A única maneira de falar a verdade tem sido por meio de entrevistas e reflexões imaginárias. Ninguém pode proibir ninguém de imaginar, pensar e mesmo escrever. O maior pensador de ultimamente tem sido o Burro do Zé em associação com o Zé do Burro. Vamos conferir?
— Estou debaixo da coberta, não faz frio hoje aqui na Fazenda Mau Tempo. Só penso no meu futuro político, eu, eu eu é o personagem de tudo. Enquanto isso, os babacas pensam que estou preocupado com Itabira. Ela que se dane! E se dane se a Itaurb quebrou, vou limpando só o lado do povo que pensa.
— Hoje uma pessoa me parou por aí e me disse que se eu não fizer isso, aquilo e outra coisa não serei nunca mais político na vida. Marquei uma consulta com um pai-de-santo e ele vai analisar se é verdade esse medo de meu amigo. Se não der certo, vou procurar a mãe-de-santo. essa está aqui mesmo.
— Nunca em Itabira foi pensado que alguém conseguiria quase 80% de aceitação na eleição e não pudesse se eternizar no governo... (Nisso veio o sono e fim).
— Acordei-me na madrugada de bom humor. Minha companheira sorriu para mim e me ameaçou assim: “Se você não me eleger deputada eu te deixo. Vai ficar jogado na vida como um pobre andarilho”. Tremi dos pés à cabeça, em cima dos chinelos.
— Estou indo para a dureza do dia, sorrindo para todo mundo. Fingimento meu, é claro. Preciso ingerir algum remédio para ficar mais animado. Meu remédio é enxergar o poder na minha frente. Como é bom ter o poder, mesmo dividindo-o com alguém poderoso (a)!
"TÁTICA DO BISPO"
— "O bispo move-se em diagonal, podendo percorrer qualquer número de casas, mas sem pular outras peças." Isto li por aí. Muita gente usando as redes sociais e adulando-me, pensando ser eu esse bispo das pedras inteligentes. Tá bom, que pensem assim. Já dei ordens pra todo lado com a lista dos que estão com máculas por causa de picuinhas. Vou ensinar a todo mundo de meu gabinete na prefeitura, na Fazenda Mau Tempo e aos assessores em geral a famosa “tática do bispo”, aprendida lendo um cara que me apoiou e agora me odeia. Mas ele contribuiu com o meu repertório de enganar a gregos e troianos
— A tática foi ensinada numa cidade de nossa região. O povo estava apreensivo porque metiam o pau em bispos, padres e conselhos paroquiais, que teriam doado ou vendido a preço rasteiro as terras e riquezas a uma multinacional. O bispo, ou melhor, arcebispo desceu de seu carrão de cara fechada. Cumprimentou todo mundo e disse apenas estas palavras:
— “Meus caros irmãos e irmãs. Na vida tudo passa. O que escrevem nos jornais, nos sites, blogs e outros canais passa também. Nesse caso, passa com mais rapidez. Se criticam algum procedimento, todos esquecem, é somente não responder”. Essa a tática do bispo que aprendi em pouco tempo porque nunca tinha feito nada, sou um folgadão, que sempre vivi às custas de meu pai, nunca trabalhei e para pensar arrumei uma criatura e contratei marketing endemoniado.
— Agora, nossa prefeitura vive uma fábula, azar dos que perderam o rumo. Ela foi copiada de La Fontaine, poeta francês do século XVII, assim resumida e tem o nome a seguir:
A CIGARRA E A FORMIGA
“Era uma vez uma Cigarra, que vivia saltitando e cantando pelo bosque, sem preocupar-se com o futuro. Esbarrando na Formiga, trabalhadora, que carregava uma folha pesada com alimentos e outras necessidades, continuava a sua cantarolada. A Cigarra, intrigada, fez a sua pergunta:
— Ei, Formiguinha, para que todo esse trabalho? O verão é para a gente aproveitar!
A Formiga continuava no seu trabalho e tentava ensinar alguma coisa à sonhadora Cigarra. O desfecho da história é que a Cigarra, sem comida para o inverno, cantou na porta da Formiga, pedindo ajuda. e teve a seguinte resposta: ‘Se tu cantaste no verão, agora dança no inverno!’, A Formiga foi obrigada a deixar a Cigarra no frio e na fome, porque tinha outros compromissos a cumprir. E teve que dar uma lição a ela.”
E Cigarra sou eu, a Prefeitura de Itabira, que não posso falar, mas, na verdade me nomeio a "COGITABUNDA MANDANTE DE ITABIRA." Sou esperta, agora tenho a obrigação de enrolar a Formiga, boba sem limites, que há quase cinco anos caiU no meu lero-lero. A regra daqui para a frente é dizer que a minha companheira vai resolver todos os problemas como deputada estadual ou federal, depende do tamanho da boca. Eu quero boca, viu, bobalhões? O povo não quer, mas, acreditem, vamos dar um jeito...
Zé do Burro e Burro do Zé
Fotos: Bom Cabrito
Em 30/08/2025