sábado, 14 de janeiro de 2017

PORTUGUÊS INSTRUMENTAL: REGÊNCIAS NOMINAL E VERBAL

Uma das questões mais simples, porém desacatadas das regras de português, se chama Regência. Mais precisamente, Regência Verbal e Regência Nominal.

A palavra regência diz tudo e quer, então, esclarecer: o que rege, o que pede, o que vem depois; Verbal, o complemento do verbo, e Nominal, o sujeito que requer. Muitos cidadãos não impõem importância à regência, mas, saiba você  que é tema importantíssimo. Para os entendidos, quem não conhece não pode escrever, porque traduz o sentido do termo.

Regência Verbal tem um auxiliar infalível: o dicionário. Ou melhor, o bom dicionário. Observe você que os verbos têm o seu significado e a regência no bom dicionário, tudo na mesma palavra. Por exemplo, vamos a um verbo muito conhecido e falado, o AMAR – TD (transitivo direto ou intransitivo). Isso quer dizer que pede objeto direto, ou seja “amá-lo” ou “eu a amo”significa  Nunca alguém dirá amar-lhe (lembre-se que lhe é objetivo indireto ou à ou ao).

Outro exemplo: GOSTAR – TI (Transitivo Indireto),  regido por “de”. Ninguém gosta alguém mas de alguém, não se gosta senão de alguma coisa.  Num exemplo simples, reza: “O rapaz de que ela gosta” e não “que ela gosta”.

A Regência Nominal é um pouco mais complicada porque não tem dicas nos dicionários comuns. A obra de Celso Pedro Luft, “Dicionário Prático de Regência Nominal”, é uma companhia indispensável, verdadeiro auxiliar das pessoas inteligentes. Exemplos são os mais diferentes. Veja: você nunca diz “desacostumado com” mas “desacostumado a ou de”;  nem “discordado com”, mas “discordado de”; jamais  com ”comemoração de” e não “comemoração por”. Enfim, os exemplos  são muitos. Não dá para mencionar todos, é claro. Mas dá para ser bem-entendido.

Aqui fica apenas uma dica: se você não sabe, nunca use, aprenda primeiro. É fácil.

Obs. 1. Podemos voltar ao tema em outra oportunidade.

         2. Próxima postagem: Obrigado/Obrigada



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Que mundo é esse?

A pergunta é feita cotidianamente por pelo menos 2/3 dos habitantes do Planeta Terra. Esses 75% de aproximadamente 8,7 bilhões de pessoas, perguntam a si mesmos, ao vizinho, ao colega de trabalho, aos chamados mestres religiosos, aos cientistas, mas ninguém responde, ninguém sabe nada sobre o assunto “que mundo é esse?” Quando eu era  criança, cansei-me de formular a questão aos meus pais, parentes, catequistas e padres, mas as respostas vinham e ainda vêm em forma de repreensão.

Nunca consegui entender por que sempre houve e sempre há um grande número de seres humanos que nunca se interessou pelo tema. Tanto faz saber se existiu algum lugar como é indiferente ver passar na rua uma cachorra manca ou um cavalo bom de sela. Esses aparentemente seres humanos vivem como animais selvagens ou domésticos. Preocupam-se com dinheiro, riqueza, bens materiais e só.

O amor que dizem sentir é unicamente brutal, amor instintivo, voltado apenas para a preservação da espécie, como escreveu Arthur Shopenhauer, instantâneo  como um piscar de olhos. Seria como se alguém entrasse numa fila de qualquer entidade, associação, serviço público e, ao chegar ao guichê desse uma resposta bisonha e ridícula ao atendente que quer saber “o que deseja?” E  a resposta é um seco e curto “não sei”.

Na verdade, “que mundo é esse?” é o ponto crucial da vida, arguição que precisa gerar uma resposta definitiva e lógica. A partir dela se monta um programa para que sejam desvendados milhares de outros mistérios chamados dogmas, para mim inadmissíveis. Somente assim vamos encontrar o que muito se fala, o sentido da vida. Uma vida sem sentido mais parece alguém banguela entrar numa churrascaria e conseguir se alimentar de somente carne. 

Lá ele peleja com a sua miséria dentária e ainda precisa arcar com os custos da comanda. Enquanto não temos uma resposta, com certeza somos uma nau sem rumo perdida num oceano em que não se vê sequer uma expectativa de terra, uma pequena ilha, um escasso sinal de vida humana ou um outro ponto de direção senão algumas outras embarcações igualmente perdidas.

Já estou ouvindo algum curioso – e com certeza os há, mesmo sendo poucos os curiosos – fazer um outro questionamento: onde encontrar resposta para uma dúvida tão atroz? Detenho-me sempre quando há névoas no meio dessa estrada. E sempre aparece algum sabido mais velho para dizer que não podemos jamais sondar os mistérios de Deus. Ah, cada vez mais me convenço de que Deus nunca foi  e nem será um ser orgulhoso e cheio de babaquices e vaidades, metido a dono da verdade.


Como nunca acreditei em tudo que a catequese me impôs, continuei e continuo as buscas. Quando alguém quer  saber de verdade se encontrei o ponto das respostas, deixo por conta de cada um ler a minha mente audaciosa, embora ainda insatisfeita. Mas muito calma e feliz.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Picuinhas de Itabira que nunca são resolvidas

Semana passada escrevi sobre algumas pragas que assolam Itabira e impedem o seu progresso e desenvolvimento. Lembrando o que aqui deixei rabiscado: primeiro lugar - falta de água; segundo lugar - indústrias emperradas por causa da consequência da seca; terceiro lugar: educação, saúde e segurança. Agora vamos às picuinhas que agitam a cidade.        (A coluna da semana passada pode ser lida em http://www.defatoonline.com.br/colunas/jose-sana/19-12-2016/quem-topa-governar-itabira-do-mato-dentro).


Vou abordar os remoques que acabam se agigantando e denunciando a inércia e desorganização da prefeitura itabirana. Começo por chamar você para entrar na apelidada segunda casa do povo (a primeira seria a Câmara Municipal) e fazer um pedido qualquer, por exemplo, de atestado negativo de débito. Um mês depois, volte ao local em que requereu o documento. Sem padrinho para acompanhar o encaminhamento da sua solicitação, desista.

Depois, vamos ao chamado Almoxarifado do Bairro Pará e lá ver se conseguimos uma planta de qualquer imóvel construído de sua propriedade. Vamos admitir que vai reformar ou acrescentar algum compartimento em sua residência. Não vejo culpa alguma em uma pessoa que trabalha no setor “competente” por não conseguir resolver o seu problema. Dificilmente será encontrada a dita cuja planta. No meu caso, demorou dois meses e meio. Ou seja, não se tem uma pista da super-pasta onde se encontra a planta. A fonte de buscas é um caderno velho que parece aquelas marafundas de donos de botecos da roça em que anotam fiados do mané e da maria.

Meu convidado quer conhecer o patrimônio histórico e cultural de Itabira. Que luxo! Aqui pouco se fala nisso. Em 1983, foi feito o primeiro, se não me engano, Inventário do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) de Itabira. Depois, veio o tombamento dos bens levantados. Na sequência, o conjunto recebeu o mesmo tratamento municipal, orientado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). O tempo passou, vieram algumas outras normas e foi criado o ICMS Cultural e o ICMS Ambiental. Itabira caminha a passos de tartaruga dentro desse sistema. Ou seja, recebe uma merreca de ajuda do Iepha porque cuida pouco de suas riquezas culturais e históricas.

Os principais pontos históricos e culturais da nossa cidade estão degradados. Apelos à Promotoria Pública local não têm resolvido a questão. Mas, não vou muito adiante sobre a inércia até do Conselho de Cultura (não sei os nomes dos membros e nem quero saber) que permite tantas aberrações. Basta dizer que a  a Igrejinha do Rosário, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), está prestes a receber um novo “tombamento”. Agora ao chão. E não me venham dizer que o conselho nada tem a ver com isso.

Quantas picuinhas citei? Somente quatro? Infelizmente, o espaço é curto e não dá para me lembrar de todas. Concluo estas linhas mencionando a picuinha das picuinhas. Há aproximadamente 20 anos (ou mais) reclamo da escuridão que reina no perímetro urbano da Avenida João Soares da Silva, Bairro Campestre (em frente o Senai) até o antigo campo de aviação, ou Oficina Centralizada da Vale. Os postes foram mudados e arrancadas as lâmpadas. Os visitantes ficam boquiabertos ao ver aquela negrura que causa sério risco de segurança à população.


Provando que as autoridades não se importam com o trecho da via pública mencionada, há uns 50 anos existe lá uma placa que  consegue enfezar alguns filhos de uma simpática cidade vizinha: “Santa Maria do Itabira”. Repito: “... do Itabira” E a seta aponta para a frente. Um santa-mariense me disse que, em represália à placa retardatária, pretende instalar uma na saída de Santa Maria em direção a Itabira: “Presidente Vargas a 25 km”. Nós merecemos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Assalto ao Carro ou Correio Pagador

Estamos em que ano mesmo? Dois mil e dezesseis? Não, engano, o ano de verdade é 1960, o mês de junho, o dia 14 e a hora, podem anotar, 8h30. Aconteceu no Estado do Rio de Janeiro, perto da Estação de Japeri, precisamente no km 71, o fato a seguir: um trem de pagamentos de funcionários-ferroviários da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) praticou o maior assalto a mão armada de todos os tempos neste país. Valores incalculáveis pelos números de hoje, em torno de 20 milhões de cruzeiros, foram surrupiados. Agora pulamos, de verdade, para o ano de 2016 e o  palco  é uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, classificada entre as menores do mundo. Oh dó! Cinquenta e seis anos depois evoluírem de São Sebastião do Rio de Janeiro para São Sebastião do Rio Preto!

Tal como o Trem Pagador, que rendeu um filme dois anos depois — e até uma forte candidatura a Oscar em Cannes, na França,  e a centenas de prêmios —  o comboio tinha hora certa para sair e pagar, como no mês passado, em Passabém, e agora em São Sebastião. Dois bandidos, ou lambedores de rapadura, já foram devidamente algemados e remetidos às grades. Um fugiu, mas, coitado, está no mato sem cachorro, a delação, sequer premiada, ou pressionada, deve trancafiá-lo. O cronograma de ação deles revela que  em novembro foi Passabém, dezembro São Sebastião, ficando a certeza de que em janeiro seria Santo Antônio do Rio Abaixo. Esse é, realmente, o sinal forte do chamado crime organizado, premeditado e com ares de doutorado no caminho.

Vamos esquecer o Trem Pagador carioca ou fluminense, cujo desfecho  entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes de todos os tempos no Brasil. E nos concentrar devidamente no caso de 7 de dezembro de 2016, em São Sebastião do Rio Preto. Acredito que o Assalto ao Carro Pagador, ou ao Correio que paga, renderá mais um filme da prima Regina, nome artístico Afra Sana. Ela não estava presente, girava pelo Brasil afora, mas já sabe o que fazer. Um helicóptero sobrevoou a região à procura dos assaltantes e do dinheiro, claro. Geraldo Quintão conseguiu filmar, às tremedeiras, o sobrevoo de um helicóptero da polícia.

Notável e lamentável o acontecimento. Mas para quem, como eu, não consegue tirar da memória os fins de festas ou de simples domingos na pequena Vila, lá pelos anos antigos, não é novidade. Antigamente, São Sebastião era assim: dado o fim de uma cerimônia de festividade religiosa, o povo armava na rua a confusão mais esquisita que se pode imaginar. Poeira subindo, animais empinando, tiros pipocando no ar. Tudo normal e poucos se importavam, menos eu que tremia em cima dos sapatos. Trabalhava como caixeiro ou balconista do Bazar São Geraldo, de Sebastião Cândido F. de Almeida, com ele escrevia, meu pai. Via cavaleiros entrarem montados numa porta de comércio e saírem em outra. Nada acontecia além disso, senão gargalhadas dos testemunhas nada amedrontadas.

Na rua, o espetáculo continuava. De vez em quando acertavam a orelha ou o pescoço de alguém. Alguns levaram balas corpo afora, sem morrer, ou morrendo de verdade. Havia também espetáculos dos mais grotescos, hoje chamados 0800, nas praças do arraial. Certo dia um bêbado da elite aprontou uma peça de teatro digna de um circo internacional ou diria atração do Coliseu de Roma: fechou a atual Praça Seraphim Sanna para aplicar chicotadas no pobrezinho do Nhonhô de Albertina. Nhonhô carregava o apelido de Jabutirica e apanhava sem saber porquê. Como foi chicoteado naquele domingo e ninguém o socorreu! Sou memorialista preciso: era 4 de dezembro de 1955. As chicotadas doíam e doem em mim como se me arrancassem a própria pele e não a do Jabutirica de Albertina, essa uma paupérrima doente sem marido.

Hoje, são ou não bandidos profissionais, ou metidos a vilões de filmes faroeste que povoam o palco do circo. Aliás, esses que levaram e deixaram no carro capotado em Passabém R$ 125 mil, são analfabetos em assaltar, estavam nas primeira lições sem mestre, mesmo alvejando, por pura imaginação de uma  bala perdida, a perna de um conterrâneo que nada tinha e nada tem a ver com a miscelânia. Fosse eu um dos atiradores dessa antielite, desistiria na primeira aula. Quem sabe constitui gente boa e não merecia estar aí? Sei lá! Que façam o seguinte: dedurem imediatamente o terceiro para que tudo termine num final feliz. São tão carentes que nem perceberam o fim da munição policial, provavelmente, também, do combustível. Felicidade para eles “comendo” uma boa cadeia. Talvez tenham participação no assalto do mês passado, que rendera limpinhos R$ 200 mil!

Antes de terminar, quero dar um conselho sincero aos ladrões, conselho objetivo e de boas intenções. É o seguinte: não só o crime não compensa como o assalto também e qualquer tipo de furto ou roubo. Foi o que uma senhora que não conheço, mas vi e ouvi, disse: “A vida de ladrão é muito difícil e complicada. Se eu fosse do meio deles, já teria me conscientizado!” A mulher de nome Dona Maria, explicou direitinho a forma que deveria servir aos bandidos. Ela disse: “Para um assalto dar certo, os marginais precisam de muita sorte, além de sangue frio e inteligência. Conseguindo chegar ao seu reduto com o dinheiro surrupiado, a hora de distribuir é problemática. Sempre há um sujeito ambicioso, o chefe, que quer ficar com uma parte maior. Aparecendo quem não concorde com a divisão dos valores, a probabilidade de atuação da polícia é muito grande. Depois ainda há o problema da consciência e vou ser bem esclarecida, cada um paga pelo que fez e faz mais cedo ou mais tarde”.

No fim, aproveitando o que a simples senhora declarou, sobra sabem o quê? Os que se julgam injustiçados vão para a imprensa, a boca do povo. Aí foi o mesmo que aconteceu no Assalto ao Trem Pagador, os do prejuízo acabaram com a festa dos bandidos. De qualquer forma, os assaltantes que foram presos irão mesmo fazer a devida delação. O pobre fugiu a pé e será pescado a qualquer momento. Então, era isso o que precisava dizer hoje e agora: o Carro ou o Correio Pagador de São Sebastião do Rio Preto vai mostrar, no filme da Afra, que assaltar, furtar ou roubar são ações de bobocas e babacas. Está fora de moda. Se acha que há desemprego, me procure que, aos bons de serviço, mostrarei um caminho. E chega de atormentar o povo simples do interior..

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

De que precisamos saber para não sermos idiotas integrais (1)

Neste momento, quero apenas ajudar você que me lê ou faz de conta que lê a ser gente decente. Tentar mostrar a quem acredita em si mesmo que já existem evidências determinantes sobre a moradia da verdade. Ela já tem endereço e cep. Se há pouco tempo, os filósofos diziam que havia verdades e nunca verdade, muitos passaram a esquivar-se porque pelo menos os caminhos para o encontro da realidade absoluta estão estampados e abertos bem defronte as nossas caras.

Você não precisa acreditar em mim. Mas pode fazer experimentos com as minhas sugestões. Então, lhe asseguro que, no meio do caminho estará plenamente dono de sua certeza. Para crer mesmo, tem de concordar pelo menos provisoriamente com o seguinte: enquanto o ser humano não souber a sua origem ele é um babaca-mor. Entendido? Como ele desenvolve questões sobre vida, morte, trabalho, certo, errado, doença, saúde, tristeza, felicidade, depressão, alegria — e muitas outras situações se não sabe nada sobre si mesmo? Os primeiros filósofos da civilização já questionavam sobre quem somos nós, de onde viemos, para onde vamos, o que estamos fazendo aqui neste mundo desconhecido e estranho. Embora sem resposta no decorrer dos tempos, as luzes foram sendo acesas e começaram a surgir respingos da verdade.

Então, você vai topar? Ser cobaia no lugar de estúpido. É bem mais confortável. Vou sugerir a você que, para início de conversa, tente entender os princípios aqui expostos. Entenda que a vida tem sentido. O sentido da vida é o trabalho de reconstrução do mundo, que está completamente fora do eixo. Mas como vamos entender isso? Ora, ninguém pode nem deve julgar ninguém. A única pessoa que julga você é você. Existe dentro de nós uma faculdade a que chamamos de Inconsciente. Muitos já sabem que ele é o órgão que registra a verdade do mundo. De lá ele executa tudo o que nós mandamos, ou seja, as convicções que ficam. Ele é o ser poderoso, capaz de mudar os rumos existenciais. Tem ligação estreitíssima com a origem. Há nele o poder de alterar o malfeito. Quem participou dos momentos iniciais foi o Inconsciente.

E há sempre o momento de quando alguém se desponta em choro copioso. Por que chora?. Antes disso, acerta-se usando o Inconsciente sobre a sua tarefa de vida no Planeta Terra. Sabe que vai pegar um planejamento de base, criando tópicos para as suas façanhas. Tudo inconscientemente até o dia em que acordar em prol da reconstrução terrestre e fazer a ligação com o consciente. Até chegar este dia cada ser humano trava dentro de si uma  luta contra o que não quer aceitar e a natureza. As crenças trabalham para todos serem felizes no mundo mas essa não é a proposta que o novo habitante assumiu. Todos percebem que a vida é realmente bela, mas não é o belo que nós criamos, mas a natureza criou para nós. Quer dizer, até então não sabemos nem o que é belo ou não. Triste vergonha para quem se julga o tal.

A nossa felicidade depende da eficiência de nosso trabalho. Enquanto o ser vivente ainda não se enquadrou dentro dos propósitos naturais, logicamente ele recebe uma dose de sofrimento para deixá-lo irrequieto e, assim, determinado a procurar uma saída. Dentro de nós formamos um código de mandamentos, que devem ser desmascarados ou mesmo levados à sublime certeza. Por exemplo, se você mata alguém, pode pagar com o martírio interior por mandar a culpa para o inconsciente; mas se você é muçulmano de  algum grupo de terroristas, a dor interna pode brotar em você caso não cumpra a incumbência de matar e até de morrer.

Só por saber que nos conhecemos, que temos um projeto muito grande, ou o descobrimos depois de muita luta interna e externa, assumimos o posicionamento de seguros, certos, corretos, motivados, otimistas, atentos e firmes. Então, a  ninguém precisamos imitar, copiar, tentar o falso entendimento de que é capaz de assim proceder. Disse Drummond a uma altura bem elevada de seu tempo: “Eu não sabia que a minha história é mais bonita que de Robinson Cruzoé!” A lição de Drummond vem calhar certinho em nossa procura do caminho. Aí não precisamos receber nenhuma instrução e nem lamber as botas de quem quer que seja, do pé-rapado  ao Papa ou  a Donald Trump.


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A ERA DO ATLETA DE FERRO? OU DE FALSO SUPER-MAN?

A vida no Planeta Terra é tão incerta que cientistas procuram afoitamente um outro planeta semelhante ao nosso para que seja possível transportar vidas daqui  para as suas dependências, com certeza pouco ou nada habitadas. Procuram daqui, pesquisam dali, até que acabam esbarrando seus equipamentos e olhares  num tal de Próxima b, esse talvez um nome provisório de planeta até então desconhecido.

Ao invés de tentar sair dessas turbulências, deveriam ir atrás de soluções para os nossos problemas ou mesmo empreenderem uma correção de tantos erros aqui cometidos contra o sistema natural que se encontra em completo desleixo ou mesmo total desarrumação. Não vou me estender às questões gerais, agarro-me agora tão somente ao futebol, que é mais fácil por ele fazer a minha defesa de uma despretensiosa tese.

A minha proposição é a seguinte: tudo muda no mundo mas a mudança que se fez na prática do futebol foi e é totalmente equivocada. É preciso fazer tudo de novo, de outro jeito. Era criança e me lembro da prática do futebol tanto no campinho de grama na minha terra quanto em estádios profissionais, como o Independência e os do Atlético, Cruzeiro, América, Renascença, esses em BH, além do Israel Pinheiro, em Itabira, e do Siderúrgica em Sabará, Metaluzina em Barão de Cocais, Meridional de Conselheiro Lafaiete e outros. Com 18 anos de idade, conheci o Maracanã e acompanhei, no tempo de repórter na Capital, a construção do Mineirão.

Bem, nos estádios citados, incluindo o tempo em que era apenas um curioso da bola,  comecei a entender o que era feito com aquela circunferência chutada de pé em pé, de cabeça, joelho, coxa, peito e outros membros do corpo, até de espertas mãos. O objetivo era a meta adversária, onde se chegava ao gol, comum em algumas partidas, fatalidade em outras e até representativas de placar mudo, o chatíssimo zero a zero. Então, havia futebol para homens e crianças, até mulheres começaram a jogar, todos com respeito e cientes dos seus limites.

Quase não ocorriam esbarrões durante um jogo de futebol. O árbitro não tinha a preocupação de marcar uma falta, senão bola fora das quatro linhas ou toque de mão. A chamada botinada, mesmo em peladas, era apenas própria dos pernas de pau, ou brucutus, ou cabeças de bagre, como dizia o Kafunga, mas que dificilmente tirava alguém de ação.. As expulsões, se ocorriam na várzea, não passavam de questões disciplinares. No interior, trocavam os árbitros ao invés de excluir o jogador expulso. Brigas, havia sim, até armas apareciam, tiros e facadas, mas não entravam para o mostruário do método dentro das linhas marginais do gramado.

E hoje? Ah, nem sei o que relembrar! Aos poucos foram formando professores de educação física, o chamado “personal trainner”, que pegou um modelo de super-homem para nele transformar o sujeito de carne e osso, quebrável, cheio de músculos, de uma fragilidade tal qual um faquir de exposição, em um super-homem ou em outro herói do cinema como, por exemplo, o Incrível Huck. Para jogar, era até permitida uma gordurinha aqui, um pneuzinho ali, quando a avaliação do preparador já apontava para um epíteto até mesmo engraçado: parrudo. Meu avô, dizem que era um craque, gabava-se de ser chamado de “beque forte e gordo”.

Hoje, ligamos a TV para ver aquilo que parece mais uma tourada. Antes do jogo que escolhemos há uma habitual atividade chamada aquecimento. Esse esquenta canela, como o chamam vez por outra, é tão puxado que, durante a sua prática, muitos atletas se machucam e são cortados da peleja e de outras sequentes.  Há uma série de contusões que possuem um verdadeiro dicionário de termos complicados e indecifráveis. Não vou citar nenhum dessa terminologia complicada porque basta ver o noticiário esportivo para listá-los nas entrevistas de médicos famosos ou “pé-rapados”.

Então, meus amigos, a minha tese é voltar o futebol ao que era e proporcionar aos seus adeptos, tanto os praticantes quanto àqueles que torcem, como é o prazer em acompanhar o que é sadio e respeitoso. O ser humano não é nem hipopótamo, nem elefante e nem touro ou camelo para aguentar tantas flexões dos músculos ou batidas de ossos de durabilidade limitada e tão frágeis quanto um pedaço de pau seco ou oco. 

domingo, 10 de julho de 2016

A ELEIÇÃO DO FLANELINHA

Flanelinha é aquele moço que fica na rua tomando conta de carros no estacionamento, por conta própria, e cobra alguma moeda dos seus proprietários. Além de vigiar, eles aceitam outros valores para limpar e dar algum brilho no quatro rodas. Ele também guarda o espaço para um outro que lhe paga adiantado. Em futebol, falam daquele time que fica durante um bom tempo na zona da elite, mas na hora final do campeonato é superado por outro que andava ruim das pernas. Na política, agora, flanelinha é o partido pequeno que, quando de verdade é deflagrada a reta final, arreda-se à traseira e apoia o candidato que imagina ser mais forte.

Neste inseguro ano eleitoral de 2016, esse flanela aparece pela primeira vez com mais definição e força. Antes, fazia uma aliança antecipada ou com a situação ou a oposição. Agora, não, considerando que andam falando mal de grupões. Neste momento, apresenta o seu candidato, mostra que acredita nele e vai levando até o instante derradeiro.

Você quer saber quais são os carros e os flanelinhas na eleição deste ano? Basta  conferir os nomes que são os mais falados e ver na listagem o número de pré-concorrentes. Procurem também os mais bem informados e/ou entendidos do assunto e eles vão dizer que Itabira terá neste ano de cinco a seis concorrentes. Ou mais, como diz o meu amigo e cantor Ânderson da dupla ele e Guto. Se somarmos os flanelinhas hoje chegaremos quase ao número 30. Alguns apenas querem testar a sua popularidade, outros estão brigando para ocupar a vaga de vice, os mais fracos aceitam alianças que os deem emprego garantido no próximo mandato.

Diz uma raposa itabirana aos quatro cantos que eu desaprendi a política. Ele talvez tenha razão porque me desapeguei do entendimento antigo a respeito das manobras. Agora estou vendo por outro ângulo como os que entendem temperam a comida para o mês de outubro. Sou realmente dos tempos antigos da cidade. Por exemplo, acompanhei a vez em que Daniel Grisolia deu cabo à vida, a catedral foi ao chão e Padre Joaquim Santana de Castro derrotou Renato Sampaio, esse, então, o favorito das eleições de 1970. Sou do tempo em que o único dono de gráfica em Itabira, ou melhor, tipografia, senhor Emílio Novaes, imprimia panfletos para todos e comentava no seu balcão: “A eleição este ano vai terminar empatada!” Ele se baseava no “já ganhou” que cada um se exprimia.

A partir de agora vai chover canivete aberto em forma de toques nas costas dos pretendentes. Quem tem culpa no cartório, que se previna. Aí, é iniciada de verdade a luta dos chamados gigantes. Os batedores de um lado pegam os defeitos que constroem a rejeição de uns para ampliá-la aos ouvidos e olhos do povão. Quem se preocupar com a defesa não tem tempo para se esquivar ou se defender. Acha melhor atacar também. Aí aparece o danado do baixo nível. O povo condena da boca pra fora as baixarias, mas, no fundo gosta, ama, adora. Pesquisas são bons indicadores, mas elas exprimem também a danada da tendência e, em muitas ocasiões, a canoa acaba virando.


Acredito piamente que neste ano quem decidirá a eleição para prefeito será o flanelinha. Caladinho, trabalhando ao pé do ouvido, ele espera que seu nome chegue pelo menos aos 4% nas pesquisas. Com esse percentual, tem absoluta certeza, entra forte para sentar-se à mesa com o verdadeiro proprietário da frota. Sei que muitos dirão que estou navegando em águas incertas, mas repito que os tempos mudaram. Se desaprendi de política é porque tudo muda, nada se mantém inalterado, mudei também. Não teremos sequestros, panfletos difamadores e outros recursos já fora da moda. Repito que temos já e teremos flanelinhas. Vamos aguardar.