quarta-feira, 24 de março de 2021

CABRITO INTROMETE-SE NA POLÊMICA DOS ESSENCIAIS E NÃO-ESSENCIAIS

A prefeitura de Cabritolândia quer implantar uma nova lei. Isto parece preparação de aborto certo. Uma lei que não será sequer concebida no útero de mandachuva algum.

Imagine que o essencial seja carne. E proteínas são mesmo indispensáveis? Revogaram a lei? Muitos estão restringidos de ter carne em casa, até porque não têm ganhos suficientes para investir em açougues. Compram um franguinho daqui e um ovo dali, uma muxiba para embromar o estômago.

Essencial para muitos são carne, verduras, legumes, frutas — produtos proibitivos para algumas classes que sobrevivem por teimosia a duras penas. Outros já vivem não dos essenciais, mas dos possíveis. A cabritada mantém-se firme e bem porque sabe assaltar hortas. Pula a cerca e dane-se o dono. Espertinha que nem pulga.


Arroz, feijão, macarrão são essenciais? Em parte,  sim, e em outra parte apenas para “encher o pangu”, como falam na roça. A maioria da população vive desses três ingredientes que, para os de classes A e B são apenas um complemento, e para o resto enganadores em cozinhas de panelas e armários.

Taioba, capim, couve, almeirão, jiló, mandioca, batata, alface, tomate, quiabo, chuchu, abóbora são produtos essenciais? Muita gente adora e recomenda. Mas há quem detesta. Repugna. Cabrito, por exemplo, adora um jiló cru ou cozido. E com angu. Por falar em angu, para uns bodes ricos sobram amores por fubá e canjiquinha, que para eles  são produtos de luxo. Será que serão proibidos de comprar as merrecas originárias das roças de milho?

Então, tá! Já que tem gente sobrando para trabalhar nas teorias em frente aos computadores — faltam somente fiscais da prefeitura para vigiar cabritos nas ruas — tentem uns desocupados quaisquer separar essenciais de não-essenciais. Encham a barriga do povo de “macarroz com arrão”, como dizia meu avô. O cara come até se entupir e continua com as pernas tremulando como vara de bambu. Vai nessa que a Covid adora gente de perna moleca!

Não se sabe porque tal questão foi levantada em Cabritolândia.  Alguém que tem minhoca na cabeça? Há poucos dias apresentaram aquela estapafúrdia questão do CPF. Foi uma cutucada na Justiça para cair de maduro como um jenipapo.

Não se iludam não. A ideia de vender somente “macarroz com arrão” não vai pro “fugaz a gão”, mas sim para alcançar  o mesmo destino dos CPF negados: dar trabalho desnecessário à Justiça e atrapalhar a vida de quem quer ter autodefesa no organismo. Aglomerações aumentarão. Os cabritos vão lá saber o que pode e o que não pode. E não aceitarão o que não pode o senhor Bode. E berram para fazer mais confusão.

Uma comida fraca pode ser o pior caminho a percorrer. A Cabra Macha fará a sua compra com a lista própria, feita de acordo com o seu poderio econômico e a sua necessidade nutricional, ou é a prefeitura que vai relacionar a sua preferência? E quem vai comprar capim pra ela? Ela paga até com cartão, não se iluda não.

Um cabrito vira-folha  resolveu desobedecer a ordem e começou a vender por conta própria, recebendo as listas dos jilós e das mandiocas não essenciais pra turma racional.

“Navegar é preciso. Viver não é preciso” (Fernando Pessoa. Até a cabritada sabe disso.

Cabrito Macho da Silva

segunda-feira, 22 de março de 2021

MASCAR E CHUPAR CHICLETES: VOCÊ FAZ ESTA SIMPLICIDADE SIMULTANEAMENTE?

Estamos num dia qualquer do ano de 1990. Preciso de uma entrevista com o então governador de Minas Gerais, Newton Cardoso. Muito criticado por adversários, até sistematicamente, como ocorre hoje, quase sempre, em atitudes de uma disputa meios de comunicação x governos. Tenho nas mãos uma pauta interessante para a região: asfaltamento da MGC-120 (Barra Dantas) a Morro do Pilar, via  Passabém, São Sebastião do Rio Preto e Santo Antônio do Rio Abaixo.

Estou no Palácio dos Despachos acompanhado por um amigo pessoal do chefe do executivo mineiro. Por isso fui puxado pelo braço e levado à sua antessala, repleta de “representantes políticos”, principalmente do interior. Mesmo assim, meu atendimento foi demorado por causa da alta concorrência à procura do homem palaciano.

Mas valeu a pena a aventura. Fiquei observando como funcionava o expediente da governadoria. Tumulto total. Serviço de água gelada e cafezinho, instante a instante. Correrias intensas de secretárias, atropelando mesas e cadeiras, e de ajudantes de ordens em flagrantes desordens. Fui sendo levado, aos poucos, e me situando sempre mais próximo do “homão”, para quem inventaram centenas de anedotas. Devem ter rendido dezenas de livros. Mas constatei que as fofocas eram irreais. Veja só o que passei a testemunhar quando cheguei à altura de uma sala em que via o governador em pleno trabalho do dia a dia.

Quatro aparelhos de telefone em duas mesas pequenas ao seu lado e dois no birô próprio. Uns quatro cidadãos sendo ouvidos diretamente pelo Newtão. Seis secretárias em volta atendendo chamadas sem parar e passando o aparelho ao mandachuva. Fios embolavam-se. Ele falando e ouvindo em duas ligações ao mesmo tempo (porque só tem dois ouvidos) e conversando em um ping-pong interminável de perguntas e respostas sem o aparelho ou com o aparelho. Não se sabia com quem ele falava.


E eu? Cadê eu? Ao chegar ao “home”, deu-me
  respostas imediatas aos questionamentos e ainda sorriu várias vezes ao fazer piadas com um morro intransponível do trajeto Passabém-São Sebastião, chamado “Alto do Veado”. Disse assim: “O pessoal vai virar Veado para asfaltar lá”. No entanto, foi o seu sucessor, Aécio Neves, hoje esculhambado por notícias ruins, quem asfaltou o Veado e, inclusive, antes, o Morro do Caracol, também velha barreira.

Do encontro no palácio saí carregando outra impressão de Newton Cardoso: um executivo  moderno, governador ágil, atuante, objetivo ao estilo de resolver mesmo ou encaminhar soluções concretas. Não entro em questões de acusações contra ele por isso ou por aquilo. Apenas analiso o lado de capacidade e organização do que se havia tumultos no ambiente, ele, o personagem focalizado, saía-se bem. Eram lições de domínio do seu dia a dia. Disse um assessor: “Newton não deixa uma mínima questão para amanhã. E quando diz não, não tem arrego”.

Na saída, comento com o meu guia, que diz: “Ainda fazem caçoadas com ele, parece que é uma estratégia de marketing”. Depois, em seguida, completa: “Existem cidadãos por aí, transvestidos de competentes, que não conseguem praticar ao mesmo tempo uma atividade simultânea como mascar e chupar chicletes de uma só vez”.

Saltamos para 2021: pego este exemplo de Newton Cardoso para desafiar o novo empreendedor chamado de eficiente, sintonizado com a tecnologia e avançado no tempo, nas escolas ou na vida profissional. Apenas uma pergunta: você faria, adaptado à atualidade, o que um governador chamado de baranga fazia? Repito: nada de referência a condutas e  acusações que lhes impunham. Sou de opinião que todo ser humano tem defeitos, mas todos, também, guardam virtudes. As virtudes da objetividade e rapidez são intocáveis em quem as ostenta.

Faz falta ao empreendedor ser decidido, prático, rápido, e com capacidade para se ligar a dezenas de questões simultaneamente. Porque o mundo corre a jato e, lamentavelmente, muitos andam a cavalo, ruim de cela, sem arreios, em cima de baixeiros, e com freios e barbicachos puxados. E nem mascam nem chupam chicletes. Uma ação de cada vez em pleno terceiro milênio.

José Sana

Em 22/03/2021

domingo, 7 de março de 2021

CABRITO APRESENTA O CORONAVÍRIS E A COVID-19 E PEDE PARA A CABRITADA TER MUITO CUIDADO

1. Ninguém sabe nada sobre essa dupla que está infernizando o mundo, o casal Coronavírus-Covid-19. Andaram confundindo até a sexualidade de cada um: ou é a Covid ou é o Corona mesmo. Prefiro respeito a ambos porque eu também, o Cabrito, estou mais perdido que cego em tiroteio.

2. Ora é aglomeração. Ora é baixa imunidade. Comorbidade. Velhice. Descuido. Falta de assistência. Acordou tarde. As causas do amor do Coronga com a Covida (ou sem vida) também são desconhecidas.


3. Sabem que mata. Ou não mata. Que é uma gripezinha. Depois vira gripezona. Mas não conhecem o seu ponto de partida, nem como se infiltra em uma turma e ataca muita gente de uma vez.

4. No meio de toda as incertezas e mais que ignorância começaram a inventar. Criaram a máscara. Sim, ela evita o contágio por catarros ao ar e salivas. Fim do beijo boca a boca. Impuseram o isolamento: 14 dias sem sair do paiol até os ratos sumirem.

5.O medo começou a reinar no meio da cabritada. Quem tem medo nada faz. Mas quem é ignorante deveria se calar. Mas vão inventando ondas de todas as cores. Chegaram na vermelha e assustaram porque onde existe essa cor não pode passar: no sinal seja de trânsito, seja sexual, seja por perda de sangue no organismo.

6. Agora, sem argumentos, criaram a onda roxa. Que susto! Segundo meu amigo MM, podia ser tudo — onda laranja, onda burro fugido, onda onça — mas roxa é dramaticamente uma cor fúnebre, lúgubre, que lembra morto, caixão, velório, cemitério. “Não foi um bom marqueteiro o inventor dessa onda”, afirma ele com convicção.

7. Na verdade, o Cabrito sabe que a baixa autoestima é perigosíssima e que uma onda triste acaba com a resistência do sujeito. O pior: pegam umas tropas de choque que se chocam com a própria tropa.

8.Mesmo assim, felizmente, ou infelizmente, parte do mundo é dividido em metidos a medrosos e metidos a corajosos. Ambos não passam de desinformados que, na verdade, não sabem o que é enfrentar um inimigo invisível e desconhecido.

9. Diante de toda essa baboseira que este Cabrito acaba de vomitar, resta-lhe uma saída: acreditar que a boa alimentação, os bons costumes, as atividades físicas possam ajudar. Mas vem um maldito e diz que vai faltar dinheiro para os alimentos, que as academias estão fechadas e talvez até as caminhadas sejam proibidas.

10. Eu Cabrito, velho de guerra, só posso, então, dar um conselho: vamos comer capim e nos aceitarmos como animais irracionais, que vivemos num mundo casualmente, sem saber de que roça viemos e para onde vamos; nem o que fomos, o que somos e o que seremos. Silêncio no meio da bicharada. E vamos guardar o que vem por aí. Mas aconselho a cada um: não entregue a rapadura! Cuidado, cabritada doida!


sexta-feira, 5 de março de 2021

CABRITOLÂNDIA NA ONDA ROXA. E O CABRITO JÁ ESTÁ ROXO HÁ MUITO TEMPO

 Vejam o que o Mestre Bode resolveu soltar de desabafo: 



— “Estou roxo de ver gente graúda, funcionários públicos, pessoas de graduação elevada andarem sem máscara. Um curiboca me disse: “Já fiz teste e não tenho Coronga!” Este é o pior dos corongueiros, nem sabe o que pode ser o que pensa”

 — “Liguei para 123 pousadas no litoral e fiz a pergunta: “Tem vaga aí para a Semana Santa? A resposta: ‘Só se for a Semana Santa de 2022. Para esta próxima, não!’”

 — “A cabritada maldita quer saber o que tem a ver a mineirada ir para o litoral. Quer mesmo saber? Você vai e lá se mistura em multidões. Namora a Covid-19 e faz-lhe a alegria de ser transportador dela para cá. Se não entendeu, não entende mais!”

 — “Estou roxo de ver as portas de bancos lotadas de gente. No Banco do Brasil e na Caixa Federal estão trepando um no outro para ver se entram por cima. Esse maldito auxílio emergencial virou uma contribuição perpétua. Ninguém quer nem mais fazer exercícios. Amontoam-se os babacas nas portas de bancos e vem a prefeitura e multa o pobre do banco. Pobre até que não. Mas seus funcionários.  Estes nada têm a ver com essas merrecas de auxílios que, com certeza, não estão ajudando em nada!”

 — “Hoje vi um zé-ninguém criticando o governo, que está reduzindo as suas esmolas. Ele disse e eu anotei: ‘O que vou fazer com 250 reais? Nem uma caixa de cerveja compro mais com isso!”’

   “Se uma coisa me alegra muito é o tal ‘toque de recolher’ que vem aí. Cabrito dorme cedo, nada tem para fazer na rua, as hortas estão bem fechadas ou ninguém faz mais horta, vai é pro sacolão buscar verdura de plástico da Ceasa! Atacamos de manhã quando os cabritos preguiçosos estiverem dormindo”

   “Mas tem uma restrição que faço: a gente pode entrar em farmácia? Até que dá porque têm muitas drogarias por aí. A gente pode entrar em sacolões e supermercados? Deus nos acuda: hoje vi 1.345 pessoas dentro de um super por aqui. Todo mundo com medo de passar fome.”

 — “Eu tenho um amigo que tem dois funcionários em sua lojinha de celular e de bolsinhas bugigangas. Já viu cabrito consertar celular e esperar para comprar bolsetas? Pois o meu amigo conserta. Uma pessoa lá dentro e outra cá fora. Não pode mais? Tem que fechar as portas? Nesta eu, cabrito formado na universidade da cabritolândia, não acredito nem morto!”

 — “Outra piada: as butiques, lojinhas mixurucas, que sobrevivem de uma meia dúzia de vendas por dia, não podem funcionar? Por quê? O cara passa o dia inteiro lá dentro coçando saco e rezando para chegar um freguês e ainda querem que feche a porta? Isto não!”

 — “Estou roxo, sim, mas estou mesmo, com a distribuição de terrorismo na imprensa itabirana. Dois locutores de manhã dizem que a saúde ia bem e que agora piorou. É um absurdo! O pior: os sites querem ser lidos e seus donos extrapolam. Um anunciou que ‘As ocupações nos hospitais em Cabritolância estão na faixa de 110%’ Acho que esse confundiu com os jogos de Fla-Flu no Maracanã na década de 1960”.

 — “O mesmo anunciante de que os hospitais de Cabritolândia estão 110% ocupados, anunciaram a morte de 5 pobres-coitados. Alguém não lhe perguntou se os 110 não caíram depois das mortes?”

— "Antes de encerrar não posso me esquecer de que estão uivando por aí de que uma sirene vai apitar nos ouvidos caprinos por estas bandas. Peço por favor, mais roxo ainda de raiva, que toquem essa corneta do apocalipse mais cedo porque nós, bodes, cabras, cabritos e similares dormimos muito cedo e podem nos acordar antes da hora, perdemos o sono e aí fica pior..."

 — “Vou encerrar por aqui. Desconfio que Bin Laden e Saddam Hussein não morreram neca nenhuma. Eles estão abundando por aqui. Meu Deus do Céu, não deixe este povo se enfezar com a cabritada que cumpre seus deveres!”

— “Mas não posso encerrar sem antes declarar aqui que o Conselho de Saúde de Cabritolândia tem um membro que é seu presidente e ele está totalmente fora da lei desde o tempo do onça. Está deitando e rolando com verbas municipais. Jesus, acende a luz!”

quinta-feira, 4 de março de 2021

CABRITO ANALISA TIRO NO PÉ DO APITO DA SIRENE EM CABRITOLÂNDIA E O CALAFIZEMA

Em entrevista à TV Pânicus, canal 24, o Cabrito Varonil (tem que ser cabra-macho mesmo para aceitar tantas aberrações) declarou que está mais difícil viver em Cabritolândia que no tempo de Adão e Eva, quando o casal foi determinadamente expulso do Paraíso.




Contam os descrentes que o primeiro problema do casal foi achar uma folha de parreira para se esconder sexualmente. Esconder de quem e de quê? Ambos não compunham um casal e casal não seria para procriação? Como vieram, então, Caim e Abel se, como escreveu Drummond, “tinha uma pedra no meio do caminho?” Ou melhor, duas folhas de parreira?

Eva e Adão correram foi atrás de um troço qualquer para matar a fome. E se comessem veneno? Deram sorte de não terem sido contaminados por uma fruta maligna. Sobreviveram, como Napoleão sobreviveria tempos depois por muito tempo. Poderia morrer ou por um chute no traseiro, ou por um tiro de espingarda, ou por atropelamento de um carrinho de pipocas ou por um surto de dengue.

Em Cabritolândia o risco seria infinitamente maior se a dupla pioneira estivesse por aqui. Nesta nobre cidade, desde os tempos “amargalhados”, não tem mais crime organizado: matam com machadada no Bairro da Pedreira; com pedrada no Bairro Machado; com areia nos olhos no Bairro Praia; com perdição no Caminho Novo, com lamaçal no Gabiroba, jato de água no Água Fresca e por aí vai...

O casal inicial, no entanto, não resistiria às intempéries da cabritada hoje em dia. O povo de chifre está agora afetado pelas providências do governo em fechar tudo a partir da próxima semana. Em sua declaração de impacto, o Cabrito destacou o seguinte: “Estamos no mato sem cachorro. Desde quando inventaram o dinheiro, ninguém vive sem ele; se faltar essa marca vem a fome e a morte se aporta do mesmo jeito por inanição ou falta de medicamentos; conclusão: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!”

Vejam agora o comentário do Mestre Capra com referência ao tiro no pé que a Vale deu, provavelmente em cumprimento de legislação federal: “Todo dia 4 de cada mês será um ‘deus nos acuda’; as sirenes vão apitar mais que o trem que leva ouro e minério de ferro para a China depois de entupir o Japão; e os sites Fofocas 000 continuarão soltando seus sustos; deixa eu cair fora desta bagunça depressa!”

Então, o Cabrito não quis pronunciar nem mais uma palavra. Saiu berrando pela rua afora depois que leu o aviso do governador a que chamou de Calamizema ou Decretema. E mergulhou totalmente na sua biblioteca, em cujos livros nada tem de sirenes pavorosas, nem referências a corongas que assombram os ignorantes desde o ano passado. Leitura já. Se faltar comida, come as folhas verdes dos  mal escritos.

quarta-feira, 3 de março de 2021

CABRITO APONTA CAUSA DE CONTINUIDADE DA PANDEMIA EM CABRITOLÂNDIA E GARANTE QUE LOCKDOWN NÃO RESOLVE

Contratado pela Prefeitura de Cabritolância, Mestre Capra fez uma demorada análise da situação de aumento dos índices de infectados na sua cidade. Ele demorou apenas um mês e duas semanas para apresentar as suas conclusões, apesar de não garantir que o Corongavírus, ou simplesmente Coronga, seja natural ou fabricado em laboratório.

 Só garantiu que não foi nem o boi, nem a vaca, nem o rato, nem o gambá, nem o resto da cabritada, nem bicho selvagem algum o real culpado pela existência desta confusão que está azucrinando o mundo.


PRIMEIRAS CONCLUSÕES

 

As razões iniciais foram claramente apontadas: no Natal, data religiosa, o povaréu fica mais quieto em casa, pelo menos os cristãos. O resto da manada não viaja porque fica sem companhia, só bebe a sua cachaça com mais respeito. Até reza meia ave-maria.

Mas quando chega o Ano Novo, soltam o capeta na baixada, vai a tropa toda principalmente para o litoral e lá tira o pé do lodo até antes de bater com a cabeça na pedra. Enchem a cara para valer, ou  “o rabo”, como dizem em Cabritolândia, e ficam totalmente sem cabeça e até o pescoço.

A festança acaba, muitos voltam para casa e têm praticamente todos uma companhia tipo namorada ou namorado, que arrumam nas orlas do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador ou no Nordeste  todo, isto é, no litoral brasileiro.

Em Cabritolândi,a chegou a bicharada de trem, de busão fretado, de busão de carreira, de rodolândia particular e até montada em cavalos, éguas, burros, mulas e jumentos. Quem acompanhou tudo viu como foi. Tinha nego que voltou com dois, três, quatro Corongas montados no seu pescoço como se fossem conquistas de muita honra. Eita povo burro!

 

SEGUNDAS CONCLUSÕES

 

Veio o surto que montou na matilha humana até 15 dias após os desembarques. Os hospitais ficaram superlotados. Morreram muitos que não baixaram em centros espíritas para contar como é que acontece quando a morte é morrida por Coronga. Foi um “deus nos acuda”.

Passado um tempo, a tropa se curou, achou que a barra tinha ficado leve e se preparou para o Carnaval. Este Cabrito, encarregado da pesquisa, ligou para 123 pousadas no litoral mais próximo, como ES e RJ, e nada de vaga havia mais. Teve mineiro, que para o mar é mais caído que o porco para o esterco molhado. A mineirada acampa na beira do mar se não tiver outro lugar, enche a cara e fica doidona.

Neste momento, a Prefeitura de Cabritolândia está querendo fechar até as caixas de marimbondo e de joão-de-barro porque a barra está pesada: hospitais lotados, filas de doentes querendo encher as UTIs.

 

O FUTURO VEM AÍ

Bastou o Cabrito e sua equipe ligarem para pousadas no ES e RJ ontem (2) e hoje  para se ter uma conclusão: ninguém toma vergonha na cara mesmo. As reservas nas pousadas estão completamente tomadas, não há mais lugar nem para mosquito da dengue passar pelo litoral. O povaréu vai viajar de novo, parece que com saudade da Covid-19, super feminina (o nome já diz, o convite vale para 19 doidos) e do Coronga, o masculino da turma, mais fraco e mole que cabeça de minhoca.

 Agora o pagamento pelos serviços do trabalho do Cabrito pode ser adiantado porque ele informou que em Cabritolândia,  em todo feriadão que vier por aí, a capetada  habitante do mundo estará preparada para tomar uns solavancos ou morrer de vez, considerando que, segundo os ateus, o ser malvado só morre uma vez. E concluem mais: “Se morressem mais vezes, viriam buscar mais dinheiro do auxílio que o governo dá na bandeja!”


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

QUERO A MINHA SANTA MARIA DE VOLTA

Santa Maria de Itabira foi a primeira cidade em que pisei com os próprios pés forrados  de sapatos tipo “vulcabrás”, os chiques da época. Detestava ser levado ao Dr. Costa, o médico mais famoso da região, encaminhado pelo meu avô farmacêutico, Seraphim Sanna. Confortava-me pensar que viria um almoço delicioso no Bar e Restaurante Pires, cujo cardápio era arroz, feijão, bife e tomate da roça, dos que não mais se plantam.

Sabia também que, antes de ir embora, meu acompanhante me levaria ao Bar do Amarílio, para outra delícia incomparável, o famoso “pão moiado”, apenas um pão francês com rapa de fundo de panela e gordura de porco. “Eita trem bão!” – exclamava a imensa clientela. A viagem era via Morro Escuro, de cavalo, 24 quilômetros, durava mais de quatro horas puxadas, e ainda retornava no mesmo dia.

Quando a jornada era para Belo Horizonte, dormia na Pensão do Jota. Sem vaga lá, tinha a opção dormida do Seu Raimundo, situada na ponta da rua principal, calçada e com escoamento de água no meio, onde os burros e cavalos tilintavam as ferraduras.




Uma delícia acordar de madrugada e pegar a jardineira do Levy Guerra e do Rocyr, dois parceiros, ora dirigida por este ou pelo Jovino Valério Gonçalves. O trocador, sempre o mesmo, o lendário Jacó, também entregador de jornais e revistas com notícias que, naquele tempo, eram quentes. Jacó viveu mais de cem anos e, dizem, trabalhou até por volta de 90.

O percurso à capital durava mais de um dia se não chovesse. Em tempos mais remotos, a jardineira, com balaiadas no teto, era chamada “cata-jeca”, mas todos gostavam. Anos depois, veio o ônibus conhecido como “108”. A peregrinação passava por Itabira, São Gonçalo, Bárbara, Barão de Cocais, Caeté e Sabará, chegando a BH quando a noite já rachava de adiantada, poeira, barro e buracos à vontade.

Voltando a Santa Maria, ao Bar e Restaurante do Sebastião Pires, ou do Nonô Pires, ele se situava na rua estreita, a principal. O atendimento era do próprio dono ou pelo Tarcísio, um garçom dos mais polidos que conheci. Além de nos servirem bem, contavam boas estórias e causos. Um pouco abaixo, o único lugar de abastecimento, o Posto Itagiba, antes existia o cinema onde, certa vez, meu tio Líbio me levou para ver “Branca de Neves e os Sete Anões”.

As compras locais ou de visitantes ocorriam na Casa Carvalho, das mais famosas da região, propriedade do Seu Geraldo Guerra de Carvalho, que foi contador da Fábrica da Gabiroba, além de seu vendedor-viajante e até prefeito de Santa Maria. Ele, católico de arder os joelhos, casou-se, com Ester Pires Lage, esta metodista fervorosa. Ambos viveram sempre em paz durante mais de 70 anos, mesmo praticando religiões diferentes. Como professor prático de comércio, Seu Geraldo ensinou muitos a trabalhar e a progredir, dentre os quais Divaldo Pires, Clerton Lage, que virou contador, Nazareno Cabral, Sudário, Adair Araújo, entre tantos.

Aquele era o tempo em que havia bem no centro da cidade uma casa comercial, ou melhor, tipo drogaria, com a seguinte placa: "Farmácia Paz, de Agenor Guerra". Boas histórias víamos e ouvíamos mais.

Vou dar um pequeno salto no tempo e chegar aos meus 17 anos. Virei motorista, sim, dos poucos naquele tempo, que fazia do jipe de meu pai uma verdadeira ambulância. Transportava doentes, machucados, agonizantes e vez por outra assistia mortes horripilantes em plena viagem. Quando não havia recurso no Hospital da Terra da Garrucha, onde nunca vi uma arma de fogo, levava o sofredor para o hospital de Itabira, o Nossa Senhora das Dores. 

Começava aí uma nova luta inglória: não existia o SUS e a casa de saúde não aceitava atender pacientes de outras regiões. Tinha que correr atrás de Dr. Mauro de Alvarenga, ou Dr. Edson Machado, à procura de guia assinada na rua,  em cima do caput quente do jipe. E levava o meu paciente como um triunfo sem ser senão um motorista fora da idade legal.

Mais um pulo no tempo, tornei-me  candidato a deputado estadual, em 1982, fui quase eleito, obtive mais de 15 mil votos, sendo exatos 1.019 em Santa Maria de Itabira, capitaneados por Plínio Guerra e Robésio Alvarenga Duarte. Feliz por sentir-me amado por aquele povo humilde e que só me requeria um abraço, um sorriso, nenhuma promessa, nunca mais me esqueço da oferenda eleitoral.

Agora vejo Santa Maria transformada num lamaçal indescritível e inimaginável. Perlustro fotos incríveis, amigos e amigas, doutores, professores, comerciantes, fazendeiros, donas de casa, idosos, até crianças e, toda barrenta, lambuzada, a minha contemporânea de faculdade, Luciene Cássia Soares, quase irreconhecível. Vejo estampado em seu rosto, o sentimento de milhares de outros que vivem aquele drama para nunca mais ser esquecido. Mas que sirva de estímulo e de coragem intimorata o que a vida que sempre nos requer.

Antes de findar este simples traçado de palavras, que transformo em lamento e súplica,  quero bater palmas para quem está ajudando durante 24 horas ininterruptas na recuperação de uma cidade que, como veem, sempre esteve a mim ligada, como a muitas criaturas deste mundo, e quero homenagear a quem se abastece de forças divinas para dar as mãos  e ajudar a amenizar o drama.

Desculpem-me quem pensa mal de meus desejos e ousadias, mas me sinto no direito  de fazer um apelo nem tão audacioso, mas entendo ser justo: quero a minha Santa Maria de volta, seja vinda de três forças materiais que já deveriam ter-se declarado seus  reconstrutores: Governo Federal, Governo Estadual e Vale S.A, todos sob a inspiração de  bênçãos divinas.

Repito mil vezes este nome: Vale, ou ex-Companhia Vale do Rio Doce. Tantos santa-marienses deram a vida por ela. Agora chegou a hora de doar um pouco de sua riqueza imensurável de volta.

E repito: quero a minha Santa Maria de volta!


José Sana

Em 25/02/2021