quinta-feira, 14 de março de 2019

RECADOS DO ET AO MUNDO

Faz três meses, acho que sim, não falo com o ET. Ele me atendeu no início de janeiro deste complicado ano de 2019 para uma entrevista  concedida à luz de velas, num beco sem saída de Itabira. Ele gosta de lugares baldios, pouco frequentados, além de sua preferência lúgubre por horas avançadas, mais precisamente por volta das meias-noites, quando os vampiros e as assombrações, segundo Machado de Assis, fazem qualquer durão das pernas tremer até os pés. Só que hoje as almas do outro mundo sumiram de nossa imaginação retardada. Pensam que ficamos mais espertos.

Não aprecio voltar constantemente a temas já focalizados. Tento passar para outros assuntos, diferentes, mas o meu amigo Extraterrestre é obsessivo, adora bater nas mesmas teclas. Até que explica o porquê dessa sua até certo ponto chata insistência. Diz que o homem está na face do Planeta Terra para resolver um monte de problemas, mas não atinge o seu objetivo pelo fato de fugir do que de sua real função. Pede que eu escreva com letras maiúsculas: QUESTÃO NÚMERO UM, A ORIGEM.

Tentei de várias formas obter dele uma dica sobre a busca deste primeiro desafio. Ele insistia no seguinte argumento: vocês mesmos, os terrestres, precisam descobrir, por técnicas próprias, os sintomas e, depois, a realidade desta questão primeira. Ele permaneceu  assim fazendo insinuações, rodeando as soluções, forçando para que nós, animais racionais ou mesmo irracionais em determinados momentos, tenhamos a mínima inteligência para encontrar o fio da meada.

O ET tomou definitivamente a palavra e, assentado no meio-fio, sem o mínimo conforto como ele nem liga, começou a falar, vendo que eu gravava até seus soluços a arrotos: “Vamos à origem. Já me cansei de dizer que enquanto não se descobrir a origem do ser humano e sua função no lugar onde está, não haverá a possibilidade do acerto”. Tais palavras nos garantiam o direito de raciocinar, ou seja, concluir que até agora, decorridos bilhões de anos em que o ser humano está no Planeta Terra, nós humanos só aprendemos a voltar atrás, ou seja, a desistir do que sabemos de pouca em pouca passada.

Mas continuemos ouvindo o morador de outro planeta (não me fala mesmo de onde é, mas desconfio que seja de Júpiter). Fiz-lhe uma pergunta:
— Como se chegar ao entendimento da origem da vida, do mundo, do ser humano, de animais e vegetais?
Resposta mais que clara do habitante de outros mundos:

— Você tem de juntar hipóteses diversas, possíveis, observando o que aprendeu na vida como quebra-cabeça. Com elas, caminhe para estabelecer uma tese. Procure juntar as teses dentro de lógicas, aproveite muito os conhecimentos adquiridos em sua jornada até agora. Depois veja se consegue fazer uma proposta para formulação de  leis naturais. Anote no seu caderno: H (hipóteses) + H + H (o quanto quiser) = T (tese). A Tese lógica torna-se uma proposta de LN (Lei Natural). A lei, seguida ao pé da letra, leva você a se descobrir. Toma um senhor susto, mas tudo bem, é bom assim. E vai colocando à prova as leis que as hipóteses e as teses apresentaram.



— Você me daria a colher de chá de um exemplo?
— Sim — palavra extraterrestre — admita que você vive porque quis viver; quis viver para aprender; aprender para igualar-se a uma inteligência superior. Tudo isso são hipóteses e delas se forma uma tese; a tese seria, neste caso, o seguinte: a vida é um período que acontece por nossa opção, temos funções várias a executar; seremos felizes se descobrirmos se fizermos o que nós próprios estabelecemos.

— Obrigado, prezado ET, por hoje. Quer concluir?
— Sim, quero e preciso: mando um recado aos seres viventes.  É o seguinte: se não abrirem os olhos por amor, por busca incessante, por quebra da preguiça, por coragem, abrirão por dores atrozes. Vocês terão muitas amarguras, chacinas, desgraças,  sofrimentos cruéis, caso prefiram se manter de braços cruzados. Entendido? Transforme o que acabo de dizer em mais uma lei natural e pratique a lei. Fim de papo por hoje.

José Sana

14/03/2019

segunda-feira, 11 de março de 2019

CARNAVAL: FIM DE UMA FESTA QUE JÁ FOI INTERESSANTE


Antes que meia dúzia de leitores venha me proclamar antigo, reforço a opinião de cada um: sou anterior às Inconfidências Baiana e Mineira, à Guerra do Paraguai, a todas as ditaduras brasileiras e estendo essa antiguidade ainda mais: venho do período do entrudo português nos tempos do Brasil Colônia. Aí, dispenso qualquer tipo de antecipação sobre a minha mente ligada ao passado.

E é exatamente por causa disso que me sinto um tanto quanto credenciado a falar da festa de momo, muitas vezes lembrada como cultura  mas sempre com um viés distorcido para o lado oposto. No Brasil, o tipo de carnaval dos umbigos de fora começou no advento da televisão, até certo ponto muito recente porque foi o anteontem de nossa história.

O tempo em que vivi, muito antes da televisão, se havia devassidão ela se confinava nos salões chiquérrimos das grandes cidades e nunca nos recintos modestos que frequentei. Tão contundente era a escola com aulas de  pudor que até me lembro de um “escândalo” da época, divulgado na transmissão da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (estão vendo como sou antigo?), uma modinha que guardei no recôndito mais atento da memória:

“Na minha casa não racha lenha./
Na minha racha, na minha racha./
Na minha casa não falta água. / Na minha abunda.”

“Ah! Antigamente é que era bom!”. Quando alguém com mais de 60 anos faz essa afirmação é imediatamente chamado de saudosista, desatualizado e de tantos outros adjetivos deprimentes. É claro que não pretendemos voltar a brincar com lança-perfume, bisnagas e vestindo smoking. Apenas lembrando como o carnaval caiu no termômetro cultural, no Rio de Janeiro, talvez a sua capital mundial, em cuja Cidade Maravilhosa predominava o culto de Machado de Assis, caiu essa característica, inesperadamente, para  a baixa literatura dos gandaeiros. Para salvar tal situação, inventaram termos  como “nu da arte”, “beleza intocável”, e outros mais, surgindo a tal Globeleza, símbolo de uma época que se desembarcava do puritanismo.




Carnaval seguido por carnaval, umbigos passaram a nem ser vistos mais, nem focalizados pelas câmareas, nenhum existe. Se até meados do século XX  e, em grande parte, a gente brasileira vivia a repressão do erotismo e transformando interesseiramente a nudez em arte, a partir dos anos 1960 observou-se uma clivagem. O corpo despido lentamente se disponibilizou. Lentamente, também, caíram os panos. A nudez deixou de ser sinônimo de proibição até mesmo sem arte e tudo o que dissesse respeito à sexualidade começou a ganhar o centro da vida social, servindo  também  às estratégias de consumo.

Estourou 2019, vamos chegar aqui rapidamente para que este texto não dure tanto. Houve, então, um salto de fazer inveja a Sodoma e Gomorra. O desbandalho foi escandaloso de abalar céu, purgatório e inferno, como dizem por aí . Nem sou capaz de escrever o que vi, todos viram, muito além daquilo que o presidente Bolsonaro, a meu ver inadequadamente, no calor de seu susto, postou nas redes sociais  e que recebeu hipócritas críticas de vários jornais do mundo, sem contar de alguns brasileiros igualmente perdidos no jardim da falsidade chamada ideológica e que não passa de completa proclamação da hipocrisia, do “faça o que falo mas não faça o que faço”.

Só tenho a dizer que o carnaval definitivamente acabou, foi  sepultado pela depravação, também embalado por algumas expressões que são simplesmente homofobia, ideologia de gênero e outras mais. Como escrevi acima, não vou citar o que vi, tenho extrema vergonha de nossa raça chamada humana, muito mais horrenda que a dos irracionais pelo que se expôs neste tempo que precisa ser esquecido.

Não se pode censurar, é contra a democracia. Imitar o presidente até eu condeno, o certo são aqueles espantalhos expostos em posição que Napoleão perdeu a guerra, de vista escancarada para o deprimente, em plenas praças públicas. O que precisamos assumir, no ver dos babacas internacionais, nacionais, estaduais e municipais, é fazer de conta que tapamos os olhos e enxergar tudo com natural vergonha na cara. E o futuro? Definitivamente não haverá. As gerações que vêm perderam o direito de viver por culpa dos covardes e (ir) responsáveis causadores do caos.

Sem contar a falta de vergonha mencionada, levando para o lado da imbecilidade dos interessados em cenas promíscuas entre seres humanos de ambos os sexos, repetidos e horrorizados, há o mesmo processo dos umbigos, que não são vistos mais: a libertinagem arrasa com o desejo sexual e aí é o fim do fim. Caso em 2020 venha esse tal de  progresso pregado pelos imorais como “evolução”, a partir de então teremos de mudar também o Código Penal (CP) que se refere ao crime do atentado ao pudor.

O CP trata tais crimes contra os costumes, classificando-os, nos vários capítulos, e chegando ao ‘ultraje público ao pudor’. Incluem-se todos os termos do título, revogam-se todas proibições ao contrário e entraremos definitivamente na classe dos vira-latas de esquina e gatos de telhado, irracionais por obrigação e dever de ofício.

Adeus, mundo retardado e besta!

José Sana

Em 11/03/2019


P.S.: No meio desse clima ignóbil citado acima, quero destacar uma bela exceção. O positivo que houve cumprimento com minha simplicidade: o casal amigo, Márcio Passos e Eloíza Passos, conhecido de nossas rodas de João Monlevade e Itabira, que desfilou em alto estilo no carnaval carioca da Viradouro, escola classificada entre as primeiras na Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro. Eterna homenagem ao belo que precisa ser preservado. Parabéns!



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O MUNDO É UM GRANDE FERRO-VELHO



Assusta-me por demais a ignorância humana. Recebemos de Deus um mundo para consertar e só o atrapalhamos. Passo algum é dado no caminho do desmanche desse ferro-velho de questões que se tornaram e se tornam praticamente insolúveis. Há sempre esperança de que tudo melhore, mas ninguém vislumbra luz no fim do túnel. Nostradamus previu que viveremos mil anos de paz. Contudo, somente depois de uma hecatombe terrível. E eu pergunto: quem topa enfrentar uma carnificina mundial?

É lei de há muito escrita em nossos compêndios de cultura e inteligência que todo efeito tem causa. Mas o ser humano nunca topa buscar a causa do mundo. Seria muito mais que necessário saber o porquê de tudo. Indispensável. Todos nós, governantes e governados, só buscamos assentar a poeira, puxar o tapete e nos estender numa sombra de sossego. Um aviso para quem quer buscar a origem do mundo: basta ter coragem e humildade. Com dispensa de diploma de cientista.

Impressionante como cada um de nós aplica sentenças em cima de ideias balofas. Queremos resolver tudo na base do “pros cocos” ou “bumba-meu-boi”. Nenhuma paciência na busca de origens. Para entender isto, basta nos recorrer ao exemplo que a medicina nos fornece. Quando vamos ao médico e queixamos algum mal que nos aflige, ele quer, inicialmente, buscar a causa da desarmonia. Para alívio geral de dores ele receita remédios que são remendos, mas solicita imediatamente exames. Por meio dos resultados, emitidos por laboratórios pode ele saber como eliminar o problema que levou esse paciente à procura de um consultório médico.

Com este exemplo escancarado às suas vistas, o ser humano, seja um cidadão comum ou um detentor de poder, insiste em ingerir analgésicos. E sequer pensa que tal medicação não passa de engambelo. Acaba o problema momentaneamente, mas não corta o mal pela raiz. Assim caminha a humanidade. Assim chegamos a um topo de pacotes de questões. E sequer topamos parar para pensar. Assim só vamos nos afundando, enquanto o ferro-velho cresce como uma barragem da Vale. Um dia vai estourar, um dia vai nos arrebentar.

Dia deste um amigo me disse que o mundo é uma ratoeira cheia de ratos. Só crescendo. A reprodução, segundo ele, ocorre com ratazanas cheias de vontades de se multiplicarem e sequer sem saber que Malthus (1766-1834) morreu mas deixou as suas ideias, apenas colocadas de lado, mas que sempre voltam à tona: disparidade entre o crescimento demográfico e a produção de alimentos no mundo. Mas não somente a fome nos ameaça. O grito fatal se chama ignorância, preguiça e medo e inabilidade para respeitar a natureza. Será que Nostradamus tinha razão sobre  primeiro horror depois a paz?. E quem vai sobrar para contar como foi a catástrofe?

José Sana

Em 28/02/2019

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

NÃO SOMOS MESMO UM POVO SÉRIO

A palavra carnaval é originária do latim, “carnis levale”, cujo significado é retirar a carne e está relacionada com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundanos. Isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar os festejos de muita libertinagem como uma festa pagã. Nos tempos atuais, começam distribuindo preservativos, o que quer dizer “façam à vontade”.


Seja como queiram interpretar, carnaval é mesmo algo ligado a orgias, perversão, comemorações por motivos diversos, fantasias, irrealidade. Tais festas sempre foram tidas como pagãs pelo cristianismo. Nessa concepção, havia a crítica da inversão de valores e das posições sociais, pois, para a Igreja, ao inverter os papéis de cada um na sociedade, mudava-se em 360 graus também a relação entre Deus e o demônio.

Não vou entrar nesse pormenor, mas apenas reafirmar que se trata de festa de júbilo, comemoração, alegria, busca da irrealidade. Vou apenas lembrar o tanto que foi repetida uma frase, atribuída a Charles De Gaulle, presidente da França, na década de 1960, referente ao Brasil, encaixada entre dois episódios. Um, de um quase enfrentamento entre Brasil e França devido a uma crise diplomática por causa de pesca da lagosta no litoral do Nordeste brasileiro; o outro episódio foi encaixado nos dias e até meses em que o ser (des) humano se mergulha em festas carnavalescas. De Gaulle teria proferido esta frase: “Le Brésil ne pas un pays sérieux” (O Brasil não é um país sério).




Quem se aventura em elevar esta frase ao patamar dos sentidos humanos sou eu e mais uma meia dúzia de seres humanos. Acreditamos que não deveria se realizar o carnaval, pelo menos em Minas Gerais, neste conturbado ano de 2019. Neste caso não me refiro ao carnaval custeado por dinheiro público, que nunca deveria mesmo se realizar. Trato neste momento da tragédia que atingiu, em cheio, o coração dos mineiros: o estouro da barragem de rejeitos de minério de ferro da Vale em Brumadinho, fato mundialmente chamado de  maior desastre ecológico e humano do Brasil em todos os tempos.

Quantas vidas se sucumbiram ao desastre? Não se sabe. Dizem que foram mais de 350, entre mortos e desaparecidos. Conversando com cidadãos que estiveram na região da tragédia nos últimos dias, comentários são frequentes de que entre 700 a um mil pessoas estão sumidas. Considero uma grande falta de inspiração não ter sido realizada ainda, de preferência sob o patrocínio da Prefeitura de Brumadinho, uma espécie de senso demográfico para se apurar, com segurança, quantas almas partiram para o além nessa tragédia incomum. E, enquanto isso não ocorre, teria que ser cancelado, como medidas de total respeito aos mártires que deram a vida há  um mês para que os possamos debruçar na realidade, refletir e decidir o futuro da mineração em Minas Gerais.

Podem me crucificar por escrever isto. Sei que a maioria não aprova tal ideia. Quanto mais opiniões contrárias surgirem, mais claro fica que carnaval é para momentos que merecem aplausos, comemorações, surrealismos. Está na hora, sim, de continuarmos com o choro pelas vítimas indefesas e tentarmos, pelo menos, tocar a sensibilidade dos que preferem dizer que a vida continua. Vão me pregar numa cruz simbólica quem me lê agora. Eu mesmo busco madeira, pregos, arame farpado, martelo e alicate. Vamos adiante. Mas engulam o que vou repetir: este, além de não ser um país sério, chega a sugerir que estamos  numa terra de animais desumanos e ferozes, que nem precisam viver uma quaresma para que se intitule bicho-homem. Completo e vergonhoso.

José Sana
25/02/2019

sábado, 23 de fevereiro de 2019

CABRITO VIRA CONSULTOR E AZUCRINA MINERADORAS

Até que enfim o Cabrito teve vez e encontrou uma colocação que pudesse lhe pagar na sua moeda corrente, fechos verdes de capim.  Faz mais de 50 anos que ele não consegue um emprego nem de contínuo de ajudante de serviços gerais. Agora se assusta com um convite inusitado: torna-se consultor para direcionar as iniciativas certas e incertas de mineradoras.

Quem o convida - e ele aceitou logo, logo, logo -  foi a conhecida empresa Companhia Rio do Vale Amargo (CRVA) que  havia detonado Mariana como ensaio de preparação. Então, resolve abrir as comportas de Brumadinho em ato solene e inesquecível. No primeiro evento, comandado diretamente de Bento Rodrigues, passagem da Estrada Real, houve um controle de situações: morrem somente 19 pessoas, mas milhões de peixes são punidos dentro da lei chamada “o justo paga pelos pecadores”, além de outros componentes da fauna e  toda  flora, até o oxigênio do então rico Rio Doce que se torna agora e oficialmente Rio Amargo. 

Porquanto, tudo desanda: sabe-se que padecem para sempre 176 humanos e praticamente o mesmo tanto desaparece no meio daquela lama insondável e infinita. Para a justiça dos seres humanos, o restante sumido não vive, mas também não morre, ou seja, encontra-se em lugar incerto e não sabido, no vale do muito antes pelo contrário ensinado pela classe política.

No seu primeiro dia de trabalho, reunido com os senhores proprietários de ideias malucas, o Cabrito deu a dica: vamos começar assim, assim, assim, assado, assado, frito, falado e dito. As  ideias nascem  de sua cabeça cheia de chifres, como os chifres de veados galheios, apontando em várias direções. Baseado no seguinte pensamento: a CRVA adota a sua estratégia, que se resume no anúncio de “O Capeta não existe, mas ele pode aparecer para você”. 

Pressionado pelos demais malucos das reuniões a explicar a sua máxima para detonar o mundo ele explica: “As barragens da CRVA são seguras mas elas podem estourar”. Complementando, o Mestre Capra ou Mestre Bode ordena  que todas as barragens ou juntados de água e lama sejam montadas com sinais de pavor. E explica: tudo ao mesmo tempo em Ouro Preto, Nova Lima, Rio Acima, Itabira, Araxá, entre outras cidades, para que todos saibam que a CRVA cuida de tudo.





Estado de emergência é o nome mais bonito sugerido pelo Cabrito, imediatamente aceito pela CRVA. Depois da invenção da sirene, inspirada na trombeta do apocalipse, a determinação seguinte é criar agentes de treinamento para o povaréu seguir. Serão adquiridas bolsas voadoras, muletas motorizadas e coletes à prova de lama, além de tapa ouvido de aço e dentaduras elétricas.

Os ares mineiros estão sendo saturados de áudios que comunicam o pavor: a partir de agora todos os seres humanos, habitantes próximos ou mesmo distantes das áreas de barragens, ou auto-salvamento, terão que aprender técnicas de fuga, nadar na lama, correr como Usain Bolt, driblar pedras e barrancos como Pelé e Garrincha faziam no futebol. As recomendações incluem idosos de todas as classes, de 60 a 100 anos; portadores de necessidades especiais; aleijados, perrengues e doentes de toda natureza, cegos de um olho ou dos dois, que correrão de bengalas, e surdos que serão cutucados por espetos de assar churrasco dos compridões.

Por enquanto, fica assim: vamos aguardar novas ideias do Cabrito, sabendo-se que ele não deixará um só local sem implantar pavor, terror, alarde, alarme, aflição, preocupação, medo, intimidação, agitação, turbulência e grupos de oração e súplicas religiosas. Assim vai funcionar a técnica de mostrar que a CRVA está trabalhando lado a lado com você e espera que todos esqueçam as desgraças havidas e vividas em Brumadinho. 

A ideia de Brumadinho esquecida lembra a filosofia de Nelson Rodrigues em uma das peças de “A vida como ela é”: “A viúva vela o marido de manhã; à tarde está na porta de sua casa chupando chica-bom”. O Cabrito ensina amnésia em todos os idiomas e cumpre o seu dever.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

EU QUERO UM CANTINHO NA ARCA DE NOÉ

A mineradora agora começa outra fase de dominação. Nossas historiadoras catedráticas já revelaram detalhes delas, incluindo invasão e segregação. A antiga CVRD  trata agora de anunciar, em áudios parecidos com o que vimos naquele filme “Fuga de Alcatraz”, que você e eu estamos debaixo de barragens inevitáveis e podemos ser levados na lama e tragados por ela, para aonde não se sabe.

O Comunicado Vale é uma nota de terror. Avisa, em voz de comandante de batalhão de guerra, que a partir da próxima semana, no mês de março, a população de Itabira será visitada por um grupo de... peraí... agentes da empresa em conjunto com, sabem quem? ... peraí... Defesa Civil de Itabira, ou melhor, a imaginária Defesa Civil. Ambos, agentes da Vale e Defesa Civil, vão salvar as nossas vidas, enquanto estivermos num trajeto de dez quilômetros da região denominada “Auto-salvamento”. Aprenderemos, entre outras utilidades, as técnicas de fuga.

Vamos aprender a fugir. Tomara que não nos ensinem a fazer atos deploráveis e, em seguida, sair em desabalada correria. Tomara que bandidos não se aproveitem disso e não façam doutorado e mestrado nessa especialidade imoral da escapadela. Se você tem mais de 60 anos, como é o meu caso, restar-lhe-á (desculpem-me a fora de moda mesóclise), ou a nós, entregar a rapadura, como dizem na minha terra. O Comunicado Vale, repito, é uma nota de horror. Só faltou a assinatura de um terrorista do EI.

Por que será que a Vale resolveu fazer isso agora com a gente? O primeiro terror era que o minério ia acabar, o tal recado de nome próprio “Itabira 2025”. Não acabou o pandemônio, mas veio o aviso de que o mercado não estava nada bom para o Sistema Sul e que ela, a nossa conterrânea Vale, nascida aqui e já foi chamada de mãe e até de madrasta, vai nos deixar, pesarosa e chorosa, em 2028. Agora ela manda essa nota que, juro, me fez tremer da cabeça aos pés.

Devo ser eu um despreparado para isso. Um babaca qualquer. Medroso! Que vergonha! Nessa idade toda e com medo de morrer sufocado... Sempre tive medo de ir à guerra, confesso. Nunca me alistei em exércitos. Aliás, quando fiz 18 anos, fui ao 11º Regimento de Infantaria, localizado na Rua dos Tamoios, em BH, perto do Colégio em que estudei, o Anchieta, hoje Newton Paiva.

Empurrado por emburrados cabos e sargentos para o pátio do dito 11º RI, exigiram que marchasse como um soldadinho de chumbo. Precisava de um documento de dispensa, por isso me sujeitei a essa humilhação cidadã. Os taróis tocaram e marchamos. Tentei não rir, mas, segurar como? Depois berraram o “Alto”, “Sentido”, e gritaram um “Direita Volvei”, em seguida “Esquerda Volvei”. Finalmente, “Descansar”. Em tal ocasião, precisei marchar errado, o que sabia fazer certo, para ganhar a dispensa chamada “Certificado de Reservista”, sem o qual papel, assinado e carimbado, empresa nenhuma me aceitaria como funcionário.

Foi um terror e agora outro terror se apodera de meus nervos. Naquele tempo temia ir para o Exército. Agora estão me convocando de novo. Quem diria! O medo não acaba. Alguém vai me acalmar, além dos agentes imaginários e inadmissíveis? Podem confirmar se a Arca de Noé, que salvou parte da humanidade nos tempos bíblicos, será de novo acionada? A Vale vai montar essa grande barca para salvar tantas e tantas milhares de vias? Será que tem lugar para todos nós? Quanto somos? Eu prefiro essa arca a ficar exposto a ordens de suspeitos e destreinados agentes.



Charge de Duke do Jornal O Tempo de 22/02/2019

Agora me vem um secretário do governo mineiro e diz que a operação “área de auto-salvamento” da Vale é um teatro para tirar o foco de Brumadinho arrasada, onde o número de mortos confirmados é mais ou menos a metade dos que se estima terem desaparecido, ou seja, cento e bordoadas. E vêm ainda os agentes da mineradora para nos ensinar a ouvir sirene (adianto que tenho problema de audição), ou será mesmo a trombeta do apocalipse que soará na calada da noite? Que noite é essa? E correr (ainda bem que minha perna sarou da dor no joelho). Subir em árvores ( já treinei muito esses dias). A solução é cair fora, vazar, como diz o mineiro. Não avisei que tinha coisa pior que exaustão mineral?

Não tem ironia neste texto. É tudo pura verdade o que rabisco de mãos trêmulas. Estou mesmo é com medo, volto a dizer. Seja o que Deus quiser. Espero que Ele prepare um destino mais agradável para todos nós, incluindo você que nem sei o que pensa.
 Amém!!!

JOSÉ SANA
22/02/2019

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

ARGUMENTOS DE UM DEFENSOR DA VALE E RESPOSTAS

Um longo texto circulou nas redes sociais nos últimos dias. Seu título: “UM DEPOIMENTO A FAVOR DA VALE  E DOS EMPREGADOS PRESOS”. Como se vê, esta sequência  da CATEGORIA DOCUMENTÁRIO teve que ser alterada em função de ocorrências que não estavam em nossos cálculos, relativas à vulnerabilidade das barragens, tendo como destaque o tema que abalou Minas Gerais, o Brasil e o mundo: o rompimento da Barragem de Brumadinho (MG).

O texto é abordado neste capítulo, considerando a sua repercussão e a necessidade de explicações. Vamos aos pormenores, deixando claro que a abordagem continuará no próximo capítulo.

UM LADO — Por que tanto ódio contra a atividade de mineração por parte do Ministério Público, da justiça, da imprensa, das ONGs e até da comunidade de uma forma geral?

OUTRO LADO  — Se existe o ódio deve ter sido provocado pela gravidade do problema: ceifou centenas de vidas, destruiu a natureza em muitos e muitos quilômetros e nem se sabe, por enquanto, a dimensão dos estragos. Há uma comoção pública pelo que aconteceu.

UM LADO — Por que reações como essas posteriores aos acidentes de Mariana e Brumadinho não ocorrem quando acontecem acidentes aéreos, por exemplo, ainda que com muitas mortes e até mesmo com a contribuição de falhas humanas? Talvez porque a sociedade entenda que a aviação é uma atividade necessária e que traz benefícios à todos, mesmo com riscos de acidentes ocorrerem? Assim, mesmo após um acidente aéreo de grandes proporções, praticamente nada acontece contra a indústria aérea e todos continuam viajando normalmente como se nada tivesse acontecido. E as empresas aéreas, mesmo que tenham contribuído de alguma forma para o acidente, acabam não sendo punidas.

OUTRO LADO  — Quando nascemos, recebemos na natureza uma sentença de morte. Ninguém a leva em consideração. A luta pela vida começa exatamente no instante em que somos gerados, crescendo sempre mais depois do nascimento. Viver é perigoso. Há um risco maior naquilo que podemos evitar, ou seja, que o que é chamado a atenção por prejudicar a saúde. Exemplos: ingerir bebidas alcoólicas, fumar, usar drogas,  consumir alimentos perigosos etc. Ao virarmos a Serra da Boa Esperança precisamos ficar atentos. As especialidades médicas que confirmem esta verdade. A aviação é um risco como a vida, como andar de carro é arriscado, como montar um cavalo idem. A mineração tem uma série de riscos que crescem como uma doença no seio da sociedade. Por agredir claramente a natureza, desequilibrar o meio ambiente, ela deveria e deve chamar mais a atenção. No caminhar do tempo ela se agrava. Daí a revolta dos que esperam maior desvelo das autoridades e das mineradoras.

UM LADO — Os danos ambientais causados por estes recentes acidentes são inegavelmente imensos, mas possíveis de serem minimizados e controlados, basta ver a situação atual da região afetada pelo desastre de Mariana.  Se compararmos com o agronegócio, os danos ambientais causados por ele  são muito maiores do que aqueles causados pela mineração. Um exemplo é o que acontece com o crescente e descontrolado desmatamento na região amazônica. No entanto, o agronegócio é festejado pela imprensa com mensagens como “agro é pop, agro é tech, agro é tudo”.

OUTRO LADO  — Vou recorrer a uma mensagem vinda de morador de Mariana que retratou a situação que essa pessoa vê... Leiam: “As comunidades ribeirinhas estão abandonadas. O povo padece. Muitos ficaram cegos, houve suicídios, número altíssimo de depressão, doenças de pele e outras, sem nenhum tratamento ou medicação. Sem ter o que comer e até como sobreviver. Pior. No início foi uma febre. Todos querendo ajudar. Depois caíram no esquecimento. Algumas igrejas evangélicas é que fazem um trabalho de missões junto aos totalmente esquecidos. Não pode ver somente a área central e as não atingidas como referência. O importante é acompanhar as atingidas. Essas, sim, estão em estado degradante. Nem prefeitura, nem Vale, nem governo, ninguém. Só mesmo Deus”.Narrada uma visão de Mariana. E o Rio Doce? Não é mais doce. E com ele degradou-se a biodiversidade à volta de todo o ecossistema.

UM LADO — Quanto às mortes causadas pelo rompimento dessas duas barragens, os números são absurdamente altos e definitivamente tudo que for preciso terá que ser feito para que outras mortes não aconteçam por motivo semelhante. A Vale tem por obrigação arcar com todos os custos decorrentes dos acidentes e a indústria da mineração como um todo não terá outra chance de errar. Devemos nos lembrar, porém, que uma grande quantidade de mortes, muito maior do que aquelas ocorridas em Mariana e Brumadinho,  ocorrem por descaso do poder público. Não é preciso ir muito longe apenas para citar o que acontece nas BRs 381 e 040 perto de Belo Horizonte, mas nem por isso o MP interdita as estradas ou manda prender os responsáveis, pois os seus membros entendem que estradas são necessárias, ainda que em condições precárias, e por isso aceitam correr riscos.

OUTRO LADO — O autor do texto se mostra com razão quando se refere à violência nas rodovias. Mas não pode culpar senão ao que ele não citou e cometeu tal erro: os políticos. São eles os verdadeiros culpados. Vê-se o quanto a corrupção vem se alastrando por este Brasil afora. Sabe-se que muitos milhões de dólares serviram até para grandes obras em outros países da América Latina. E somos nós, brasileiros, obrigados a engolir a explicação da falta de dinheiro, verbas, recursos. É bom que ele faça uma revisão no seu texto e inclua: presidente da República, ministros, senadores, deputados federais e estaduais, governadores, prefeitos e vereadores. Só não se explica — porque o erro, como o crime, não se justifica. As mortes prematuras são irreversíveis e só servem como exposição de mártires.

UM LADO — Por que então esse mesmo comportamento não se aplica à mineração? Será  porque pensam que ela não é tão útil para a sociedade como a aviação, o agronegócio ou o transporte  público? Será que os promotores  não se lembram de que o aço dos seus carros ou o tijolo das paredes de suas casas têm a sua origem na atividade de  mineração?

OUTRO LADO — Acredito que a resposta a esta questão foi dada no item anterior.

UM  LADO — Talvez nem todos saibam, mas não é possível mudar a localização de uma jazida ou mina e, por isso, nem sempre elas estão nos lugares ideais. Em muitos casos, como na cidade de Itabira, por exemplo, a mineração chegou primeiro e as cidades cresceram ao seu redor, sem que o poder público tomasse qualquer providência no sentido de garantir a segurança dos moradores.
OUTRO  LADO — “Itabira, na década dos 30, era uma cidade amável e pacata. A sua topografia acidentada dava-lhe um aspecto de presépio. Ruas tortuosas, calçadas de ferro, grimpavam a serra, com seus velhos sobradões coloniais, arrimando-se uns aos outros” (ALVIM, 1980. p.11).

“Itabira é uma cidade típica mineira; mineira de Minas Gerais e das minas de ouro, minério de ferro e pedras preciosas. Nascida no século XVIII com a exploração do ouro, Itabira consolida-se como uma cidade monoindustrial a partir da instalação da Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, quando essa empresa passa a predominar na economia e a influenciar os demais aspectos da vida local.” (SILVA, 2004, p.22).

“Outra característica é que, quando a CVRD se instala, a cidade já se configurava como um espaço urbano construído a partir de atividades econômicas como a exploração (rudimentar) de ricas jazidas de ouro e de minério de ferro, siderurgia incipiente (pequenas forjas), agropecuária, indústrias têxteis, atividades culturais, dentre outras”  (SILVA, 2004, p.22).

“Apesar das narrativas sobre a história de Itabira acentuarem uma controversa estagnação econômica com declínio da exportação de ouro entre os anos de 1870 a 1910, a economia extrativista se manteve ininterrupta através das companhias inglesas, autorizadas a operar em Itabira desde 1820” (FERREIRA, 2025, p.61),

“De 1705 a 1942 temos os interesses econômicos e políticos imperiais circunscrevendo, inventariando, planejando, determinando e executando projetos para Itabira” (FERREIRA, 2025, p.65).
“Haverá uma terceira e diversa Itabira? Meu Deus, como me doeria responder sim à pergunta, e confessar que em 1933 o antigo menino da Rua Municipal foi encontrar a sua cidade habitada por um pelotão de velhos, que nada poderiam dizer, e por um exército de rapazes e meninas, para os quais não tinha nenhuma mensagem (FERREIRA, 2025, p.72 apud Andrade, 2002, p.574).

“Até a década de 1940, Itabira era uma pequena cidade com uma população urbana de 6.254  habitantes (rural de 11.792) , isolada no interior de Minas Gerais, apesar de possuir um espaço urbano e uma sociedade estruturada. Existiam várias escolas de primeiro e segundo graus, teatro, clubes, jornais e uma elite que acumulou riquezas com a exploração de ouro, de ferro e outras atividades econômicas” (SOUZA, 2007, p.43).

“Os bairros  operários  situavam-se próximos às minas de Conceição e do Pico do Cauê, obedecendo a uma lógica empresarial que disponibilizava e deixava  em prontidão os operários, trabalhadores essenciais ao funcionamento dos equipamentos industriais como> mecânicos, escavadeIristas, tratoristas, entre outros” (SOUZA, 2007, p.75).

“Para Piquet (1998), em Itabira, diferentemente de outras cidades, o espaço urbano não foi edificado em torno de instalações industriais. Foi a indústria extrativa que se instalou junto à cidade que se expandiu em decorrência da atividade da empresa mineradora.” (OLIVEIRA, 2008, p.39).

De acordo com as informações, o que todo mundo já sabia e sabe, menos o autor da defesa da Vale: Itabira tem mais de 300 anos, enquanto a Vale deve chegar aos 77 anos em junho próximo. E a invasão da mineração na cidade foi feita pela própria empresa. Então, fica incontestável a afirmação de que a Vale chegou muito e muito depois de Itabira e que promoveu a invasão, segregação e dominação.







PRÉ-CONCLUSÃO  —A Defesa Civil do Município de Itabira não tem nada a informar ou esclarecer à população, já que a Vale S/A garantiu aos vereadores que cumpriu suas obrigações legais ao entregar para a Prefeitura de Itabira e à Defesa Civil os Relatórios/Planos de Ação de Emergência das suas barragens em Itabira... (Nivaldo Ferreira dos Santos).

Em visita ao escritório da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil foi constatado que a Defesa Civil são duas funcionárias de plantão esperando chuva. Se a barra pesar, chamam quem pode para socorrer quem está n'água. Sobre barragens entendem menos que eu. Mas o pessoal de Serviços Urbanos vem e se confessa nas nuvens. Vamos procurar outra praia. Ninguém detém a Natureza em fúria (Cidadão A)

É urgente que a Prefeitura estruture adequadamente a Defesa Civil do Município e fiscalize efetivamente as barragens, elabore o Plano Municipal de Contingência para Barragens e cobre da Vale o apoio técnico e financeiro, que já está previsto em normas legais... (Nivaldo).

ANÁLISE E CONCLUSÃO — Ficam para o próximo capítulo depois da sequência deste tema.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVIM, Clóvis. Escritos Bissextos. Belo Horizonte: Vega, 1980, 176 p.

FERREIRA, Ana Gabriela Chaves. Mineração em serra tanto bate até que seca - A presença da Vale em Itabira para além do desenvolvimento dos conflitos ambientais. Belo Horizonte: TCC, 2015, 134 p.

SILVA. A Terceira Itabira. São Paulo: Editora Hucitec, 2004, 256 p.

SOUZA, Maria do Rosário Guimarães de. Da Paciência à resistência: conflitos entre atores sociais, espaço urbano e espaço de mineração. São Paulo: Aderaldo & Rothschild Editores, 2007, 176 p.
Fotos: Notícia Seca/Divulgação

José Sanas
20/02/2019