sábado, 29 de março de 2025

MÁRIO GURGEL, MEU PERSONAGEM INESQUECÍVEL

 

Exemplo que ainda faz falta,  o  bispo nortista que revolucionou a Diocese Itabira-Coronel Fabriciano

  

Bom dia, peço licença para tecer umas linhas sobre o saudoso nosso bispo Dom Mário. Primeiro digo que ele foi um meu inimigo feroz. Brigamos no ar de um programa e nos debatemos em outras polêmicas fora de estúdios das rádios Itabira e a antiga Antártida. 


Como Deus escreve certo em linhas tortas, chegou a nossa vez de fazer, definitivamente, as pazes, ocorrida da seguinte forma: ele fez 25 anos de episcopado e o estádio Israel Pinheiro abrigou 25 mil católicos para homenageá-lo. Antes, porém, a comissão organizadora precisava registrar o evento em imagens. Recebi uma comitiva de amigos dele e meus, tentando me contratar para filmar a ocorrência.

 

Abro um parágrafo para informar que somente Cácio Duarte Guerra, então presidente da Câmara Municipal, e eu tínhamos equipamentos de filmagens e edição de imagens. Por isso, recebemos a visita da comissão para os propor um contrato. Fecho um parágrafo e abro outro apenas para acrescentar que ambos - Cácio e eu - éramos “inimigos” dele, cada um por um motivo. Esse não é o assunto do momento. Porquanto, fecho o parágrafo.

 

Peguei a câmera digital e duas fitas VHS e parti para o trabalho. A solenidade teve seu início, uma festa jamais vista nas religiões. Tinha eu um notável orientador que é Silvério Bragança, mas havia momentos em que somente eu e o bispo encontrávamos no espaço em que se joga futebol. De minha vez, eu deitava na grama, rolava no chão, fazia verdadeiras acrobacias em meus cinquenta e poucos anos e tivemos momentos de glória, emocionei-me em várias vezes. Ele, por sua vez, deixou com alguém um recado assim transmitido: “Vê-lo naqueles gestos humildes, me acompanhando no estádio, me trouxe uma mensagem de paz e muito amor”. Esee foi o pagamento pelo meu trabalho, ser um mensageiro da paz.

 

Aproveito estas curtas linhas para esclarecer que foi intenso a seguir o relacionamento com ele daí para a frente. Acusam-no de “politiqueiro” e não é verdade. Sua conduta confundia-se com política quando era provocado. Ele dava a resposta que doía no aviltante como uma faca no peito.

 

Por interpretações várias, Dom Mário Teixeira Gurgel, ainda hoje, embora mais amado que detestado, arrancava algum sentimento de ódio no praticante de política. Também Cristo não foi 100% amado, pelo contrário pareceu ter menos virtudes que Barrabás, e isso basta para encerrar nesse tópico.

 

Vou acrescentar apenas: - que ele não usava a democracia para se expressar porque era dono de um cargo superior e discutível; que respeitava todos, como Cristo o fez para não separar as ovelhas; e olhem esta: dizia sempre, no altar, mandando recado para os celebrantes de missas que uma homilia (pregação sequente ao Evangelho) nunca pode durar mais que cinco minutos. As homilias itabiranas duram até horas, ou mais...

 

Para quem não sabe, nunca fui de babar bispo algum, nem padre. Fui, sim, um coroinha que rezava a missa em Latim e traduzia os textos da “língua-mãe".

 

Encerro assim: tenho saudade de meus professores de Latim, como Aristides, Padre Raul, Dom Mário e Padre Manoel de Melili, Mas, maldita seja a administração de Itabira que não consegue fazer pelo futuro senão um marketing barato de enganação. 


Deus, mude isso! Interceda, Dom Mário Teixeira Gurgel!

 

José Sana

29/03/2025

Fotos : NS

sexta-feira, 28 de março de 2025

OS 40 PECADOS CAPITAIS (2)

 


"O IDIOTA", de Fiódor Dostoiévski, modelo inteligente e muito explorado que temos de há muito em Itabira


Fiódor Dostoiévski (1821-1881), escritor, filósofo e jornalista do Império Russo, escolheu a figura super honesta e ingênua para ser o personagem central de um romance a ele encomendado, o príncipe Liev Michkin. Daí nasceu uma das obras mais importantes de Fiódor,  “O idiota”.

 

O romance retrata de verdade uma personalidade irretocável, cheia de grandes virtudes, acossada de más condições de trabalho, isolada da elite, com problemas de todas as naturezas a perturbarem o romance do século XIX, com quase 700 páginas como resultado de tudo.

 

Chama a atenção, de forma piedosa para o vice-prefeito de Itabira, que pode ser o que for, mas sofre no zum-zum diário, pilhérias e injustiças. Dizem nos corredores da prefeitura que “o quase príncipe sonha e  é simplesmente usado para preencher o que falta em outros nomes do poder forasteiro.

 

Vêm aí as eleições de 2026 e só não vê quem não quer: já existem "candidatos" escolhidos. estão sendo “trabalhados” e  usando  espaços e recursos públicos em beneficio próprio, articulando às custas do dinheiro público, haja cegueira para não enxergar!

 

“O idiota” e explorado itabirano é o vice-prefeito Marco Antônio Gomes, coitado. É, ainda, apesar do passado recente meio torto, o sacrificado sem saber, no ver de dezenas de entendidos do assunto “politicagem barata” continua sendo o ideal. inocentemente, apesar de tudo.

 

“Vão apoiar mesmo o nosso candidato, a deputado ou a prefeito?” — sonham os seus adeptos que se minguam pouco a pouco. Os afiliados do grupo do “baixinho da prefeitura”, esses querem decepar a figura como uma “maria antonieta da revolução francesa”. A história me ajuda a explicar.

Já temos outro (ou outros) bodes expiatórios, tentaram pegar o vereador Júber Madeira, que se deu mal com a resposta de outro vereador, Diguerê. Para revogar os itens inseridos no regimento interno é como alterar a "constituição". Cuidado em tocar na “democracia”, evitem perseguições etc. e tal!

 

José Sana

28/03/2025

Imagem: redes sociais

P.S.: O caldo vai entornar quando for deflagrada oficialmente a campanha eleitoral, por enquanto engatinhando.

sexta-feira, 21 de março de 2025

ELE VENCEU DE GOLEADA, COMO DIZEM NO FUTEBOL


 


Hoje ele faria 75 anos. Disse-me na véspera: “Não quero morrer, mas estou indo...” No dia seguinte, em seu sepultamento, gritei com a força de nossa estima: “Marcos, você venceu!”

 

Passei o dia (até agora) tentando não me lembrar dele, pois é certíssimo que se encontra em bom lugar. Sou mesmo um memorialista, nunca me esqueço de fatos importantes ocorridos desde quando tinha meus 5 anos de idade.

Estávamos em São Sebastião do Rio Preto. Era uma terça-feira, 21 de março de 1950. Vovó Maria corria como uma coelhinha com tarefas a cumprir. O acontecimento se dava no sobrado da família, localizado na Rua do Rosário. A farmácia não teve suas portas abertas. Tenho apenas as dúvidas se abriram na parte da manhã.

O pai, Tio Líbio, tremia e fumava como uma chaminé das usinas metalúrgicas. Eu ali, com meus 5 anos e Mercês com seus 7  fomos “expulsos” do sobrado, para a minha casa, o sobrado da loja. Criança não pode ainda saber como nascem os bebês. A cegonha, ou um aviãozinho impediam.

Disse alguém nos nossos ouvidos que Didi, filha de Lindaura, que chamávamos Salinda, nome próprio de cartório e pia batismal  Maria Effigênia Duarte (depois Sana) tinha dado à luz a um meninão que Vó Maria chamou imediatamente de “Bolota”.




E ela, então escritora do registro civil particular familiar, escreveu no seu caderninho de apontamentos: “Marcos Humberto Sana nasceu em 21 de março de 1950, às 5 e 35 horas da tarde. Padrinho: Alfeu Sana e Zica”.

Ao sermos mandados para o sobrado da Rua de Cima, só observei que havia algo ocorrendo no quarto de dentro, à esquerda, onde Mercês dormia até se casar.

Já escrevi muito sobre Marcos. Dispensável repetir. Não choverei mais no molhado. Só quero deixar uma palavra: por fruto de seu nascimento, sua existência, sou afilhado, compadre e sobrinho de Tio Líbio, meu sempre eterno babá.

Diziam  as bocas pequenas que eu sempre fui “morrinhento”. A memória mostra que nunca Marcos e eu tivemos uma troca de pirraça mesmo passando a infância na casa de Vó Maria, quando não estava na Fazenda dos Bambus brincando com Edson e Edilon. E a meninada alegre de Tia Magda.

Só saudade e, finalmente, durante três anos, acompanhei a sua agonia mais no WhatsApp.

No dia mais triste que existiu para nós, ao sair do cemitério, onde foi depositado seu corpo, soltei o meu grito: “Marcos, você venceu!”. Aos prantos engasgados, a partir de sua filha Fernanda, vozes me acompanharam: “Venceu!”

 

E como venceu! Obrigado, por ter existido. Aprendemos muito.


José Sana

Em 21/03/2025

Fotos/Imagem: NS

 


INTERESSES MINERÁRIOS DE OLHO EM CAETÉ

 


              Serra da Piedade (Patrimônio de Caeté - MG): degradação ronda a riqueza junto de nós


Vamos ter Caeté subjugada pela mineração, para atender o lucro de acionistas, como está a vizinha Barão de Cocais e Itabira (inclusive precisando buscar água em município vizinho)?

 

Em plena crise climática, com possibilidade de escassez ou colapso no acesso a água a serem explodidos e transportados para venda, através do tráfego pesado e intenso de centenas de carretas (que já matou caeteenses), a maior parte para exportação em vagões do trem, mesmo que cheguem a ele através de “mini-minas” como a do Lopes em Santa Bárbara que causa transtornos graves em Rancho Novo e na cidade. Até mesmo a bela Serra da Piedade é diariamente triturada, apesar da sua importância e proteções que tem.

 

Se os impactos socioambientais da mineração são tão visíveis, que negacionismo é esse que ainda permeia o imaginário de parte da população? O que faz com que se mantenham reféns dessa atividade econômica? Provavelmente para muitos é o fato de serem vítimas, ao longo dos anos, de gestões públicas e políticas que não cuidam para que o desenvolvimento econômico de Caeté (associado à promoção de geração de renda e empregos) chegue de outras formas. E há sim essas formas, sendo a mais potente delas o turismo. 


Afinal, Caeté é um dos 22 municípios (num total de 853) indutores do desenvolvimento turístico regional, de acordo com pesquisa do Observatório do Turismo de Minas Gerais. Não fomentar esse potencial vem prejudicando o município e atende precisamente aos interesses minerários que precisam de uma população desesperada por uma saída para a sobrevivência.


 

A “bola da vez” é o Projeto Apolo da Vale que pretende: 1) Transformar a deslumbrante Serra do Gandarela num imenso buraco (7 km de cava com 422 hectares e mais de 100 metros profundidade) com rebaixamento de lençol freático, precisamente na zona aquífera mais rica de águas subterrâneas de alta qualidade; 2) Interferir com o potencial turístico regional e a conservação da biodiversidade e promover restrições ao lazer nos atrativos naturais na região, como cachoeiras e trilhas de ciclistas; 3) Colocar 2 gigantescas pilhas para armazenar um total de 230 milhões de m3 com altura de 239 m e 294 m (prédios com 68 e 84 andares), uma delas com drenagem no sentido de Morro Vermelho; 4) Sobrecarregar com tráfego intenso e pesado as comunidades de Rancho Novo e Morro Vermelho e com mais trânsito a sede urbana; 5) Inundar de poeira, vibrações e ruídos 24 horas por dia; 6) Ampliar muito os problemas de segurança pública (aumento da criminalidade), os problemas sociais (prostituição adulta e infantil e gravidez precoce), o atendimento nos serviços como saúde (maior incapacidade de atendimento) e o acesso a habitação (aumento dos aluguéis).


É uma questão de escolha, que não pode ser feita somente por empresas e agentes públicos e privados com interesses econômicos imediatistas e que desconsideram a realidade ambiental que vivemos e as futuras gerações de caeteenses. Não é a toa que chegaram a Caeté farmácias, supermercados e outros comércios que já estão prejudicando os comerciantes caeteenses.


Vamos ter Caeté subjugada pela mineração, para atender o lucro de acionistas, como está a vizinha Barão de Cocais e Itabira (inclusive precisando buscar água em município vizinho)? Ou vamos ter Caeté livre para trilhar seu enorme potencial turístico a 50 km de Belo Horizonte (polo de turismo para visitantes que apreciam cultura, gastronomia, artes e eventos), com a Serra da Piedade, o Santuário da Padroeira de Minas Gerais, o Parque Nacional da Serra do Gandarela, importante patrimônio cultural material e imaterial e, ainda, qualidade do ar e clima ameno? Manter a preciosa qualidade ambiental que ainda temos e águas que garantem o futuro ou trilhar o caminho que não tem volta, que é entregar Caeté à voracidade da mineração?

 



Maria Teresa Corujo (Teca) – Ambientalista e  moradora de Caeté

quarta-feira, 12 de março de 2025

O JORNALISMO MUDOU... PARA MELHOR OU PARA PIOR?

 À conclusão deve chegar o internauta depois de pesar os prós e os contras sobre o que mais lhe convém ou interessa

 

Jornais antigos em exposição no Museu Histórico de Londrina Padre Carlos  Weiss - | Pulsar Imagens | Banco imagens do Brasil

A primeira escola de jornalismo cujas aulas frequentei foi o Diário de Minas, verdadeira faculdade que ensinava o melhor das letras comunicativas. A segunda foi a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belo Horizonte  (FAFI-BH) e a terceira o jornal Estado de Minas. Boas e grandes lembranças de épocas imemoriais.

Devo citar quatro mestres que me traçaram o caminho no jornalismo: Maurílio Brandão, Vargas Vilaça, Márcio Prado  e João Lintz Brandão, este último como instrutor de revisão do Estado de Minas, Diário da Tarde e do Diário Oficial de Minas Gerais.

 

Para fazer o primeiro teste de repórter policial, o redator-chefe Maurílio me apresentou a máquina de escrever Olivetti, cujo estado era de plenamente conservada. O tema foi “Desastre de Avião”; os dados tinham poucos, tive de perguntar, o resto inventar. Aprovado, era uma terça-feira, 8 de janeiro de 1963, havia quatro dias tinha completado 18 anos. Nas mãos de Vargas Vilaça começava o meu purgatório de muito entusiasmo, nutrido desde os 11 anos de idade de sonhos jornalísticos.

 

Aí aprendi as primeiras letras de reportagens, visitando pronto-socorro, hospitais, delegacias de polícia, prisões; entrevistando personagens importantes e, principalmente, bandidos de PHD de altíssimas prateleiras de cima. Mas o assunto de hoje é simplesmente como e por que o jornalismo mudou de lá para cá — década de 1960 anos 2020.

 

ANTIGAMENTE  ERA ASSIM

Máquina de Escrever Olivetti Lettera 82 Bege | Para Alugar ...

 

No jornalismo, “lead” é a abertura de uma notícia, que deve conter as informações principais sobre o fato a ser narrado. O lead deve responder às perguntas fundamentais do jornalismo: quem, o que, quando, onde, como e por quê. Tem a função de despertar o interesse do leitor para que continue a ler o texto. Preparar uma atmosfera para o desenvolvimento da leitura,

 

“O ‘lead’ é um dos maiores cuidados do jornalista. É importante que o jornalista conheça e pratique diversos formatos para entender como fazer um bom lead jornalístico”. Foram mais ou menos essas as primeiras  palavras sobre o tema passadas a mim pelo  meu amigo desde meu tempo de Guanhães até o Diário de Minas. Ele, brilhante cronista, escritor e jornalista Márcio Rubens Prado, falecido em 2014, a quem fiquei devendo até os sanduíches dos fechamentos de edições lá pelas noites adentro.

O detalhamento do lead vem a seguir. Normalmente, são respostas às questões que, naturalmente, o leitor deseja obter. No caso do desastre de avião, os nomes das vítimas, as causas do acidente, as consequências e outros detalhes. O exigente leitor deseja saber de tudo se o assunto também lhe interessa.

 

HOJE É ASSIM...

 

 

Jornalismo digital ou impresso: por que escolher ambos? | Aspin

 

O jornalismo virou ao avesso na questão do lead digital. Isso é o resultado do aparecimento da internet, que puxou  milhares de fontes, sites, agentes de informação, principalmente. Por uma questão de interesse de se obter pontos para matérias mais lidas, o jornalista atual  é levado a deixar o internauta às vezes a ver navios. Como dizem nas redações, primeiro ele “enche linguiça” e vai “cozinhando o galo” até deixar cansado o leitor.

 

O objetivo é segurar a informação que seria o lead no caso da época antiga, empurrando-a para o fim. E tem ainda outro jogo de empurra: o pobre internauta se perde nos respingos de um computador ou celular, as publicidades cercam até o raciocínio de quem tem até o coração batendo para chegar à conclusão.

 

Isso tudo quando não vem a famosa fake news ou até mesmo uma meia fake, quando o informante usa estratégias para justificar algum suspense ou mesmo uma mentira deslavada.

 

Assim, nem parece que houve melhora na informação ou na imprensa. Antigamente, chegava-se a uma conclusão sobre o noticiário e fim de papo. Hoje, noticiam até a morte de quem nem está em estado pré-agônico. Como exemplo, Hebe Camargo e Silvio Santos já morreram várias vezes, de acordo com os desrespeitos da internet.

 

José Sana

12/03/2025

Imagens: redes sociais