sábado, 19 de janeiro de 2019

A VOLTA DO ET

Não teve jeito. Lutei contra o vento e a tempestade, mas tive que chamar o Extraterrestre de volta. Lembram-se dele? Se não, vamos fazer apenas uma simples reapresentação. ET é o mesmo que andou e anda aparecendo por aí. A mídia deu destaque para o de Varginha. Falou-se muito nele. De minha parte, destaco que sempre tive o privilégio de falar com esse habitante do espaço quando bem quis e quero, embora sem abusar, porque, vamos e venhamos, nos outros planetas — e em todos há vida — o nosso, o Planeta Terra, é o mais atrasado de todos. Está  feita a apresentação: ET é aquele que sabe de tudo. São originários de outros planetas, embora tenham a liberdade de entrar no mundo que lhes interessa, vagando pelo espaço sideral.

Com prazer, depois de  longa ausência, o meu amigo ET me atendeu. Chegou zombando, é claro, isto era e é previsível. Para falar a verdade, há instantes nos quais lhes faço perguntas e sou obrigado a ver e ouvir zoadas inacreditáveis. Eles são deveras piedosos e caridosos, solidários acima de tudo, porque, na verdade, o que se passa aqui pouco lhes diz respeito, ou nada. Estamos a milhões de anos-luz da sabedoria deles. E temos de chamar virtudes para nos salvar: humildade e reconhecimento de burrice.



A necessidade da orientação extraterrestre se faz pelo volume acerbado de problemas que no momento ocorrem em todas as partes do mundo. No Brasil, parece  para nós, ser o fim do mundo. Cada um pensa de um jeito e ninguém abre mão de seu ponto de vista; em decorrência de pensamentos diferentes e conflitantes, travam-se brigas violentas, desentendimentos preocupantes, guerras cruéis; para tornar tudo ainda mais complicado, até mesmo o terrorismo é acionado; o incrível mundo em que vivemos chegou ao cúmulo de inventar o homem-bomba.

Meu amigo ET insiste claramente que o ser humano deve imediatamente parar de fazer conjeturas sobre qualquer assunto, seja a respeito de política, religião, cultura, ideologias e até mesmo o lazer. Ele sugere que coloquemos um ponto de pausa em todas as flutuações de pensamentos que pululam em nossas mentes arredias. Receita, claramente, que façamos meditações transcendentais. E explica o que é este processo: a entrega total ao silêncio, ao recolhimento como primeiro ato: “Você procura chegar ao chamado ‘ponto zero’; para facilitar, usa um termo chamado mantra, que repete com o intuito de afastar ideias que vêm de fora, nem se sabe de onde. Faça tal concentração no nada pelo menos duas vezes ao dia durante vinte minutos em cada espaço de tempo”.

“Esvazie sua mente. O pensamento não é seu, ele vem de fora e se intromete em sua vida para perturbar o seu merecido sossego. Desconfie disso e se torne senhor do que entra e sai nesta e desta mente. Em seguida, o ET explica que você precisa, depois de ter a mente despoluída, adotar uma nova forma de viver, de captar os pensamentos, de saber encaminhá-los a um lugar próprio como se fosse um arquivo.

“Uma busca inicial se resume nisto: a causa de tudo”; porque, vocês, humanos, precisam entender que não há efeito sem causa”. Eis aí o segredo inicial de todo o processo. E pergunto ao ET: é possível viver sem saber a razão da vida? Ele responde secamente: “Impossível!” (e me faz usar o ponto de exclamação) Esta a palavra: a vida se torna uma aventura quando não sabemos o seu sentido, o seu porquê, não temos a sua  real explicação”. Mas, como? — questiono. Ele responde: “Já lhe dei a ideia da meditação. Seria um começo. Mas, evidentemente, há outros caminhos a serem percorridos como, por exemplo, a oração, qualquer tipo de recolhimento na busca, inicialmente, do nada, do ‘ponto zero’”, conclui o ET.

Aqui se encerra o  primeiro reencontro com o ET. Ele se dispôs e falar mais vezes, demonstrando autêntica solidariedade ao nosso interesse de melhorar. Volta a explicar: “Se você sente uma dor qualquer que lhe incomoda, normalmente vai ao médico; esse começa a agir em busca da causa; ele pode aliviar a dor receitando-lhe paliativos, mas só acaba com ela quando souber o porquê de sua existência, quando é iniciado o combate à origem do mal. Guarde isso para que você entenda que todo e qualquer problema que existe aqui neste planeta tem um motivo e o motivo principal é aquele que reside na razão da existência. Depois falamos mais. Siga com calma porque o santo é de barro.

Até mais!”
José Sana
19/01/2019

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

OU UM CLARIVIDENTE OU UM CAVALO VELHO


Tem hora que me defino como um clarividente. Um premiado. Seria? Será? Sou? Que nada, recuo-me imediatamente ao admitir que a comparação é feita com milhares de seres de inteligência duvidosa, que pensam o contrário. Aí me chamo de cavalo e velho e sem pasto. Sem nenhuma sombra de dúvidas.

Refiro-me às questões ideológicas hoje na moda e em discussões acirradas, tanto nas redes sociais quanto em botecos, retretas, salões de beleza, esquinas e velórios. Não me farto de perguntar de mim para mim: será mesmo eu a mula sem cabeça desta história?

No século XIX, precisamente em 1848, os alemães e teóricos do socialismo científico, Karl Marx e Friedrich Engels, assinaram e lançaram o Manifesto do Partido Comunista que, a princípio, apresentou-se como um conjunto de teorias filosóficas, políticas, históricas e econômicas.




Em outras palavras, o marxismo propõe-se analisar o relacionamento de interdependência entre o homem e a natureza: o homem busca na natureza a satisfação de suas necessidades, e a natureza lhe fornece os meios necessários para isso. Sem que eles façam menção a este teor, cobra pelos erros cometidos em deslises.

Exatamente decorridos 69 anos, estoura a Revolução Russa de 1917, Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido pelo pseudônimo Lênin, tenta implantar a “ditadura do proletariado”. Com a morte do pioneiro, assume Joseph Stálin, que já carregava na direção a União das Repúblicas Socialista Soviética (URSS) que durou 74 anos, passou pelas eras Khrushchov e Brejney e terminou em Gorbathchev, em 1991.

Tivemos outros exemplos de tentativas do comunismo no mundo, como na China, onde o saldo foi a morte de 70 milhões de pessoas; na Alemanha Oriental, cujos habitantes sonham em mudar para o lado capitalista, a desenvolvida Alemanha Ocidental; além de Cuba, golpeada em 1959 com Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, cuja ditadura segue o seu curso na Ilha do Caribe, depois de dizimar milhares de vidas tanto no “paredón” quando em outros chamados campos de concentração.

O que quero deixar claro é que o socialismo/comunismo não deu certo em lugar algum e hoje vemos os resultados de tentativas de implantação. O absurdo do século é o caso da Venezuela, um país rico por natureza, que tem seus habitantes vivendo na mais torpe miséria. Mesmo Cuba, que chega aos 70 anos do regime socialista, o que oferece de positivo não faz baixar o mau resultado das ações. Um país em que falta o principal, a liberdade.

Acrescente-se, para estarrecer o mais cego dos seres humanos, de olhos vendados, que sempre foi, é e será impossível prevalecer o sistema socialista/comunista sem ditadura. Só essa questão derrubaria qualquer defensor da desgraça que bate sempre à nossa porta. E com força porque no Brasil chegamos a viver grande expectativa deste momento, muito preparado mas não aplicado o golpe fatal, notadamente porque não havia clima para a audácia.

Concluindo, fiz o que pude para me confessar um cavalo velho sem pasto e da pior raça. Nada de Campolina nem Manga-Larga. Um punga soca-soca e arrasado de tanta falta de visão e inteligência, pesos de cangalhas, esporas, baixeiros, barbicachos e chicotes. Mesmo assim, restando-me as últimas energias para contestar o óbvio, ainda resisto. Há uma febre marxista no Brasil que nos deixa tontos. Proclamar-se marxista é uma maneira de ser inteligente sem ler o próprio Marx e ninguém mais que escreveu sobre ele.

Finalizo assim, prometendo sempre voltar ao assunto: não me retrocedo diante da evidência e do óbvio. Ver um panorama e fazer vistas grossas à clarividência se traduz em deixar a verdade apodrecer dentro de nós. Nem este cavalo trôpego suporta tal indigestão imoral e desumana.

José Sana
Em 11/01/2019

sábado, 22 de dezembro de 2018

PROCURAM-SE SANTOS


Quando Deus fez o mundo, deu a última oportunidade ao homem e à mulher de serem santos. A dupla, habitante do paraíso, não soube aproveitar a chance ao se submeter às tentações de um animal rastejante, eternamente sem crédito, e meteu os dentes numa simplória maçã, outra simplicidade que não cabe em nossa cabeça.

Inexoravelmente, o Criador expulsou Adão e Eva do éden, atitude que, hoje, os tais direitos humanos considerariam arbitrária e própria de um poder imperial e ditador. Pode ser simbólica a passagem bíblica, mas tem, contudo, um cunho de verdade. E esta verdade se estende a um patamar que o ser humano evita entender, ou interpreta erradamente. Deus cassou a possibilidade de ser encontrado uma santo  ou  santa na face do Planeta Terra a partir daí e tornou homem e mulher exímios pecadores. Fazer o quê?

Ferrados da cabeça aos sapatos, o casal pioneiro partiu para viver no mundo das ilusões, como Alice em seu país das maravilhas. Fez de conta que continuava na sua bem-aventurança inicial, mesmo se dando mal, segue errando e levando cacetadas cruéis. Só não desconfia porque a idiotice humana é mais vasta que o buraco negro do universo.

Os tolos mundanos, nós no plural, não aplicamos a percepção da burrice inicial – depois vou me dedicar inteiramente a esta questão – que é o desconhecimento do local em que vivemos, do que somos e da falta de resposta à pergunta: o que estamos fazendo aqui?


“Conhece-te a ti mesmo” – nem o autor da frase se ateve a definir este indefinível  desafio sob a luz de um novo sentido humano, além dos cinco muito conhecidos. Platão atribuiu a Sócrates a frase, mas, em resposta, o sábio da antiguidade soltou outra sentença crucial: “Só sei que nada sei”. Depois, tudo se agravou porque todos ficamos copiando milhares de frases antigas, fazendo o papel de ainda mais estúpidos que os nativos pré-históricos.

Para mostrar que prefere ser idiota a se domesticar, a raça que habita o planeta sai por aí à cata de seres puros, limpos e perfeitos. Ou seja, pesquisa o manancial dos inexistentes, tipo fantasmas, ou super-heróis, os tarzans, capitães américas, zorros, hobins hoods e outros protagonistas menos votados.

Durante tal  busca desenfreada adota o seguinte critério: se Joaquim chama Manoel de bandido, ladrão, safado, corrupto, descarado, cheio de defeitos, automaticamente, o acusador precisa ser uma criatura divinal. Qualquer deslize que o denunciante cometa, está, irremediavelmente, invalidada a acusação. Babaquice maior não há, embora aqui não seja um supremo tribunal universal.

Vou encerrar. Nada mais a dizer. Precisamos nos conhecer. E tenho a primeira receita: vamos criar forças-tarefas na busca de solução cabível para esta dúvida? Cancelemos todas as outras acusações anteriores, julgamentos, ideias, filosofias, leis (exceto as naturais) e pensamentos, e vamos suspender a caça aos santos em covil de belzebus.  

Mãos à obra...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O PERSONAGEM DE 2018


Meu nome é WhatsApp, sem sobrenome, ou melhor, da Silva. Pode ter um sobrenome mais sofisticado, como Niemeyer, Balzac, Flaubert, por aí. Tenho o apelido famoso de Zap para os íntimos. Sou o maior sucesso do momento. Tomei conta do mundo. Ninguém fala mais nada a não ser enfiando o meu nome em sua vida. Nem Robinson Crusoé foi mais admirado.

Tornei-me parte das pessoas. Hoje em dia, consultam-se ou contratam-se médico, advogado, dentista, especialista em tudo, sapateiro, jornalista, lixeiro, motorista, cozinheira, faxineira, diarista, consultor, assessor, tudo por meu intermédio. Sou motivo para os agentes de trânsito multarem os motoristas, com justiça ou injustamente, porque nisso eu arrebento mesmo, sou prejudicial: onde já se viu multar sem autuar? Só aqui no Brasil mesmo e eu estou promovendo tal balbúrdia!

Mas, como ia dizendo, tomei conta do mundo. O sujeito vai ao Japão e fala com você que está aqui no Brasil, instantaneamente, sem gastar um mísero centavo. Há 20 anos, quem diria que tal proeza pudesse acontecer, a transmissão de notícias boas que andam ou as ruins, que voam, por intermédio de um nome iniciado com a letra Y, que sou eu?

Sou um canal de tudo: amizade, inimizade, furtos, roubos, assaltos, acertos de contas, fugas das cadeias e, principalmente, brigas e, mais com profundidade, crimes. Ajudo a distribuir drogas, vendendo-as, a polícia nem vê. Imagino que até o terrorismo está se beneficiando de mim. Se vivesse hoje, Osama bin Laden me usaria para mandar ameaças ao mundo ocidental.



Mas também, sou uma senda que transmite lindas orações. Faço bons e maus contatos e promovo estupros, pedofilia em série, transmito o bem e sou um caminho para rogar pragas nas pessoas. Sou canal até dos analfabetos, que nunca aprendem a escrever, ofendem a língua descaradamente, mas resolvem, sim, mandar recados via áudio ou vídeo. Eu me faço de elo que produz sinceridade, falsidade, compreensão, insensatez, paciência.

Por incrível que pareça, provoco raiva nas pessoas pelas mensagens desagradáveis que costumam enviar e, também, o contrário, prazeres pelas boas-novas. Promovo a ira por alguém nunca dar resposta a perguntas úteis ou fúteis, ou urgentes, ou dispensáveis. Estou naquele aparelho esquecido, ou perdido, guardado na bolsa, cujo dono ou dona não está nem aí. Existem aqueles que só têm o meu canal no seu aparelho, mas esse equipamento fica encostado o quanto quer. Sou o meio de comunicação desses egoístas, muito comuns no mundo atual, que só querem me usar quando realmente necessitam.

Ah... estava me esquecendo: eu revelo a cara dos caras de pau, mostro a estampa dos que nunca leem as mensagens recebidas, às vezes recados urgentes, como “estou na forca, venha me salvar”, mas mandam outras, às vezes enfadonhas, repetidas, antigas mensagens sem olhar o que chegou. Também são notáveis os tais “fakes news”, que foram, neste 2018 quase findo, o meu concorrente em popularidade. Os produtores de “fakes” só não ganham de mim, nunca ganharão, porque transmito mensagens verdadeiras e boas também, e aí está a diferença porque eles só cometem barbaridades imperdoáveis.

Faço o amor, a amizade, a compreensão, a separação e o ajuntamento. “Ama-se pelo Zap e trai-se pelo Zap”, escrevem os literatos até de parede de banheiro de rodoviária. Por falar nisso, esses banheiros foram extintos na categoria de porta-mensagens, acabei com eles. Sou fio condutor de textos famosos, como “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel García Márquez, ou até via de transmissão de zombarias contra os mulçumanos , os “Os Versos Satânicos”, de Salman Rushdie.

Não tenho que me declinar. Fora falsa modéstia! Torno-me um narcisista sem medo de errar. Devo, sim, proclamar a verdade que todos sabem: promovo-me à condição de  O PERSONAGEM DE 2018.

Acredito que continuarei sendo o melhor também de 2019, 2020... 2100... até inventarem um aplicativo que ensine as pessoas a comer no prato do outro à distância, e invadir, à força, a vida alheia. Mas tal forma indiscreta de fuçar a intimidade do próximo ocorrerá por via transmissora exatamente minha, o ser mais orgulhoso e útil e chato e convencido que já chegou à face do Planeta Terra: minha majestade o WhatsApp da Silva.

José Sana

sábado, 24 de novembro de 2018

TERRORISMO ITABIRANO: A VOLTA DE TUTU CARAMUJO


Vamos abrir este texto com o poema intitulado “Itabira”, fragmento de Lanterna Mágica, que lembra  Antônio Alves de Araújo, apelidado de Tutu Caramujo, presidente da Câmara Municipal (mesmo cargo de prefeito), no período de 1869 a 1872, focalizado por Drummond quase cem anos depois:

“Cada um de nós tem seu pedaço no pico do Cauê
Na cidade toda de ferro
as ferraduras batem como sinos.
Os meninos seguem para a escola.
Os homens olham para o chão.
Os ingleses compram a mina.
Só, na porta da venda, Tutu caramujo cisma na
derrota incomparável.”

Para ilustrar um pouco mais esta história, a Prefeitura de Itabira está reformando a casa em que viveu Tutu Caramujo, situada na Rua Tiradentes, nas proximidades do Banco do Brasil e do Foto Hollywood.

Complementando este pequeno prefácio, o sobrinho-bisneto de Tutu Caramujo, Marconi Ferreira, explica a origem do epíteto de seu ancestral: “O Tutu Caramujo é devido ao fato de ele recolher-se na janela da venda quando vinha uma pessoa indesejada. Assim que passava, olhava com ‘rabo de olho’ e retornava aos afazeres”. “Tutu Caramujo era para muitos um pessimista; para outros, um visionário, por enxergar a imobilidade do itabirano frente a tão grande riqueza,” completa Marconi, escritor, poeta e estudioso de história e cultura, autor de "Viagem na História de Itabira com o  Menino da Mina", um livro de poemas (2013).


RUA ACESITA (RUA CARAMUJO): foco dos caramujos itabiranos

Agora, a notícia que surge é nada alvissareira: Caramujo voltou, ou melhor, os Caramujos chegaram de há muito  e estão infestando Itabira de ponta a ponta. Talvez porque a sua residência oficial seja na Rua Tiradentes e a casa esteja sendo reformada pelo Patrimônio Histórico, ele tenha resolvido esperar o fim da obra na avenida mais chique de Itabira, a Mauro Ribeiro Lage.

Eis a identificação do novo invasor itabirano: caramujo africano (Achatina fulica) é uma espécie de molusco terrestre tropical, originário do leste e nordeste da África. Foi mundialmente disseminado pela ação humana ligada à gastronomia, pela região da Tailândia, China, Austrália, Japão e, recentemente,  pelo continente americano. Essa é considerada uma das cem piores espécies invasoras do mundo, que causa sérios danos ambientais  e à saúde humana, incluindo esquistossomose, dengue e outros males não menos nocivos.

Concluindo, esta não é apenas uma crônica, ou melhor, não é nada de texto literário, mas um alerta. O alerta deve ser acrescido do seguinte:

— os malignos Caramujos são milhares ou milhões, que vieram morar em Itabira, habitando originalmente a Rua Acesita, que liga a Avenida Mauro Ribeiro à Itambé, o ninho ou foco principal; sugiro que, para facilitar o combate ao inimigo, a via seja denominada Rua Caramujo (atenção, senhores vereadores!)

— constituem perigos para restaurantes, lanchonetes, escolas e residências, é claro, e  para a saúde de crianças principalmente;

— utilizam o transporte de vírus por meio de frutas, como banana, pera, maçã, mamão, além de verduras e legumes;

 — não atacam o indivíduo cara a cara; como seu xará do século XIX, é matreiro e devagar, sossegado, sua técnica é traiçoeira e, portanto, cuidado itabiranos!

Todos estão avisados, os envolvidos, moradores das proximidades — Alto Pereira, Major Lage de Baixo, 14 de Fevereiro, Esplanada da Estação e outros — que precisam se juntar para pressionar a Prefeitura, que tem conhecimento do fato faz tempo (segundo moradores das proximidades, há mais de dois anos). E que Polícia, Justiça, Governo do Estado, Governo Federal e, finalmente, a sociedade organizada ou não, fiquem atentos e zelosos. Eu faço a minha parte.

Gente, amigos, cidadãos, não deixem que esse Tutu Caramujo atual e terrorista nos provoque uma derrota incomparável!


domingo, 4 de novembro de 2018

CONVULSÕES E CONFUSÕES

Parte do universo, incluindo Lua e Marte, encontra-se em dilatada convulsão e em infinita confusão ideológica. Há inúmeras teorias a seguir e, por causa disso, a maioria dos seres humanos não sabe qual é sequer a via preferencial.

O problema parece de fácil solução para quem sabe fazer uma leitura neutra do espaço chamado globo terrestre. Esses, contudo, são uma minoria escassa. Afinal, são decorridos milhões de anos da existência da raça humana. Pela demora em encontrar um ponto comum, indispensável como se fosse o início de uma corrida de fórmula um, pode-se garantir que somos, realmente, idiotas sem defesa.
O ponto inacreditável em toda essa história de busca de rumos é que os mais confusos são exatamente os que se autodenominam intelectuais. Nunca se viu tantas divergências de ideias e opiniões quanto no seio desses ditos estudados e estudiosos seres que não passam, na verdade, de pseudoletrados.

Há rumos diversos a se observar que convergem para as ciências, filosofias, sociologias, religiões, antropologias e um emaranhado de vieses dentro de cada um desses conhecimentos. Quando o estudioso entra num campo qualquer, acaba se  perdendo numa floresta densa, sem saída e sem retorno. Vamos ver o porquê.


Estampam-se aos nossos olhos responsabilidades fatais que pesam  nos ombros dos adultos principalmente, visto que nós nos localizamos num patamar de onde dar exemplos e ensinar são fatores que se destacam como tarefas inadiáveis. Depois de nós vêm os jovens que precisam de exemplos para pisar em chão firme e seguir à frente. Aí a confusão aumenta na cabeça de todos porque nem sempre esse ser bem-vivido é o sábio que merece ser seguido.

Como está escrito no segundo parágrafo deste texto, aparecem imensos obstáculos para se fazer uma leitura neutra e correta do planeta em que nos encontramos. Sem querer forçar uma opinião, é imperativo ter respostas seguras para pelo menos dois questionamentos: quem somos nós e que mundo é este?

Há regras que aparecem  a seguir como leis a serem observadas e respeitadas. Uma delas tem o seguinte postulado de estruturação: somos o resumo ou o contexto do mundo e nos submetemos a ininterruptas alterações. Lembrando Lavoisier, renomado cientista do século XVIII, realmente, “na natureza nada se cria, nada se perde, mas tudo se transforma.” Paremos, então, de seguir ao pé da letra teorias ou normas de prazos vencidos.

Chegamos, então, à estrutura em que nos situamos juntos —  raças, credos e classes — utilizando o que basta, e os cinco sentidos são suficientes para entender, que agora, sim, podemos iniciar a corrida de fórmula zero. Estamos de volta à pré-história, não vamos passar uma borracha nas experiências aprendidas noutras etapas, mas passou da  hora de reconhecer que saltamos incontáveis lições fundamentais e ignoradas. 

Estamos prontos  e bem humildes para reiniciar a jornada da vida? Aí começa o curso de nossa passagem por estas terras.

José Sana
Em 04/10/2018

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

É PRA FRENTE QUE SE ANDA

Tinha eu 16 anos e era comunista. Bem mais comunista que os pseudo-esquerdas de hoje, que não sabem sequer o significado da expressão e nem de capitalismo e socialismo. Arrebentava a chamada “revolução de 31 de março”, a que todos chamamos de “ditadura militar”. Meu lado era o oposto, ou seja, contra a tirania, como aprendi a lição desde os meus primeiros anos escolares.

Por enquanto, continuava dormindo o sono dos inocentes. Foi quando comecei a cursar o segundo grau. E me enfiava nos protestos que ferviam em BH, os quais antecederam à deposição de João Goulart. A frente das marchas era comandada pelos denominados “padres de passeata”, contra o governo mineiro, de Magalhães Pinto, comandante civil do movimento. Fritaram e assaram o meu comunismo, que resolvi pesquisar para ver que tipo de buraco negro ou paraíso estava me embrenhando. Vamos à pesquisa. 

Socialismo é uma doutrina política e econômica que surgiu no final do século XVIII e se caracteriza pela ideia de transformação da sociedade através da distribuição equilibrada de riquezas e propriedades, diminuindo teoricamente ou aumentando na prática a distância entre ricos e pobres.

Comunismo é uma doutrina social segundo a qual se pleiteia restabelecer o que se chama “estado natural”, em que todas as pessoas teriam o mesmo direito a tudo, mediante a abolição da propriedade privada. Nos séculos XIX e XX o termo foi usado para qualificar um movimento político. Fracassou onde foi tentado, até no primeiro mundo, assim como o seu antecedente, o Socialismo.

Capitalismo é o principal sistema econômico adotado pelas nações desenvolvidas e pelos países em desenvolvimento. Ele é caracterizado, dentre outros conceitos, pela  propriedade privada dos meios de produção, trabalho assalariado, liberdade dos agentes econômicos e existência da livre-iniciativa empresarial. Diante disso, não tive dúvida alguma em optar pelo bom diante do ruim, da alegria contra a tristeza, da felicidade no embate marxista das lutas de classes. Quer dizer, mudei de time. Com orgulho e sem hipocrisia.



A eleição no Brasil, neste 2018, foi como um duelo de Copa do Mundo. Digladiaram-se Capitalismo x Socialismo/Comunismo. As consequências seriam: o Brasil se entregar ao sistema hoje vigente na América Latina, a Ditadura Socialista Bolivariana; ou ocorrer o que aconteceu, ou seja, a vitória dos liberais, livres, diretamente ligados aos desígnios do ser humano na face do Planeta Terra. Naquela ocasião, tempo da pré-história, houve a primeira carimbada em nosso íntimo com o termo inquestionável “livre arbítrio”. É o que há de mais forte na natureza humana. Quem o nega, adeus!

Resolvido? Ainda não? Todos viram e veem a ganância pelo poder arrastar milhões de pessoas,  inacreditáveis 44 milhões, de volta à escravidão abolida há 129 anos, agora das raças miscigenadas. Desse total, provavelmente uns 40 milhões, ou mais, desconhecem que tipo de encrenca iriam entrar caso vencesse a organização chefiada por Lula preso e pelos incontestáveis megalomaníacos Nicolás Maduro, Evo Morales e Raúl Castro, mais poderosos e atuais que os padres de passeata de 1964. 

A luta continua. O destino do homem não pode ser este ainda, o alcançado em 28 de outubro, porque, afinal, somente o Capitalismo não enobrece as aspirações dos seres feitos à imagem e semelhança de Deus. É preciso que o ser humano siga à frente, tenha condições de raciocinar e buscar energias divinas cristalizadas ou não  dentro de si. No Socialismo/Comunismo as forças internas se esgotam pela falta de liberdade, predominância da injustiça e imposição de líderes macromaníacos. A inteligência precisa entrar em ação e funcionar. Chega de besteira de Esquerda x Direita e coisas assim! O passado já se foi. A Idade Média, idem. 

É pra frente de que se anda.

José Sana
Em 02/11/2018