao deixar a presidência da Câmara, demite-me um tal de Hugo Mourão pelo simples fato de tomar a iniciativa de realizar em Itabira (junho de 1978) o I Encontro Estadual de Cidades Mineradoras, oportunidade em que nasce a semente fértil do royalty do minério de ferro, que daria aos municípios mineradores a sustentação do futuro.

Colocado no “olho da rua” pela estatal dos tempos da ditadura e com família para criar, abro confeitarias e padarias para garantir o leite e os estudos dos filhos. Em seguida, crio uma revista e um site que defendem tenazmente o mesmo ideal que me tomam como instrumento ou ferramenta.

Sou impelido a contrair rusgas terríveis na vida por ser um mini-Tutu Caramujo, embora não adepto da filosofia da “derrota incomparável”. Do pleito eleitoral de 2020, carrego para sempre o peso do idealismo que convém a poucos, infelizmente. Conclusão: faço parte de uma minoria sem medo. Mesmo se sozinho ficar nunca arredarei pé desta convicção de que Itabira precisa se livrar de fábulas.

Dia destes, um amigo, grande conhecedor das estratégias internacionais do mercado minério de ferro, verdadeiro “expert” no tema, contata-me e saúda o tema que estou abordando e que, por inacreditável coincidência, faz-me lembrar  a Fábula da Cigarra e da Formiga. Peço-lhe licença para associar a minha infância escolar ao encaixe desta situação perfeita, cumprindo somente a tarefa de adaptação simples e compreensiva.

O diálogo agora é este:

Vale — E o que é que você fez durante todo o verão?

Itabira — Durante o verão eu cantei.

Vale — Muito bem, pois agora dance!

Nada mais a dizer, senão que ouço vozes que se deliciam nos bastidores me chamando de “velho gagá”. Pedem que seja adotada a “técnica do bispo”, ou seja, “isso passa, isso se esquece” Deixo apenas uma resposta: a coerência de meu trabalho durante 55 anos de Itabira me tranquilizam e me garantem não ter Alzheimer para ser tratado, graças a Deus, embora respeite todos os que o enfrentam e a esses diga que um santo remédio vem aí para a cura.

Gagá ou não, a minha sustentação vem dos 11 anos de idade, quando subia no morro mais alto de minha vila e de lá, a cada meio-dia, via estourarem dinamites no extinto Cauê. O meu fascínio pelo pico, anunciado como o mais rico do mundo no início do século XX, passa para o tempo em que venho trabalhar exatamente no seu cume e o vejo transformar-se numa cava imensa e inarredável.

A minha história não é a mesma de Robinson Crusoé, como diria Drummond. Ela é também não é tão bonita, nada de admirável, mas tem um algo muito forte de sinceridade no seu bojo: a persistência como a hematita de teor 100%  de ferro, mas que não embarca em trem algum, em navio nenhum, nem vai para o alto-forno da sinterização sem luta e sem fé.

 José Sana

Em 22/05/2021

sábado, 15 de maio de 2021

CREIO EM TI, BILL GATES !

“Ele não precisa mentir. Nem de  jogar o que tem de credibilidade pelos ares, não nossos, mas  de  milhões de admiradores; porque o mundo acredita em quem fica rico, aprecia a capacidade de ganhar dinheiro dos espertalhões; só mete o pau naquele que arranca dinheiro,  escancaradamente, na nossa cara, tudo às custas de omissão e inércia”.

 Recebi esta mensagem via WhatsApp, bem podia divulgar o nome do autor, até se fosse pelos canais do tambor de indígenas de filmes.

Outro cidadão me “ameaçou” vir à minha casa para acusar os ricaços internacionais de financiarem o socialismo ou o comunismo, todos poderosos, às custas do capitalismo selvagem. Disse: “Insatisfeitos por suas riquezas terem alcançado o grau infinito, acreditam que sejam   deuses”.  Na verdade, ele gritou do outro lado da rua, abaixou a máscara para soltar a voz. Quem viu pôde ter a certeza, de que fosse eu o Bill Gates ou o George Soros perdido no interior destas Minas Gerais. “Tadim de mim!” – pensei, acompanhado de  minha avançada ignorância.

Fiquei pensando por trás de minha máscara que, aliás, todos as têm de seu jeito, que  um Jeca-Tatu da Roça nunca tem o direito de dizer isso, mas somente quem frequenta as páginas do New York Times ou da Forbes. Sendo eu um Mané da Esquina, julgo-me apenas no direito de acreditar, sim, nas palavras do cofundador  da Microsoft, muito mais que no dono do hot-dog  que fica ali nos passeios vendendo os seus produtos para garantir o leite das crianças.

Com todo o respeito a ambos, apenas admito entender que vale a força do acesso à informação. Quer dizer, saber desinteressada ou interessadamente, é o que conta neste momento.




Acredito em Bill Gates também por ele ser claro: novas pandemias vêm aí e o globo terrestre, principalmente os países do primeiro mundo, devem preparar-se para, cada vez mais, enfrentar desafios de desastres naturais e artificiais. É o que diz a lógica vista até por cego de olhos arregalados, burros ou preguiçosos, mesmo os que não ouvem, não leem, não se ligam no raciocínio lógico. E chega de espernear, a ordem é organizar!

O maior súdito ou acesso à verdade, para compensar  o fiel da balança, pode vir exatamente do Izé da Esquina, o Jeca-Tatu, comedor de angu, como diz outro lambedor de rapadura, desfazem dele o criador de caso, que vive reclamando, nada faz, ou se age, adora uma contramão.

Deus criou  — se não foi Ele, o herói é você —  o ser terrestre  para  ir em busca de uma grande conquista, um feito notável, memorável. Mas, o dito cujo homem resolveu  mostrar forças que não tem, exibir capacidade que nunca lhe foi dada para deixar tudo aí malfeito, à beira do caos.

A raça humana bate no peito para dizer impropérios um para o outro e a verdade é a seguinte: operando máquinas sofisticadas, tocando naves espaciais de tecnologias incríveis, está a cabeça do mesmo ser pré-histórico que fazia tudo por guerras e hoje faz mais que isto: para construir o caos geral.

Pronto. Creio em Bill Gates, mesmo que seja ele irmão ou primo do Belzebu que tanto o mundo teme, ou de um Lúcifer qualquer, que outro lado tanto estima por lhes dar um aparente conforto material.

Diz Gates que tudo mudou. Já alteramos os métodos de higiene, vamos ter que nos adaptar a um tipo, não exagerado, de distanciamento social, precisamos criar aproximações mais coletivas de lideranças, deixemos de acreditar nos super heróis dos filmes e antigas revistas em quadrinhos.

A busca é da igualdade, sim, mas com pesos  nos ombros de todos.  Minha inarredável  ideia do plano comunitário continua de pé, mesmo que me chamem de velho gagá, ou de Bill Gates ou George Soros às avessas. Agradeço de bom grado.


José Sana

Em 15/05/2021

(Foto: Divulgação)

sexta-feira, 7 de maio de 2021

UM MITO CHAMADO PROFESSOR JOSÉ ANTÔNIO SAMPAIO

Desde meus tempos de criança sempre tive obsessões que, dentro de mim, criam mitos. Esses podem ser gente, objetos, paisagens, qualquer símbolo. Vou dar um exemplo: o Pico do Cauê, que conheci de vários pontos de Itabira aos cinco anos de idade, era um mito especial. Via-o como algo sinistro, que escurecia Itabira sempre antes do pôr do sol. E até me metia medo.

Eu o perseguia determinadamente: aos 11 anos, tinha o costume de subir uma serra de quase 2 mil metros de altitude, atrás do casarão onde morávamos, em São Sebastião do Rio Preto, para ver a olho nu as dinamites arrebentarem a rica hematita, religiosamente ao meio-dia. Cauê, meu mito antológico, tornou-se uma cava. E que cava depressão!

Agora, vamos ao que interessa neste momento: outro mito imaginário, este humano, chamava-se Professor José Antônio Sampaio. Conheci-o pessoalmente em 1972, exatamente no mês de julho. Foi um dia após ter meu nome inserido em ata como candidato a vereador, pelo meu amigo e secretário do MDB, Marcos Evangelista Alves, o Gabiroba. Ao invés de sair pelas ruas e casas a pedir votos e de nem sequer planejar a campanha, tomei a iniciativa de ir à espreita da História de Itabira. Exigi de mim mesmo: como poderei ser vereador de uma cidade da qual não conheço a história?

Fui guiado a procurar o Museu do Ferro, situado na Rua Tiradentes, 55, bem no centro de Itabira, defronte o Zequinha Alfaiate e nos arredores de Aloísio Sampaio e Magalhães & Cia.

E vamos ao momento presente. Não me lembro que dia é hoje, só sei que estamos numa segunda-feira do mês 7, bem à tardinha. O Pico do Cauê já tapava o sol refrescante do inverno rigoroso daqueles tempos gelados.




Paro no primeiro degrau do casarão. Não vejo sequer um vira-latas vadiando pelas ruas, ou um gato em algum telhado por perto do Oswaldo Sampaio. Silêncio total, cada vez mais ensurdecedor, termo comum nos filmes de Martin Scorcese. Detenho-me ao pisar o chão da escadaria e deparo-me com um senhor, escrevendo à uma mesa, largando imediatamente a caneta-tinteiro e levantando-se para atender-me atenciosamente.

Peço-lhe desculpas assim: “Perdão, eu vim aqui à procura da História de Itabira, não sei se estou no caminho certo”. Não precisou dizer nem uma palavra e me arrastou gentilmente a uma sala, com ferros pendurados em suportes de mais ferros, nomes de forjas dos tempos idos pós-mineração do ouro, depois conduz-me a um armário recheado de livros com recortes de jornais colados e também revistas catalogadas, sobre História do Brasil, Minas Gerais, Regional e de Itabira

E começa a mostrar-me ainda uma ruma de descrições com os nomes de Padre Manoel do Rosário, vindo de Portugal, e dos Irmãos Albernaz, estes paulistas (seriam dois, mas um deles a ex-vereadora Maria José Pandolfi pesquisou e descobriu que apenas um esteve por estas bandas).

O Professor fala da Serra Cabeça de Boi, em Itambé do Mato Dentro, de onde o Cauê fora visto em 1720. E me enche de informações, fala de Tutu Caramujo, Drummond, Alfredo Duval, Maria Cassemira;  mostra-me foto dos vereadores reunidos na primeira Câmara Municipal e marcamos novas aulas.

Nem me pergunta qual seria a minha intenção de conhecer as causas da descoberta do ouro, depois do ferro, nestas terras complicadas e misteriosas. E eu nem tive a coragem de pedir-lhe o primeiro sufrágio, calo-me pelo motivo claro: quem desconhece a terra pedir voto a quem a cabe de cor e salteado? Será que mereço? Volto lá dezenas de vezes e só quero mesmo saber da terra cercada pelo imenso pico de hematita compacta.

Mas desejo saber dele a sua própria história, que o tornara sábio do passado. Conta-me aos poucos: é “garrucheiro” da vizinha Santa Maria, leciona História, tornou-se inspetor escolar e por aí narra alguns tópicos até chegar àquele casario que parecia assombrado.

Três anos depois, eu eleito vereador, no segundo ano da primeira legislatura, tomo conhecimento de sua morte, bate-me grande arrependimento por não ter procurado essa criatura para falarmos mais sobre a história itabirana que poucos conhecem.

Já pra lá da idade escolar, resolvo estudar História, fazer duas pós, mesmo exercendo jornalismo. E me cresce a cada relance o arrependimento de não ter conhecido com mais profundidade essa figura que elegi como algo simbólico-imagético. Achava que por conhecer os Sampaio, muito populares nestas bandas, pudesse redescobri-lo facilmente. Mas, não! .

Mas, finalmente, por meio de um vereador, Marcelino Freitas Guedes,  retorno àquela época mágica de correr atrás dos Albernaz e dos Rosário. Recordo-me ter construído outros mitos, como Dr. Pedro Martins Guerra, Terezinha Fajardo Incerti, Dr. Costa de Santa Maria, Dr. Mauro Alvarenga, Glória Lage (a enciclopédia) e outros, mais outros.

Voltando ao homem do momento, já fiz o relato: o Professor José Antônio Sampaio inventou o Museu do Ferro, que neste ano de 2021, transformado em Museu de Itabira, celebra seu cinquentenário.

Parabéns, meu mito Professor José Antônio Sampaio!

Parabéns, vereador Marcelino Freitas Guedes!

Parabéns, vereadores que aprovam o projeto!

Parabéns, prefeito que promulgará a importante lei!

Anuncio e prometo revelar mistérios que ainda rondam a história itabirana. Às vezes passando pelos mitos, às vezes por meio de minha intermitente curiosidade nascida na infância, que vaza a velhice e segue para sempre.

José Sana

Em 07/05/2021