segunda-feira, 19 de junho de 2017

FUTEBOL, NÃO QUERO ENTENDER DE VOCÊ!

Gente do mundo todo, pelo menos os doidos que me leem: detesto entender de futebol! Ou melhor, detesto achar que entendo. Como mais uma grande ilusão desta parte do universo — e o que aqui no Planeta Terra não é fraude? — queria ser ignorante total no esporte mais popular do Brasil. Aqui no mundo de dolo, traição, motejo, gostoso é ignorar as coisas. Queria entender somente de chuta pra lá, chuta pra cá e, como diziam no meu tempo de criança e ainda bradam em Portugal, “fura o golo!”

Para provar, pelo menos para os de boa vontade comigo, que entendo deste riscado, vou tentar pregar agora algumas lições que aprendi deste maravilhoso esporte. Maravilhoso porque é um esporte coletivo, que depende de bom entendimento para ser bem-jogado. Repito que gostaria de ser como aquele personagem de Nelson Rodrigues que vai ao campo de futebol e não se cansa de perguntar: “Quem é a bola?”

Regra número 1 — Todo time bom precisa de ter na meta um bom goleiro. Exemplo: o São Paulo Futebol Clube não é mais uma boa equipe porque o seu goleiro atual, Renan Ribeiro, é fraco, não inspira confiança e não lidera. Mesmo assim, o treinador Rogério Ceni, que foi um dos maiores guarda-metas do futebol brasileiro, e hoje é treinador do mesmo time, o São Paulo, não enxerga isso. Se enxerga, por que não exige uma contratação desta. Existe um grande goleiro sobrando no futebol brasileiro: Rafael, do Cruzeiro, que não deve odiar uma contratação deste nível.

Regra número 2 — A chamada “parede de beques”, os dois zagueiros, precisa ter rapazes altos, boons de cabeça e também limpos no domínio da bola rasteira. Vez por outra um time perde o jogo porque os dois zagueiros não se entendem, batem cabeça e não cortam as bolas cruzadas.

Regra número 3 — O meio de campo precisa ter um bom cabeça de área, aquele que guarnece a entrada do espaço de defesa. Os outros, talvez mais dois, devem ser os responsáveis pelas saídas de bola da defesa. Time que não tem essa jogada perfeita não é time que merece confiança. Diante do futebol moderno, dois bons alas ajudam bem.

Regra número 4 — Não é mais o tal camisa 10 tão badalado. Trata-se de um cérebro, aquele que comanda o espetáculo com habilidade, sabe fazer uma leitura do jogo, joga de cabeça alta, distribui bem as bolas e chuta também. Este é indispensável. Entrar em campo sem ele é mero suicídio. Exemplo: ontem o Cazares desempenhou esse papel e muito bem. Agora o risco: o dia em que ele não jogar, quem fará a tarefa? Ninguém, por enquanto.

Regra número 5 — Bons finalizadores. Indiscutível este item. Alguém que chuta dos dois pés e cabeceia e não um aleijado de direita ou de esquerda. Como exemplo, o Galo tem dois, Fred e Rafael Moura. O He-Man está em melhor fase. E precisa, para alternar esquemas de jogo, de velocistas. Ah, armar contra-ataques é um bom esquema.

Regra final — Um bom time precisa de “liga”, ou “engrenagens” funcionando. Às vezes um time vai mal, apesar de ter os mesmos homens em campo. O treinador pensa, arquiteta e age: coloca um cérebro que liga todos de uma vez. Eis a regra primordial de quem entende de futebol: um jogador só pode transformar o pior time do mundo, um tal de Íbis Futebol Clube, em um Real Madri ou Barcelona. E atenção: não se faz jogador mudar de característica – esse o pecado-mor dos treinadores, principalmente os brasileiros – para fazer o que o técnico pensa, mas pensar do jeito que o jogador é. Exemplo: Elias, no Galo, não joga bem atrás. Tem de fazer um esquema para ele encaixar a sua habilidade. Senão não se precisa dele, escale outro qualquer, um Pierre ou Leandro Donizete da vida. Repito que essa é a maior burrice praticada por 99% dos “entregadores de camisa”, como diz o meu amigo radialista Renato Martinho.


Antes de encerrar, um apelo dramático ou uma lamentação sincera, humilde e humilhante ao principal tema destas mal traçadas linhas: meu caro Futebol, não quero entender de você!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Helena e José Diniz

Quem seria capaz de escrever a vida de um ser humano que viveu aparentemente oitenta e poucos anos e na prática uns nove séculos? Resposta: ninguém e nem caberia na maior enciclopédia que até hoje foi conhecida no mundo. Como uso sempre, a repetitiva expressão, muito mais longa história do que as Mil e Uma Noites, impossível. Do casal a quem me refiro agora, tenho recordações fantásticas e uma viagem mais que inesquecível na companhia dele. É aí que destaco um capítulo inimaginável.

Estou me referindo ao meu amigo José Diniz, cujo grande destaque é ter apenas Diniz no sobrenome, uma decisão inteligente de seus pais. Só um Diniz bastaria para acompanhar um prenome, e acabou, teria dito seu progenitor. E estou também me concentrando na figura de sua esposa Helena, não de Tróia, mas de Itabira mesmo, com muito orgulho dela e de sua família. Conheci o Zé em 1966, exatamente em maio, quando cheguei para Itabira e à velha Companhia Vale do Rio Doce. Pequeno na estatura, alto na voz retumbante e, mais ainda, crescido nas suas atividades de liderança no trabalho. Quantos já disseram: “Zé Diniz nasceu líder!” Deve ter dado ordem à sua parteira: “Por favor (ele nunca esquece a gentileza), me coloque naquele berço”.

Em chegando a Itabira mandaram-me para o setor de apropriação da conhecidíssima Oficina de Euclids, na “subloja” do andar de cima, o Cauê, na Jacutinga, onde Diniz era um dos chefes. O nome deve ter sido pela existência no local da ave da família dos cracídeos,75 centímetros de comprimento, 1,500 quilos, que come frutos, minhocas e insetos diversos, parente dos jacus. Provavelmente, era grande habitat dessas aves a Jacutinga, meu primeiro emprego rentável na vida depois de me arrastar pela imprensa de Belo Horizonte, ralando como um freelancer perdido de reportagens policiais e trabalho de revisão.

José Diniz ocupava o cargo de supervisor de turno, depois geral, depois operário padrão, depois homem da comunidade etc. e tal, sem contar pai de família. Impressionou-me logo de cara sua voz, que retumbava no ambiente como se fosse um trombone de vara. Lembro-me do Zé Prudêncio, esse o chefe dele, nos instantes de reuniões, que dizia: “Gosto de ouvir o Zé Diniz falar porque acho que ele tem um amplificador na barriga!”

Comunitariamente, José Diniz deixou outra impressão enquanto pôde conviver com os seus amigos — dentre os quais Jésus Nascimento Amorim, Zumário Ferreira, José Mário Vicente, José Damázio de Oliveira, Joaquim Camilo, Jujuca, Joaquim Carioca, José Cornélio de Oliveira, Helton de Oliveira Cabral, Maria das Graças e Darcy de Oliveira — quando essa turma, com ele, montou e fez funcionar uma das maiores organizações coletivas de trabalho comunitário de Itabira em todos os tempos. Eles agiam no inesquecível Grupo de Trabalho da Comunidade do Campestre, fincando obras por todos os cantos, socorrendo a comunidade no que desse e viesse. Foi algo que marcou a vida inteira ou umas três gerações de shows incríveis de solidariedade desprendida.

Com ele, é claro, o seu fidelíssimo freio de mão, Helena, de uma personalidade incrível, mulher que não sei como o Zé escolheu para ser sua companheira. Acho que Helena foi uma mega-sena única. Ambos, unidos e mais do que nunca cúmplices durante longos anos, completaram, neste 3 de junho, 60 anos de união abençoada. Repito: sessenta por extenso, que significam  Bodas de Diamante. Viver seis décadas é moleza, eu mesmo já passei disso. Quero ver é viver unidos como siameses. Ah, achei a palavra certa: tratam-se de siameses que um dia receberam as alianças e as bênçãos divinas. Depois os frutos sagrados da união: Denise, Hécio, Hedmo e Ana Carolina. E ainda seis netos e uma bisneta.

Sei de mais um capítulo importante da vida dos dois: em setembro de 2012, Marlete e eu, Helena e José Diniz, e mais 64 itabiranos, tivemos a grata alegria de conhecer a Terra Santa. Sim, atravessamos desertos onde pipocam guerras desde milhões de anos passados, uma busca de identidade, ou incrível desejo de domínio do pensamento religioso. Parece uma região atrasada, mas deve ter sido paralisada pelos acontecimentos que se dividem com os seguidores do alcorão, a bíblia dos muçulmanos, e os cristãos, além de poderosos terroristas. Abraão, Moisés, outros bíblicos passam por essa longa história.

Desvendamos os caminhos transpostos por Jesus Cristo e seus discípulos, pela Família Sagrada, e pelos difusores do conhecimento cristão. Estivemos em Nazaré, Galiléia, Jerusalém; conhecemos a cruz dos três condenados pelo regime dominante do Império Romano, a mesma que foi resgatada pelo primeiro imperador católico, Flavius Valerius Constantinus, por ordem de sua mãe, Santa Helena. De tantas viagens, caminhadas, orações e peregrinações, sem esquecer que houve batismo no Rio Jordão e novos casamentos na mesma sala  em que se realizou a Santa Ceia, tornamo-nos mais que irmãos, amigos que não se separaram nem se resolverem cortar o cordão umbilical imaginário, mas que existe, e nos une.

Ah, para atestar o amor de ambos os nubentes de 60 anos vividos o bom humor de José Diniz, a paixão da dona de seu coração, finalmente, bastou uma passagem no regresso no Aeroporto Internacional Ben Gurion,  de Tel Aviv, considerado o mais importante de Israel, que opera com destinos domésticos e voos internacionais no Oriente Médio, Ásia, África, Europa e América do Norte. Mesmo muito seguro, as suas placas e plaquetas deixam qualquer um tonto e zonzo ao mesmo tempo, mesmo com informações em inglês, a maioria em hebraico. E foi o que aconteceu com esse nosso sexagenário casadoiro radicado em Itabira: desviou sua rota, ou simplesmente, se perdeu.

Helena carregava tudo na sua milagrosa bolsa — passaportes, euros, dólares, reais, certidões e outras necessidades, além do terço e de livretos de orações — e José Diniz nem um escasso pente, que ele dispensa de letra. Pois os dois se separaram, embora sejam inseparáveis, e a multidão os confundia. As chamadas em hebraico e inglês se repetiam para o voo de retorno a Roma, via Viena, enquanto todos se alinhavam para as chatas e repetidas identificações. Todos presentes, os 67 componentes da comitiva itabirana, menos ele, o José. Ah, cadê o Diniz? Até eu me desassosseguei e fiquei mais perdido que cego em tiroteio naquela multidão de línguas diferentes, verdadeira torre de babel.

Enquanto ecoava de dentro do banheiro feminino os gritos justificados de Helena, cujo choro desabava lágrimas em sua fronte, zarpei no meio do povaréu e tão desesperado fui ficando à medida que ouvia também os clamores no alto-falante:  “This is the last call, 234 flight toward Vienna...” Até que depois de me embrenhar no meio daquela multidão de Maracanã em final de copa do mundo, avistei ao longe uma cabeça brilhando, era ele, sim, o quase inalcançável procurado. Por sorte ele viu também os meus cinzas cabelos grisalhos e aí tudo se resolveu, estabelecendo-se a paz na terra dos profetas. Apoderei-me de seus braços, arrastei-o como se faz com uma criança está procurando a mãe e, como um troféu também de copa do mundo, entreguei-o à Helena, sua legítima e bem merecida dona.

Parabéns e obrigado por existirem, caros amigos, Helena e Zé!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Aqui pra nós: você não sabia que somos os bichos ainda desumanos do Planeta Terra?

Tudo bem, correto: o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. E, segundo ainda a Bíblia, tem dentro de si a luz divina. Mas, será que você que me lê ainda não manjou, não sacou, não morou, que o resto de sua constituição física é uma podridão completa e fatal? A matéria que compõe a parte suja deixa o ser terrestre em ponto de se declarar para o mundo: “Sou um bicho”. O chamado bicho-homem, expressão do meu amigo Robson Matos Esteves. Reforçando a afirmativa, somos bichos, sim. E repito: bichos! (e ainda ouso acrescentar um ponto de exclamação).

Pronto. Dizer mais o quê? Só esclarecer que se você pensa de forma diferente, me desculpe, tire a venda dos olhos. Se me pedir algum esclarecimento, mesmo não solicitando, deixo algumas dicas: a vida é uma espécie de teste, exame, concurso, prova. Aqui estamos para enfrentar a onça pintada e brava, cada um do jeito que merece ou aguenta. A minha onça é mais feroz do que a sua, talvez, ou o contrário, depende da nossa qualidade de domador. Se somos fracos, a felina nos devora. E vai a nossa vida pras cucuias.

Quer um outro exemplo? Quando estávamos no instante de ser gerados num óvulo, tudo se esclareceu. Surgiu como uma ordem expressa: “Você vai começar a ser gerado, escolheu o pai e a mãe, daqui a nove meses vai nascer e encarar o mundo. Será uma rocha cheia de obstáculos, muitas dificuldades, só problemas; mas você terá as forças necessárias para vencer caso tenha confiança em si”. Agora, mais um esclarecimento a título de complementação. A voz nos diz: “Olha, caso você não queira viver, ainda há tempo; e você pode desistir também no útero, transformando-se num aborto; ou tem o direito de durar poucos dias, meses ou anos; se quiser viver muitas primaveras, faça já o seu roteiro”.

Não se trata de imaginação irresponsável. Tenho um amigo que me sugere escrever um romance de ficção. Ele acha que sou capaz de bolar, inventar, criar estórias como se fosse um emérito literato, um neo-José de Alencar ou Jorge Amado. Quem sou eu senão um pobre rabiscador de letras  e que tem, sim, uma memória fantástica. Agradeço a Deus por ser um memorialista de primeira. O que fiz no tópico anterior, ou em alguns outros meios de esclarecimento, foi uma espécie de comparação para que seja entendido. O entendimento não é representado em palavras simples como estão grafadas aqui, mas na capacidade que temos de acordo com a nossa evolução. Cada pessoa tem o seu grau de raciocínio.

Tudo o que acabo de relatar é para levar o caro leitor à seguinte conclusão: o que está acontecendo não apenas no Brasil, mas no mundo, e principalmente no Brasil, é apenas uma demonstração da normalidade, de tudo o que era esperado ocorrer. O noticiário político mostra que o Brasil está desgovernado. Mas pergunto: que dia foi governado? Quando foi que apareceu algum dono real da verdade e disse: “Olha, você tem de fazer isso, aquilo, precisa fazer assim, assado?” E no mundo, por que continuam pipocando as guerras religiosas, os conflitos por meras ideias, por pedaços de terra, por coisas banais que não alteram a nossa inteligência e o nosso conhecimento? Ora, ora, só quero dizer o seguinte: você continua sendo um asno tapado, desculpe-me a expressão. E se estiver eu enganado, desculpe-me também porque sou um burro de duas patas.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Hoje, de novo, o turismo renasce em Itabira

Não sei se começo este pequeno texto (será pequeno?)  abordando fatos da criatura ou do criador. Não, vou começar da origem: por mais que algum idiota anônimo me conteste, devo repetir o que já escrevi e preguei na montanha do Cauê novo que quem inventou o turismo em Itabira tem identidade, endereço, nasceu na cidade, só não mora por aqui no momento. Seu nome de cartório e pia batismal é Rafael Clever Gomes Duarte. Virou professor, cresceu assustadoramente por causa de sua inteligência avantajada e zarpou mundo afora. Encontra-se em São Paulo, se não me engano. Rafa não apenas inventou, como fez um projeto e divulgou tal panorama para o futuro itabirano. Modéstia às favas, como editor da revista DeFato, idos da última década do século passado, divulguei a obra-prima inicial que nunca mais parou de brotar, crescer e render frutos em nossas bandas.

O maior fruto do turismo itabirano chamava-se Pouso Alegre, Aliança e agora tem a seguinte intocável designação: Ipoema . Que me desculpe a zona rural inteira e mesmo Senhora do Carmo, que tem uma tradição histórica invejável, mas Ipoema foi e é o esteio de Itabira, carregando no lombo os seus insofismáveis exemplos. Posso dizer os nomes quase todos, pelo menos alguns dos carregadores de piano que souberam unir-se em prol dos resultados hoje obtidos e inegáveis. Desisto de mencionar o dicionário dos grandes heróis da façanha e mudo de ideia: na terra do meu inesquecível amigo José Braz Torres Lage até os vira-latas da Praça da Igreja são importantes.

Mencionei o criador e agora vou me referir à criatura: Sérgio Mourão. O que fez Sérgio Mourão para o turismo itabirano? — perguntaria alguém meio atônito e talvez ignorante. Outros, como Roneijober Anadrade, fizeram também, mas o Cabeça Branca foi hoje. Explicando: ele emendou, encaixou, amontoou tudo o que se diz da terra de Saez Peña e espremeu num só livreto, ou melhor num guia. “Nenhum turismo sobrevive sem um guia”, escreveu alguém por aí. Não é preciso citar o autor porque, afinal, não é uma frase notável, mas é uma frase indispensável. Hoje, dia 23 de maio de 2017, à tardinha, os vereadores de Itabira, liderados por Decão da Loteria e presididos por Neidson de Freitas, deram um atestado de reconhecimento  — título de Honra ao Mérito — ao produtor de uma obra como tantas outras que fabricou, mas que essa é de hoje.

Quem é Sérgio Mourão? Conheço a figura graças a Roneijober Andrade, outro puxador de turismo na terra de Eleni Vieira e Reinaldo também Vieira. De José Braz, Torrinha, Torrão, Elio Quadrado, Raimundo Afonso, Gerardo Lage, Valério Adélio, Tangará, Zé Ignácio, Stael Azevedo, Ney Azevedo, Marco Antônio Lage, Aníbal Figueiredo, Harcy Lage, Dorinato, Onelvino Coelho, Família Geleia, Zé do Cachimbo, pronto, a memória é de disquete dos antigos. Desviei o assunto, um mal que me acomete devido á diade, estava me referindo ao Sérgio Mourão. Perdoem-me.


Sérgio tem, se não me engano nem se engana o Roneijober, 115 anos. Não, pode ser mentira, mas foi a minha calculadora a responsável pela soma de suas façanhas mundo afora. Ele é formado em Direito, Jornalismo, Fotografia. Foi assessor de Benedito Valadares a Ozanan Coelho. Contribuiu para a Proclamação da República, produziu mais de um milhão de fotos paisagísticas e históricas de Minas Gerais e foi o primeiro cidadão a xerocar o ato da Abolição da Escravatura assinado pela Princesa Isabel. Nada disso importa, se estou exagerando ou não. O que interessa agora é o seguinte e este seguinte sintetizo em dois fatos: primeiro, Sérgio deixou tudo para lá e se mudou para Ipoema; segundo, elaborou o Guia Turístico de Ipoema, Serra dos Alves e Senhora do Carmo. É o que basta: deu asas ao turismo. Um viva hoje para o turismo itabirano! Um viva para Sérgio Mourão, homenageado pelo povo itabirano! Um viva para o Decão que descobriu o Sérgio Mourão! 

OBS.: Só para esclarecer, a criação da alternativa econômica turística em Itabira foi anterior à arrancada de Ipoema, no advento da Estrada Real. Rafael Clever inventou o turismo de Itabira, baseado num projeto submetido à Vale e só engavetado porque surgiram novas opções com as descobertas de reservas minerais depois da privatização da empresa. Pode voltar a qualquer hora como uma solução fantástica. Vontade política é o que falta. Seu projeto consistia em aproveitar as anunciadas áreas da pós-mineração no Cauê e transformar o local em uma atração diferente, o Turismo Temático. Depois de Rafael, veio Ipoema, distrito que, deu certo. E sou testemunha também do Turismo Histórico que Eleni Cássia Vieira liderou no chamado Distrito Sorriso, assunto para uma nova discussão e texto. Entendidos?

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Por que somos tão babacas assim?

Faz dois dias que o Brasil acordou estupefato. Só se ouvia dizer por aí a frase: “Puxa! Você viu ontem no Jornal Nacional?” Abro um parêntesis para dizer que em nosso país tudo acontece nos jornais da Rede Globo de Televisão. Não somos ninguém, sequer existimos. A famosa Globo pensa por nós, diz por nós e toma decisões por nós. Somos felizes ou infelizes se a dona da audiência concordar. Fecho o parêntesis.

Uma pessoa que conheço mais ou menos desde quando me entendo por gente me surpreendeu de maneira espalhafatosa. Estava irreconhecível, pelo jeito que conheci dela em anos a fio. Dançava, rebolava, requebrava. Comemorava porque o tal de fulano de tal foi apanhado com a mão na massa. Tenho também uma prima muito amada e até idolatrada que me mandou uma mensagem mais ou menos assim: “E agora, o que acha do seu queridinho fulano de tal?”

O pior é que a ficha do brasileiro, ou do ser humano, não caiu foi nada. Entro por estradas nas redondezas e vejo carros com faróis baixos apagados. A lei federal determina: “Faróis acesos e baixos o dia todo”. E, claro, nas noites. Uns estão desligados, outros somente os faroletes acesos, outros nem se sabe se têm faróis. Uma fulana de tal bem instruída, de cursos superiores no cangote (acho que na cabeça só o antigo mobral) me confessou humilde e humanamente que não sabe discernir entre farolete e farol baixo. E tem carteira de motorista há quase dois séculos. Deus do Céu! A ficha fica sempre entalada no brasileiro em tudo. Como buzina nas ruas! Como fura a fila nos self-services! Como interrompe bate-papos! Chega!!!

Mas voltando ao Brasil atônito de anteontem, deu-se a impressão de que, finalmente, estávamos saindo do verdadeiro inferno e nos aportando no legítimo céu. Mas que tolice! Babaquice sem tamanho, vou acrescentar, deixando o ponto de exclamação por conta do cada cabeça. Tirando a Rede Globo, que pensa por nós, age por nós e argumenta por nós, parece que o cidadão mundial acredita piamente que o ser humano é puro, correto, limpo, certíssimo, perfeitíssimo. Mas tem uma anotação que precisa ser feita: somos divinos enquanto não descobrem que há canalhice por trás de tudo. Isso seria cinismo, fingimento ou hipocrisia?

Se me perguntarem o que devo dizer daquele tópico lindo, irretocável, fantástico do Gêneses, na Bíblia, “Deus fez o homem à sua semelhança”, direi técnica e sentimentalmente que é também uma verdade intocável e incontestável. Aí vem a pergunta que não cala nem na boca de idiotas: “Mas será que Deus é assim como os nossos políticos? - Ladrão, safado, corrupto, desgraçado, filho de uma viga ou prostituta? (desculpem-me essa, porque já penso que todos somos iguais, putos e putas)...

No esquentamento de uma suposta crise — uma tia minha me escreveu assim: “O trem tá feio!” — o ser humano não aproveita o barulho da lata e diz de si para si: “Precisamos refletir que se somos divinos, podemos ser, também, filhotes do demônio?”. Ou não parece? Ora um, ora outro, numa alternância insuportável! Minto? Que contradição fica ruminando o nosso interior! Precisamos sair dela. Urgente!

Ora, vou encerrar por aqui. Fico no pensamento de José Saramago: “Aprendi a não convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro”. Mas deixo no ar uma certeza: se continuarmos nessa grotesca canalhice, pode ser que o mundo passe e simplesmente alcancemos diploma de idiotas.


sexta-feira, 12 de maio de 2017

PALESTRA EM PASSABÉM: COMENTÁRIOS E QUESTIONAMENTOS

Passabém está para mim como estou para muitos questionamentos na vida e sobre a vida. Se alguém perguntar o motivo essa empatia, não posso dizer agora porque a nossa história – minha e de Passabém - foram de tapas e beijos, e abraços e xingatórios. Talvez diga depois, um dia, quem sabe. O que interessa agora é que no dia 9 passado, terça-feira, à tardinha, fiz mais uma de minhas palestras na escola estadual local.

Tudo combinado com a minha amiga Myriam Cristina, uma destacada supervisora da Escola Estadual Luiza dos Santos Ferreira. E aconteceu, na presença de prestadores de serviço do educandário. Minhas palestras não podem durar mais que uma hora, ou precisamente 50 minutos, como me ensinou a mestra Sílvia Patriani, com quem fiz curso em São Paulo. O curso, logicamente, não é cem por cento para ensinar a falar em público, mas como falar. E outras técnicas.

Geraldo Quintão, conterrâneo e amigo, já me prestigia pela segunda vez nesses eventos. É o cidadão mais fácil de se relacionar no mundo depois de outros reis da paciência, incluindo Jó, o da Bíblia. Se aparecer alguém no mundo falando mal dele, só se for porque tem cabelos grisalhos e não pinga neles nem uma gota de tinta. Outra presença marcante foi do jornalista Márcio Passos, diretor-fundador do jornal A Notícia, meu amigo desde quando Jean Dissandes de Monlevade fundou o primeiro alto-forno no então distrito pertencente a Rio Piracicaba. E foi uma surpresa bem forte: pegar o carro em Itabira e viajar 54 km é muita responsabilidade até para outro renomado palestrante. Para mim foi um peso nas costas. Mas também um incentivo.

Resumir 50 anos em 50 minutos é tarefa hercúlea, desafiante. Claro que nunca se pode, jamais, promover uma transformação radical em tão curto tempo, mas olha, é tentar falar mais tempo e entrar pela tubulação e virar seguidor de Fidel Castro, que falava sete horas sem parar. Também o que interessa é, antes de tudo, jogar uma sementinha, se é que na VIDA É BELA, título de nossas semeaduras de ideias, algo consegue ser plantado para o bem do ser humano.

QUESTIONAMENTOS OU COMPLEMENTOS

No início dos 50 exatos minutos da apresentação deixei um desafio aos participantes: escrever algumas meias dúzias de letras ou palavras sobre o que presenciaram. Pedi que não mencionassem o nome para ficassem mais à vontade. Assim foi feito.

Frases complementares as classifiquei como para engrandecer aqueles momentos. Por exemplo, alguém ilustrou: “A vida é bela; cabe a cada um de nós conduzi-la”.  Outro (a) me pede opinião sobre a frase de Carlos Drummond de Andrade, citada durante as explanações: “... a prudência egoísta que nada arrisca”. Acredito que a frase completa do poeta possa dar a resposta desejada. Ei-la: “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” Entendeu?  Só sofre quem é masoquista.

Mais um (a) participante complementou: “Nesta vida somos passageiros que precisamos partir em direção aos nossos sonhos e metas, sem voltar atrás”’. Muito bem. Excelente ilustração. Mais um comentário: “A vida é bela. Será que vou fazer tudo o que quero? Meus dias são rotineiros, é preciso mudança” Sim, os objetivos da palestra focalizam mudanças.

“Acho que entendi tudo”, afirma um (a) participante. Diz uma figura masculina ou feminina como sugestão: “Podia ter um tempo maior a palestra”. Aí, tenho de agradecer porque se quer mais tempo foi porque gostou. Ocorre, todavia, que seja por razões diferentes: nada ter entendido. No caso de considerar a exiguidade de tempo como inútil, os cursos que estou montando talvez resolvam. Um curso não deixa alguém falar sozinho como um pregador no deserto.

“Compreendo seu ponto de vista e gostaria de saber, já que você diz muito a respeito de sonhos e sucessos, que levasse em consideração uma percepção a respeito dos fracassos”. A essa ponderação (ou seria um alerta sobre a repetição de fracassos na vida das pessoas?) nos dá a noção da palestra em si. Ao se engajar na rotina dos fracassos, ao ser humano não resta o que fazer. Por isso falei da Lei da Atração que, se não observada devidamente, torna-se uma cruel provocante dessa situação indesejável e indesejada. Apenas para promover uma chamada ao tema, diria que o fracasso, tal como o chamam, precisa mais do que nunca ser ignorado antes que cave uma depressão profunda na alma humana.

Além de uma série de referências a temas já citados, um (a) participante sugeriu leituras diversas, como de “Grande Sertão: Veredas” (Guimarães Rosa), “Hamlet”  (William Shakespeare), além da de Álvaro de Campos, poeta português.

DICIONÁRIO BRASILEIRO DE LEIS NATURAIS

Eis aí o crasso erro de minha apresentação. Erro porque não deixei sobrar mais tempo para este tema: dicionário de leis, trabalho a que me dedico há mais de dez anos e que seria e será daqui para a frente o pano de fundo das palestras A Vida é Bela.  Será, como já é para este pobre escrevinhador e “inventor”, o guia teórico para a vida. Como são elaboradas e aplicadas as leis, o porquê delas, a verdadeira necessidade de ter um ponto de partida para a execução de ações.

Tenho em mãos um comentário. Esse vai ficar pendurado no varal de minha sala: “A morte é bela!!!” (os três pontos de exclamação são do (a) autor (a) da frase. Tentei com outras pessoas entender se foi ironia ou apenas uma distração. Vamos voltar ao assunto.

Ficou para o final o tema que mais chamou a atenção dos participantes Todos, basicamente os que deixaram mensagens, queriam que mencionasse algumas leis e seis significados. Atendendo, vou tentar resumir alguns significados. Para encerrar, eis algumas:

— APARÊNCIA — Toda aparência não é verdade, o nome já diz.
— AMOR— Como foram criados os instintos, que nos provocam a defesa da vida, também é indispensável a lei do amor, responsável pelo equilíbrio do universo. Nem sempre seguida, mas ela existe.
— ATRAÇÃO — Saiba pedir do jeito certo e você receberá. O positivo atrai o positivo e o negativo atrai o negativo. Se você só espera o que não é bom, eis que virá sempre o que não é bom. O contrário gera coisas boas.
— BARRAGEM — Atentado ao trajeto natural de córregos, regatos e rios; desafio inconcebível contra o estado natural de terrenos formados em milhares de anos.
— CAUSA E EFEITO —  Não há efeito sem causa (Espiritismo, Budismo, Max Weber). Se existe o filho é porque há, também, o pai e a mãe.
— DEUS — Deus é desde suas origens a divindade central nas religiões abraâmicas, preponderantes na cultura ocidental e na lusófona, da qual derivam-se, entre outras, três das mais influentes religiões da atualidade, explicitamente o cristianismo, o judaísmo e o islã. Naturalmente, Deus é simplesmente tudo, o conjunto, fazendo abrangência deste mundo, no planeta. Extrapolando da Terra, a sua dimensão é universal. Não tem formato. São energias agrupadas. Resumindo, é a própria Natureza.
— LIBERDADE — Direito inalienável de todo ser humano. Sem liberdade não se pode viver ou não se cumpre a missão terrestre. Trata-se de um erro histórico do ser humano a tal punidade. Ninguém se conserta sendo castigado, punido, retirado de sua condição de liberdade.
— MENTIRA — Ato ou efeito de mentir; engano, falsidade, fraude; naturalmente, o que foi inventado, criado; uma ficção. Mais profundamente, mentira é tudo o que  vemos, porque para saber que alguém diz a verdade, usa-se o mundo da mentira.
— MISSÃO — Função, trabalho determinado, obrigação, compromisso, entendimento. Neste caso, o que todos
— NATUREZA — Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma (Antoine Laurent de Lavoisier - França, 1743/1794). O conjunto e o equilíbrio dos fatos, coisas, acontecimentos, matéria, energia, poder, tudo enfim. Dona de tudo, comandante das coisas, fatos, organizações. Manda e, às vezes, desmanda.
— VERDADE — A palavra verdade pode ter vários significados, desde “ser o caso”, “estar de acordo com os fatos ou a realidade”, ou ainda ser fiel às origens ou a um padrão. O ponto final em que as pessoas se deparam depois de longa procura. Necessidade de ser encontrada, apesar de pouco perseguida.
— VIDA — A vida é bela. Um período definido em que cada pessoa vive na Terra para executar uma missão. Se não for assim, a vida não tem sentido. Se não tivesse sentido, Deus não existiria e não haveria mediador. E sem mediador, nada tem solução.

Esses comnponentes do dicionário são apenas exemplos. Há centenas ou milhares de verbetes.

CONCLUSÃO

Na palestra em Passabém, faltaram grandes outras citações, como: o porquê das drogas, ensinando a aprender e aprendendo a ensinar, meditação transcendental etc. etc. etc. Para tratar desses e de outros temas seguintes, vamos montar um curso em pareceria com comunidades.


Aos professores de Passabém e demais participante dessa palestra, MUITO OBRIGADO!

domingo, 16 de abril de 2017

"MORTE É VIDA"

Estamos no ano de 1966 e faço um enfrentamento direto a Deus, a quem sempre aceitei como uma super energia que existe também graças à Lei Natural “Causa e Efeito”. Em palavras claras e exatas: não existe efeito sem causa, como não há filho sem pai. Esse alerta tenho o costume de dirigir aos céticos ou ateus quando me atordoam.

Propus à energia superior um pacto de total amizade e fervor, mediante as considerações a seguir: 1. Creio em Ti. 2. Sei que seremos nós, os habitantes da Terra que resolveremos o grande (ou os grandes) problema (s) que criamos no planeta. 3. Alguém tem que fazer algo e me proponho, sabendo que outros seres devem ter feito ou farão também. 4. Seja feita a vossa vontade, mas quero que me revele os segredos deste mundo e dos outros caso existam. 5. Prometo ser leal e retribuir, sem medo e disposto a aceitar as dificuldades desde que me seja dada a devida força.

No decorrer do tempo vieram as respostas, as  quais não vou declinar porque o assunto de agora é outro. São três as razões que nos levam à redenção total ou ao título deste texto (“Morte é Vida”): 1. Os motivos citados acima. 2. As experiências dramáticas que vivi na vida. 3. A existência da ternura, paciência, amor e compreensão. É do item 3 que vou tratar neste exato momento.

Conheci e conheço vários seres humanos que me servem de exemplo como criaturas iluminadas, extremamente praticantes de uma série de ações positivas. Observo-as ou as observei anos a fio mas, por ética e respeito absoluto, só declaro seus nomes em caso de extrema necessidade. Embora já tenha mostrado o nome de uma criatura especial quando ela fez cem anos de idade, agora me incumbo de declarar o seu nome próprio de cartório e pia batismal: Semíramis Duarte, conhecida como Ninita, a quem chamei a vida toda de Tininita, nascida em São Sebastião do Rio Preto, inesquecível professora.

Bem, aos 100 anos e exatos 251 dias, em 12 de abril, na cidade em que estudou, Ferros, ela nos deu adeus. Alguém pode me arguir: o que aprendi com ela? Não vou citar o “be-a-bá, e nem as regras de nossa língua pátria, nem cálculos aritméticos ou muito de história e geografia. O que me ensinou mais significativo foi em silêncio. Tininita durante uma vida inteira me deu aula de cidadania, amor ao próximo, comportamento, serenidade e humildade. Diria que aprendi pelo menos dez por cento de seus ensinamentos, mas foi o bastante para, pelo menos reconhecer e tentar imitá-la.

Não vou me alongar porque já disse quase tudo o que queria dizer em outra oportunidade, ou ouvi, no seu velório, referências, as mais lindas, acerca de sua vida. Vou apenas recordar dois nomes aqui, um do passado, José Cândido Ferreira de Almeida, Tio Zezé, com quem ela teve 11 filhos, e o Padre Márcio Soares, vigário episcopal de Itabira. Tio Zezé me disse uma vez o que jamais me esquecerei: “Eu não sei se sou portador de virtude alguma, mas sei que uma tenho e defendo até a morte”. Diante de minha curiosidade, esclareceu: “Sou um ótimo escolhedor de esposa ou companheira de vida.”

Quanto ao Padre Márcio, ele fez um belo sermão no ato de sua celebração no velório. Suas palavras foram coincidir com esclarecimentos que Deus me permitiu alcançar até então: “Morte é Vida”. Não somente eu entendi essa revelação bombástica como várias pessoas me deram a oportunidade de ser ouvinte de seu comentário naquele momento. Vou citar apenas uma, a minha prima Maria das Graças Sá Duarte, que foi companheira fiel e gentil do saudoso Sebastião Cândido Duarte, primeiro filho de Tininita.

Nada mais a dizer, senão repetir as suas palavras no idioma francês, em melodia que cantou quatro dias antes de sua partida, no domingo, 10 de abril passado, gravadas por sua netinha Laís. Dia 13, quem acompanhou a descida do esquife ao seu túmulo final, teve o privilégio de ouvir a sua doce voz. Emoções sobre emoções. Indizíveis...

AU CLAIR DE LA LUNE

Au clair de la lune
Mon ami Pierrot
Prête-moi ta plume
Pour écrire un mot
Ma chandelle est morte
Je n’ai plus de feu
Ouvre-moi ta porte
Pour l’amour de dieu

Au clair de la lune
Pierrot répondit
“Je n’ai pas de plume
Je suis dans mon lit
Va chez la voisine
Je crois qu’elle y est
Car dans sa cuisine
On bat le briquette

Au clair de la lune
L’aimable Lubin
Frappe chez la brune
Elle répond soudain
Qui frappe de la sorte?
Il dit à son tour
Ouvrez-moi la porte
Pour l’amour de dieu
Au clair de la lune
On n’y voit qu’un peu
On chercha la plume
On chercha le feu
En cherchant d’la sorte
Je n’sais c’qu’on trouva
Mais j’sais que la porte
Sur eux se ferma
Au clair de la lune

Pierrot se rendort.
Il rêve à la lune,
Son cœur bat très fort;
Car toujours si bonne
Pour l’enfant tout blanc,
La lune lui donner
Son croissant d’argent

TRADUÇÃO

À Luz Da Lua
Ao luar
Meu amigo Pierrot
Me empresta sua pena
Para escrever uma palavra
Minha vela apagou
Eu não tenho fogo
Abra sua porta
Pelo amor de Deus
Ao luar
Pierrot respondeu
"Eu não tenho pena
Estou na minha cama
Vai ao vizinho
Acho que ela está lá
Pois na sua cozinha
Ela risca o fósforo
À luz da lua
A amigável Lubin
Bateu na casa dela
Ela responde, de repente
Quem bate na porta?
Ele diz, por sua vez
Abra-a para mim
Pelo amor de Deus.
Ao luar,
Nós só podemos ver pouco
Eles procuraram a pena
Eles procuraram o fogo
Na tentativa de encontrar
Eu não sei se a encontraram
Mas sei que a porta
Deles se fechou

Ao luar
Pierrot voltou a dormir.
Ele sonha com a lua,
Seu coração bate forte;
Pois sempre é tão bom
Para a criança enquanto o branco
O luar lhe dar
Seu crescente prateado.