sábado, 15 de fevereiro de 2020

ITAMBACURI JÁ! VAMOS TODOS DE MÃOS DADAS

Ser tio ou tia é sublime. Melhor só mesmo a vida de  sobrinhos, cercados pelos entes superiores como ilhas que não detêm o amor e a dedicação. Um tio é um pai de reserva em atividade; uma tia, uma mãe especial. Rejubilo-me porque em minha vida sempre foi e é assim: os meninos eram e são cuidados pelos pais e paparicados por avós e tios.


Fiz este preâmbulo para dizer que, no dia 14 de março vindouro, deste ano arredondado de 2020, a nossa querida nonagenária — e Tia até dos que não são consanguíneos —, Irmã Míriam de Almeida, completa 70 anos de extrema ligação à Congregação das Irmãs Clarissas Franciscanas. Então,  convoco, assumindo a condição de  um dos mais velhos sobrinhos dela — em minha frente somente Maria Geralda, José Flávio e Dezinho, não me esquecendo de Sebastião (in memoriam) — queremos que todos estejam com ela para a missa em  ação de graças, confraternização, fortes abraços, tudo isso em Itambacuri, Minas Gerais, quase Bahia.


Meu carinho por Irmã Míriam é um pouco recente, por isso, meio tardio. E eu já pedi a ela o irrequieto perdão, que mo concedeu devidamente embalado em  caixa  cristã.  Valeu, acredito, porque acordei a tempo, e esse fervor começou, graças a Deus, no tempo necessário para agradecer  pelo que ela fez por todos, começando por suas sobrinhas Maria Geralda, Maria Cândida, Raimunda, Maria das Graças, acolhidas nas décadas de 1950/1960  no Colégio da cidade, onde nossa Tia esteve e está com saúde no corpo e na alma. E sem contar quando todos nós éramos bebês peraltas, depois adolescentes desajuizados.


Há exatos nove anos frequento Itambacuri, ou melhor, o convento onde mora minha Tia. Muito pouco, reconheço. Tentando recuperar o tempo perdido,  dedico-me muito a conversar com ela, ouvir histórias da família e suas.  Muito do que sei ouço de suas doces e francas palavras. E quão genuínas são!


Irmã Míriam me conta velhos casos e causos de seus pais e avós, alguns  que não pude conhecer por imposição  de nossas idades. Super interessante é saber que Vovô Godó e Vovó Sinhá (quando esta faleceu eu tinha apenas um ano e meio) tiveram 15 filhos. Aposto que meus irmãos e primos nem sabiam disto. Os herdeiros deles que conhecemos foram Maria Jacintha, Zezé, Tãozinho, Luzia e Godofredo, todos falecidos, além de Irmã Míriam e Domingos, esses que nos alegram com suas presenças. A matemática informa: quando começou a nossa geração, Godó e Sinhá tinham perdido nada menos que oito descendentes.


Evento recente (nossas Bodas de Ouro): Marlete, Ir. Míriam,
 José Sana e Godofredo (Jr. Foto Arte)

Irmã Míriam narra fatos políticos,  religiosos, oferece informações sobre a vida daquele, seu pai, que foi um líder realizador e doador de benefícios à terra natal. Imaginem que Seu Godó  forneceu energia elétrica para todo o arraial e manteve, por longos anos, uma banda de música, herança de seus antepassados portugueses. A corporação musical,  chamada por todos, em tempos mais distantes, de  “Furiosa” — e ele era quem ficava furioso pelo apelido — representou  mais uma oferenda ao povo de São Sebastião do Rio Preto. Na última geração da banda, nós, os sobrinhos, estivemos praticamente todos, soprando instrumentos afinados ou eventualmente desafinados, mas com orgulho e dedicação.


Não tenho espaço nem plateia para ler-me ou ouvir-me e, portanto, não vou esticar estas palavras mais. Nem deveria. O que preciso registrar é apenas repetir em voz estridente o seguinte: todos juntos, de mãos dadas e coração em festa, em Itambacuri, dia 14 de março!  E estejamos, às 19 horas em ponto, na capela que ornamenta o pátio do convento, na Rua Santa Clara, também ao lado do prédio da Escola Estadual Madre Serafina de Jesus.


Que Deus abençoe todos os que me ouvirem e nos seguirem.Também os que não puderem ir. É apenas um fim de semana.  Que a nossa querida Tia continue sendo também abençoada, como sempre mereceu!


 Amém.

José Sana

Em 15/02/2020

P.S.: Dedico esta crônica à minha prima consanguínea e opcional, Anna Paula Vitor, da Lia do Emanuel (foi ela quem sugeriu estas linhas), a quem agradecemos pelo amor que nutre e transparece de seu coração pela figura amada de Tia Irmã Míriam de Almeida.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

NÃO SEJA DEPUTADO. É O FIM DA VIDA!


No meu livro (E-book) CAMINHOS PARA A VITÓRIA – Ser Cidadão, Ser Vereador, Ser Prefeito, (http://bit.ly/EbookCaminhosParaAVitoria), à disposição de quem desejar na internet, faltou uma abordagem sobre Ser Deputado. Ou melhor, não faltou, na verdade, porque qualquer cidadão sabe o seguinte: que o parlamentar estadual, ou federal, ou os dois juntos, valem menos que um vereador do mais baixo escalão. Quem não enxergou isto ainda é mudo, surdo, cego e manca de duas pernas.

Deputado é apenas um cargo de realce, que atrai olhares curiosos. Parece um semi-rei quando entra numa sala, auditório repleto de damas e senhores, palanque disputado. Todos se levantam, batem palmas, admiram, elogiam e, se está bem vestido, se é simpático, se fala bem, se isso, se aquilo, babam nas suas gravatas ou nos decotes.

Repito e sustento que Ser Deputado é menos importante que Ser Vereador. O parlamentar municipal pode fazer uma parceria com o prefeito, vai ao gabinete dele e dos secretários quando deseja, até lhe é permitido, às vezes, frequentar a sua cozinha, ser amigo da casa, abraçar as cozinheiras, faxineiras, lavadeiras, e beijar todas.

E o deputado? Esse mal, mal, mal, mal consegue marcar uma audiência de vez em quando com o governador, secretários, presidente da República, ministros. Quando consegue o prêmio leva uma lista muito comprida de reivindicações debaixo do braço, assusta a vítima, a maioria dos pedidos vai para o cesto de lixo. É muita gente pedindo, é muita chateação para ser revolvida.

Mas não vou ficar por aqui com sofismas, teorias pouco convincentes, vou provar o que escrevo, sustento e assino. Vamos aos exemplos, veremos como foram as trajetórias dos últimos deputados itabiranos. Pois bem, confiram:

JAIRO MAGALHÃES ALVES – Excelente figura humana, notabilizou-se como prefeito, fez o seu campo para deputado estadual. Foi eleito e reeleito. E só. Perdeu a terceira eleição e, depois, foi derrotado mais duas vezes para prefeito de Itabira. “Injustiçado!” – clamam  os amigos e companheiros e inserindo muitos pontos de exclamação. Verdade. Exatamente no ano em que conseguiu apresentar seus melhores projetos, várias propostas importantes, eis aí que o povo não viu, não sentiu, nem imaginou. Votou contra e fim de carreira.

OLÍMPIO PIRES GUERRA (Li) – Brilhante administração na Prefeitura de Itabira, implantou a ética, lutou por ela, fez grandes empreendimentos. Terminou o mandato com muitas realizações. Candidatou-se a deputado federal e obteve uma excelente votação. Mas, ao tentar a reeleição, que seria a avaliação de seu mandato, cheio de verbas para hospitais, entidades sociais, empreendimentos, lutas por obras, conseguiu uma série de conquistas, tudo que um deputado pode fazer. Mas...derrotado. Mais um “injustiçado” na história nossa.

LUIZ MENEZES – Prefeito de Itabira, realizou o que estava programado, cumpriu as propostas elaboradas durante o mandato, saiu muito bem avaliado do governo. Em seguida, lançou-se  candidato a deputado estadual e, como os outros ex-prefeitos, obteve votação suficiente para tornar-se deputado estadual. Cumpriu o mandato, canalizou verbas sociais, lutou pela valorização da mulher, combateu a mineração que depreda o meio ambiente, fez o possível e quase o impossível. Mais um “injustiçado”, garantem seus amigos e companheiros.

RAIMUNDO NONATO BARCELOS (Nhozinho) – Ligadíssimo a Itabira por negócios e família, foi eleito e reeleito prefeito da vizinha São Gonçalo do Rio Abaixo. Lá executou um dos mais notáveis programas de administração, fez a cidade crescer, foi beneficiado pela chegada da Vale, e soube, com muita inteligência e competência, aplicar os recursos advindos da empresa mineradora. Candidatou-se a deputado estadual, obteve excelente votação no cômputo geral, com destaque em Itabira. Tomou posse, trabalhou como pôde, encaminhou reivindicações e, como os demais, canalizou verbas para entidades as mais carentes, resolveu problemas de centenas de organizações e pessoas. Se cometeu um erro foi aliar-se ao então governador, mas precisava de benefícios. Tentou o segundo mandato e perdeu.

CONCLUSÃO – Um deputado nada manda, um deputado é um office-boy de luxo, como muitos cientistas políticos declaram, é um cargo mantido pelo povo com uma única função: mostrar para o mundo que estamos num país democrático, temos legisladores, fiscalizadores. Inertes, para completar. Somente isto.

Não sou contra a existência deles. Sou pela redução drástica no número dessa tropa imensa, que humilha a simplicidade do povo. O povo é tapeado para  bancar os “coça-sacos” oficiais. Eu diria que valeria a pena ser vereador e nunca deputado. Mas o legislador municipal precisa se também se atentar para a criatividade senão cai no nada fez e nada faz. E abraçar as cozinheiras do prefeito.

Só isso. Não seja deputado, ajoelho em vossos pés! Já fui candidato a deputado estadual, em 1982, e a federal, em 1988. Quase me elegi em ambas as oportunidades, mas graças ao bom Deus, não me foi dada a oportunidade de decepcionar a quem esperava milagres irrealizáveis. Meu nome e o dos deputados não é Jesus Cristo.

Ser Deputado é bom somente para ele, o próprio, dono do cargo, afoito a mordomias.

Ao povo, uma banana oficial e com muita força!

José Sana

Em 12/02/2020

sábado, 8 de fevereiro de 2020

PIOR MOMENTO DO TORCEDOR É QUANDO DESCONFIA SER MENOS BURRO QUE O TÉCNICO


Detesto falar mal de jogadores e técnicos de meu time em qualquer circunstância. No entanto, sou atleticano de velhas eras e estou cansado de ver se repetirem estórias sem graça, que desmascaram a nossa alegria de viver. Para mim, Rafael Dudamel, novo, mas já antigo, treinador do Galo, subiu no telhado.

Ele poderia pedir mais segurança no sótão em que está caso seu miado fosse bem agudo e pudesse ser ouvido por outro surdo mas de ouvidos desentupidos, o tal de Sette Câmara, maior culpado por ser até agora um péssimo contratador. A característica que a imprensa atribui a ele seria um estilo protetor, como de Yustrich da década de 1960, que dava bronca, mas passava a mão na cabeça dos jogadores.

Os erros de um jogo mantêm o Dudamel balançando porque foram muitos e seguidos. Olha, em primeiro lugar, levou o time para jogar na Argentina sem se importar que sofreria contra-ataques. Informando-se sobre isso, deveria ter adotado a mesma postura do Unión, ou seja, aquietar-se na defesa esperando o golpe que não viria. Quem precisava de resultado favorável era a equipe de lá, não a de cá.

Com três volantes e sem ataque, o suicídio do Galo foi claríssimo. Antes do jogo, um comentarista da Rádio Itatiaia fez uma profecia:  que o Unión é “expert” em velocidade; no entanto, acreditava que  Dudamel tivesse tomado providência. Como não tomou nenhuma medida de precaução, levou uma goleada. Só de ouvir isto, antevi o vexame.


De erro em erro, mais um foi manter o tal Di Santo no time. Aliás, nem sei como e porque trouxeram esse poste da Cemig para nos fazer tanta raiva. Em primeiro lugar, seu currículo de goleador é péssimo, algo assim: marca 2 gols em cada 80 jogos. Assistência? Ah, sim, ele é mesmo um privilegiado assistente e fica dentro de campo vendo as patadas e caneladas do time em que consegue ser o maior  cabeça de bagre.

Escalar quem com a camisa 9, se o Ricardo Oliveira vai mal? Estou ouvindo tal questionamento. É claro que o pastor atravessa fase difícil, mas vejam a sua fama: é goleador, ou seja, sabe (ou pelo menos sabia) enfiar as bolas no filó. Dizem que quem aprendeu a andar de bicicleta nunca mais esquece. Pois é. Ricardo do Galo é um exímio ciclista, enquanto Di Santo não consegue equilibrar-se num mero velocípede.

Outra navalhada do Dudamel: fez entrar  Arana no lugar de Fábio Santos. Até agora não entendi o porquê da contratação deste Homem-Aranha. O Galo precisa, urgentemente, de goleadores e vem com um lateral-esquerdo? Piada. A barbeiragem do Duda sem mel foi sacar o único cobrador de penalidades máximas que o Galo tem há mais de dois anos. Não deu outra: perde a única chance de marcar um chorado golzinho.

Diriam que o pênalti foi no Arana. Sim, mas já que tudo estava indo mal, esse herói dos filmes exagerados poderia ocupar o lugar  do Di Santo que, com certeza, deve ter um empresário forte exigindo a sua escalação. Ruim de doer!

Mais erros do treinador? Impossível citar porque ocorreram  às pencas, assim resumidos: demonstrou desconhecer o adversário e fez o time abrir-se como um paraquedas; mais uma vez joga sem ataque e manda a defesa subir; sofre um gol aos 4 minutos e não aprende, deixa o time à vontade.

Para concluir, os maiores erros, que consagram Dudamel  acumularam-se na entrevista coletiva: disse que o time não jogou tão mal e mentiu, achando que sem TV a tropeçada pudesse ser ocultada; complementou que esta foi a primeira derrota dele no Galo; citou que venceu duas e empatou duas; e prometeu que a surra no lombo dos jogadores vai inflamar o orgulho deles.  O desconhecimento de Rafael Dudamel  se esbarra na seguinte pergunta, em primeiro lugar: o Galo ganhou de quem até agora? O Campeonato Mineiro deve ser o pior do mundo. E Dudafel  não tem esta informação?

É fatídico concluir que Dudamel desce do telhado e entra na frigideira. Dificilmente virará o placar contra o Unión e começa a ser fritado. Não porque fazer 4 gols seja complicado. Não. O problema é que podem colocar esse time para jogar durante um século que não consegue tal façanha em time melhor que esses do Mineiro, infelizmente. De resto podemos esperar a tragédia: não é difícil perder da URT e também do Campinense na Copa Brasil.

Repito que detesto “cornetar”. É feio. Mas chega de sofrer, merda, ou Dudamerda! Sei que os torcedores amantes de suicídios no futebol vão me malhar ferozmente depois de publicar estas linhas.  Além de tudo, tenho ainda um pressentimento sério e fatal para revelar. Ei-lo: o pior momento do torcedor é quando ele percebe que sabe mais que o treinador. Exatamente isto parece ocorrer agora. Tomara que eu engula minhas próprias palavras. Prefiro ser feliz com o Galo vencendo do que me passar como profeta de catástrofe.

Para salvar o Galo, chamem Jesus. Não o do Flamengo, mas o próprio  Cristo Redentor. Quem sabe ajeita essa nau sem rumo e ressuscita onze, ou mais, lázaros?

José Sana
Em 08/02/2020

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

CADÊ OS CHINESES? OU MELHOR, CADÊ OS RENMINBIS?

Hoje acordei, lavei o rosto, escovei os dentes, tomei café e saí correndo para resolver um problema corriqueiro. Até aí, tudo bem, acho que todo mundo faz isto todos os dias, seguramente correndo, porque a vida virou uma correria desbragada, como dizem lá na minha terra.
O que me chamou a atenção foi que, logo ali, no elevador, alguém me fez uma pergunta intrigante e que me tirou do sério:

            — Cadê os chineses?

Foi de supetão e não consegui pensar na pergunta, quanto menos na resposta imediata. Apenas olhei pro chão, pro teto, pras paredes do elevador, procurando um imaginário e eventual chinês sem o seu vírus mortal.
E o moço continuou falando aos meus fracos ouvidos, detendo-me na saída do edifício, eu com hora marcada, mas parado com ele, ouvindo questionamentos preocupantes:

             — Cadê, Zé, me fala? Estou inquieto com isso! Foi no ano passado, acho que em setembro ou outubro, fiquei sabendo que uma turma de autoridades daqui viajou de Itabira à China em busca de projetos, apoio, dinheiro, os  *Renminbi. Tal equipe chegou de lá  eufórica, não por causa das carnes de gatos, ratos, morcegos que teriam ingerido, mas anunciando milhões para isso, mais milhões para aquilo, falavam em parque tecnológico,  aeroporto industrial,  porto seco, Unifei transbordando de alunos, faculdade de medicina, e por aí vai. Ou foi...e se foi?

E eu:

            — É mesmo, você tem razão! Não sei responder as suas perguntas agora. Quanto a isso, vivemos um silêncio ensurdecedor. Perdão, porque andei meio distraído com a “belorizontina”, as chuvas normais mas destruidoras e outras coisinhas.

Ele me segurou pelo  braço com mais ansiedade ainda, e continuou:




            — Li nos jornais, sites, blogs, acho que de você mesmo, na sua notícia seca, ou no zé do burro, que, no início de janeiro, fevereiro, sei lá, deste ano, tudo se resolveria, Itabira estaria nadando nos Renminbis e estaria até falando mandarim. Olha, pode ser que eu esteja errado, mas não ouvi nada neste 2020 sobre o assunto China em Itabira, estou assim meio preocupado porque, já viu, né? E mais ainda porque assustei você! (rsrsrsrsrs).

O rapaz, cujo nome não vou revelar, pelo menos agora, veio com outra:

            — Ontem li num site, acho que no facebook, que a Vale mandou um recado “tranquilizador” para todos os moradores de Itabira: informou a mineradora que em breve as minas serão fechadas e que a água vai sobrar em nossas torneiras como nunca sobraram. O incrível da história é que o recado da empresa doeu dentro de minha barriga, porque ninguém perguntou à velha e devedora CVRD isto: “Senhora Vale, o que faremos com a água se a cidade vai acabar?”  E mais: “Quem vai usar esse H²O, quem vai beber?”

E foi embora o rapaz (a Vale ainda não), deixando-me um pouco mais perplexo. Por isso é que rabisco essas linhas e pergunto às autoridades itabiranas: cadê os chineses? Ou melhor, eles não, eles transportam coronavírus, não queremos essa droga, queremos os Renminbis. Estamos ansiando pelos  investimentos, só eles, os filhos e netos de Mao Tsé Tung, nem Xi Jinping, esses que fiquem lá, quietos. Que mandem tudo on-line, depósitos, transferências, créditos. Reformulo a pergunta em nome de meu afoito interlocutor:

 — Cadê os investimentos chineses?  Se o negócio foi conversa “pra boi dormir”, podem deixar, deixem-me na falta de saber mesmo. Mas, cobrando sem parar...

Cadê? Cadê? Cadê?

José Sana

06/02/2020

* Renminbi é a atual moeda chinesa.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

FIM DO GLOBO MAZELA E CHEGADA DO PLANETA PAZ

O mundo está seguindo endiabrado, atropelando rios,  mares, rochas e montanhas, sem plano, sem destino. Diria o poeta que somos uma nau sem rumo. Quer mais evidências? Só preciso agora mudar o nome deste planeta. Retirem Terra e acrescentem Mazela. Estamos no Planeta Mazela.

Um dia perguntei a um delegado de polícia  se ele sonha em acabar com o crime definitivamente. Sabem o que ele me respondeu? “Cê tá doido, moço! Acabar com o crime e de que eu vou viver? E o leite das crianças? O produto que paga o meu salário chama-se desgraça!” Antes de encerrar o papo, perguntei a ele qual a função da polícia. Ele foi taxativo: “É uma controladora, só isso”.

Minha ficha caiu. Imaginei-me questionando um médico sobre algo parecido, só mudando  de crime para doença, e  já antecipei um retruque imediato:  “Cê tá doido?”  Eu próprio me coloquei no lugar dele e completei: acabar com doenças, hospitais, médicos, enfermeiros, quantos ficariam sem emprego, sem dinheiro, morreriam de fome? Acabam-se laboratórios, universidades, pesquisas, equipamentos, investimentos em projetos, tudo.

Mas a  ficha não caiu apenas por causa de crimes e doenças. Continuei perguntando de mim para mim: e o jornalismo, os impressos, rádios, televisão, internet, o que seria deles sem crimes e sem doenças? Não existiriam repórteres, gente informando, prestando serviços, máquinas registrando e uma parafernália de objetos.




Para que informar que tudo é paz? A paz nunca é notícia, só alguns doidos e o papa falam nela e sonham com ela. E a mencionam porque existem conflitos, desentendimentos, corrupção, roubos,  traição, safadeza, discórdia, guerra. Diria que haveria uma só manchete no último jornal do mundo assim estampada: “A paz chegou. O jornal acabou”.

Muitas fábricas fechariam suas portas e demitiriam milhões de funcionários. Param de fabricar armas de fogo, canhões, mísseis, armas nucleares. Não existem  mais desavenças porque quem manda agora é a paz. E cadê o terrorismo? Gato comeu. O Oriente Médio seria uma falta de graça de desanimar, sem homens-bomba, sem ataques destrutivos, sem perigo. Vejam só que substantivo chato sumiria do dicionário: perigo. Adeus, seu tira-prazeres!

O meio ambiente se transformaria num ambiente inteiro. Aí, sim, ninguém cogitaria de se prevenir, podem poluir, sujar, porque tudo é um equilíbrio só. Para que prevenção se somente coisas boas acontecem? Não há mais enchentes, nem ciclones. Para completar, é o fim de terremoto, maremoto, furacão, tornado, tsunami.  e chuvas de granizo. Não há desabrigados, portanto, não se requer profissionais para cuidar deles.

Aí entra o cidadão formado em ciências contábeis, ou os auditores, e estufam o peito. Ah, esses têm função! Diria que sim, talvez, mas se não existe mais a pobreza, não há mais a necessidade de fechar o balanço. Queiram ou não, o débito sempre empatará com o crédito, sem a necessidade de inserir contas de perdas e danos, ou prejuízos no meio.

Se não existe nem crime, nem doença e a preguiça comanda mais da metade das populações, vamos dar uma merecida aposentadoria para os financistas. Afinal de contas, a falta de dinheiro é que cria muitos pesadelos em nossas vidas. Agora tudo é mansidão, alegria, riqueza, abundância, fortunas e já enfiamos o pé no traseiro da tristeza.

Alguém  me  sopra  no ouvido e pergunta se o  esporte termina também. A dedução  é simples e natural. Se sumiram a fome, a doença, o crime; se não há tristeza, acabou, irremediavelmente, a aflição, a mágoa, o pesar, consequentemente, não há mais derrota, só vitória. Diria que dois times de futebol entram em campo e ambos vencem sem empatar. Inimaginável, mas é o novo mundo que desejamos. Dormimos nas arquibancadas. Ou não?

Querem saber de mais alguma coisa? Vou terminar por aqui porque estava sonhando com um mundo diferente e deu nisto: fiquei sem assunto. 

José Sana
Em 27/01/2020

sábado, 25 de janeiro de 2020

AU REVOIR


Antigamente eram dois apenas, biblicamente falando: Adão e Eva.
Em mais um tempinho, ou tempão, porque o primeiro casal viveu cerca de mil anos, aportaram-se mais dois no mundo: Caim e Abel. Somaram-se quatro.


Mas Caim matou Abel e o censo mundial ficou em três cabeças, ou seja, a caída se registrou em 25%.


Segundo a bíblia, Adão gerou mais filhos e, entre outros: Set, Cainan, Enós, Malaleel, Jared, Henoc, Matusalém, Lamec, Sem, Cam e Jafé. Noé apareceu e, crescido e velho, mas forte e idealista, construiu a tal arca de que tanto falam. E não havia Climatempo para avisar que vinha toró por aí. Quem avisou a Noé a vinda do chuvão? Ele guardou o segredo da ordem divina para que salvasse as origens, por pares naturais.  Morreu todo mundo não socorrido no dilúvio e salvaram-se os  resgatados. Acho que nós éramos da turma que se aglutinou na abençoada arca. E estamos aí.


Hoje, 25 janeiro de 2020, estima-se que a população do mundo tenha chegado a 7,7 bilhões, aproximadamente, de acordo com os ditos entendidos. As Nações Unidas preveem que a ralé humana chegará  a até 11,2 bilhões em 2100. Quem viver verá.


Conclusão: quanto mais gente, mais poluição, mais doenças, mais problemas, mais desafios. Peste, fome, guerra, desgraça, horror, terrorismo – quem inventou tantos substantivos não fui eu, nem você. E ainda os bordaram com os piores adjetivos. Quem não se ateve ao fato, acorde que o relógio despertador está tocando sem parar. É hora de fazer alguma coisa, planejar, executar, agir.




Há bem pouco tempo — e eu estava neste mundo já — a poluição terrestre se resumia de pequenas cutucadas nos barrancos a gambiarras construídas em beiras de córregos e rios.  Tinha um ou outro probleminha cuja culpa caía, irremediavelmente, no próprio ser que ergueu a sua choupana em lugares impróprios. O lixo nem era conhecido desses incautos terrestres, nós os cegos.


Córregos e rios fluíam livremente. As nascentes mandavam com limpidez a água cristalina para as casas, recolhido o H²O em bicas. O homem não tinha Saae/IT, nem Copasa/MG, nem Cedae/RJ, nem Sabesp/SP, e vivia muito melhor. O aumento populacional incontrolável (primeiro problema) gerou o nascedouro dessas companhias fornecedoras do conhecido e chamado precioso líquido.


O mundo perdeu o freio. O Brasil disparou sem contenção, mais que a média mundial, em desafios. As populações se concentram em pontos nos quais o dinheiro circula mais (segundo problema: esse é, na prática, o deus do mundo). Muitas terras no Mato Grosso, Amazonas e estados do Nordeste ficaram e permanecem praticamente abandonadas. O Brasil tem estados, a exemplo do Acre, que nada produzem. Moradores acreanos (ou acrianos), como outros na vizinhança, vivem exclusivamente das merrecas enviadas pela União.


Estamos nos maiores pontos de concentração dos aglomerados urbanos do país. Cada um levanta o seu barraco onde pode, de acordo com o seu poder aquisitivo, com materiais de primeira, segunda, terceira categoria e até de papel e tábua podre. Os espertos fazem aterros e vendem para os distraídos e de poder aquisitivo baixo. Os barrancos dos pontos ocos são cobertos com lonas de há muito tempo, que nada resolvem. Onde era vegetação natural não sofre ameaças, mas noutros lugares concentram-se os riscos.


O novo problema, dos maiores (o terceiro), é o tal lixo. Segundo dados oficiais, o Brasil produz 11.355.220 milhões de toneladas de escória plástica por ano. Cada brasileiro tutela 1 kg desse lixo plástico por semana. Essa média dobra por habitante quando se incluem outras sujeiras. Os detritos entopem bueiros e provocam transbordamento de regatos, córregos e rios. Outros fatores, lembremo-nos do criminoso asfalto, provocam as enchentes, que arrastam e matam  tudo e todos os que aparecem pela frente.


A chuva foi inventada por Deus para molhar a terra e dar vida a ela. Daí surge a alimentação de toda a raça global. Existe, desde os tempos bíblicos, ou melhor, a criação operada por Deus. Ela reveza com o sol no processo de adubagem normal do solo e do subsolo. Tanto a rejeitaram que “sua excelência” (deveria ser chamada assim e não os políticos) passou e se estacionar retida por um bom tempo em algum ponto da atmosfera. Como exemplo, vê-se claramente que o sol era e é de “rachar catedrais”, como diz o linguajar popular. Fim de dezembro e início de janeiro, meses recentes, ninguém suportava se expor a ele por muito tempo, nem nas praias ou beiras de piscinas. Fechado em quatro ou mais paredes, o morador passou a depender do ventilador ou do ar-condicionado. Mas o metido a inteligente não via, principalmente os adoradores do mar, das piscinas e os amantes da vida mansa e imediata, o perigo diante de si.


Em tempão retida, onde quer que fosse, fez a chuva tomar um rumo fácil de ser afirmado, enquanto cair, cair, cair era e é o seu sonho normal e natural. “Chove chuva” — não cansou de cantar Jorge Benjor com a sua bela voz, mostrando a beleza e a necessariedade dela, que merece por vezes e por pessoas lúcidas ser chamada de bênção, até de “linda de morrer”. Ou viver.


Armada a arapuca pelo próprio ser humano — esse não planejou as populações; construiu em ribanceiras e encostas; entupiu a passagem da água com lixos de todas as classificações possíveis; desmatou o quanto ambicionou; enfim, fez o que quis e o que não lhe mostrava resultados negativos imediatos — até que setores especializados em meteorologia anunciaram para um mero fim de semana, mixos quinta, sexta e sábado, talvez domingo — que haveria catástrofe no seio das moradias do impertinente, cego, surdo, doido, burro, tolo, idiota e babaca criminoso ser humano.


O resto nada mais preciso acrescentar porque nós mesmos preparamos o nosso meio-fim, sabendo que o fim total está prestes a vir, talvez já. Não adianta, também, chorar o leite derramado, a armadilha nossa para nós mesmos só teria um jeito de ser desmontada: a conscientização geral. Mas o incorrigível habitante do globo terrestre sabe pouco, ou nada do meio-tudo ou do  tudo-total e, infelizmente, o sonhado milagre não vai ocorrer.


Encerrando este texto, só tenho um toque a dar aos raríssimos que me leem e pouco em mim acreditam, e o faço numa linguagem muito conhecida pelo mundo afora, escrita em francês: “Au revoir ou même plus jamais!”


José Sana
Em 25/01/2020

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

FESTIVAL DE FOFOCAS INVADE A MÍDIA DO PAÍS

Quando abordei o tema “Aprenda a ler jornais” no meu futuro e muito próximo livro “Caminhos para a vitória”, quis apenas ver se dá para conter essa onda de besteirol que invade jornais, emissoras de TV, rádio e a internet de modo geral. Muita gente considera as fakes news a grande epidemia das redes sociais no momento. Infelizmente, porque futrica é mais danoso que a mentira, vence a fofoca em absolutíssimo primeiro lugar. Intocável.

Se você não quer passar o dia de saco cheio, perlustre os olhos mais rapidamente nos noticiários diários ou horários e não se detenha absolutamente em coisa alguma que diz respeito ao disse-que-disse e a outras falácias comuns em quase tudo que se escreve para se ler. Crava na gente uma profunda tristeza ver que os antigamente respeitáveis veículos da mídia estão dedicando atualmente grande parte de seus espaços em bisbilhotices, parece ser uma ordem vinda de cima, perdão, totalmente de baixo.

As intrigas não são novidade, é claro. Antigamente já existia até uma melodia engraçada, cantada por Roberto Carlos, com o pitoresco nome de “Mexerico da Candinha”, que denunciava uma espécie de colunista social de algum jornal. Numa das estrofes da música que fez sucesso (como tudo do Rei Roberto fazia sucesso na década de 1960). Nela ouve-se um trecho assim: “A Candinha quer fazer da minha vida um inferno/Já está falando do modelo do meu terno”. Mais à frente tagarela: “Ela diz que eu sou maluco/E que o hospício é meu lugar/Mas a Candinha quer falar”.

Não necessitando defender a tal Candinha, outras candinhas surgiram na TV brasileira, a ponto de acabar por atrair milhares de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. Constatou-se, finalmente, que o ser humano, um tanto quanto degenerado na face do planeta Terra, gosta mesmo é de babaquice, sem contar os crimes, de preferência os sanguinários e de enredo malicioso. Tal fato das bobeiras está explícito no tal de BBB, uma espécie de abordagem das mesquinharias da vida, que uma emissora ainda meio líder do mercado expõe escandalosamente com grande besta orgulho. E vai continuar assim enquanto o povo adorar a mexericada que nem a Candinha praticava.
                               


Apesar de todos os pesares, sabendo que os barracos ou babados sempre existiram e têm os seus especialistas de PHD, ainda há uma forma de as pessoas que procuram a cultura, a história, o sério, sobrevivam, caso sejam muito, mas muito mesmo, tarimbados na arte de perceber e selecionar. Mas está difícil se enquadrar no rol desses espertos, entre os quais me incluo, sendo obrigado a declarar que as porteiras das futricas, com difamações a partir de deduções, estão abertas e tomaram conta totalmente do sério e se imiscuem entre os fatos que seriam de uma seriedade indispensável. Mas acabam entrando para o festival de intrigas que irrompem o Brasil de ponta a ponta.

Infelizmente, tudo é infelicidade. Que drama! Que tortura! E não vou citar exemplos mais pontuais para não ter que alongar ainda mais esta página. No entanto, vejam só: basta entrar num portal dito sério da internet ou ligar o aparelho de televisão, ora na TV fechada, ora na aberta, e constatar que o mesquinho está sendo discutido;  fulano disse que o sapato do outro está furado; um dito cujo condenou olhares de uma celebridade para outra eventual celebridade; o politicamente correto se inverteu também; fala-se muito num projeto de tornar fulano de tal famoso para ser político importante, mesmo sendo um zé ninguém; o plano de tal homem público parece um remendo da cueca do seu avô. Deixo o resto por conta do meu inteligente e raríssimo leitor.

Só quero concluir: estou com uma super vergonha total de nosso querido, noutros tempos espirituosos, inteligente e agora completamente babaca cidadão brasileiro, os que não repugnam a piorada rede de notícias estampadas na desmoralizante mídia brasileira. Fora a imoralidade, o atentado ao pudor, a descarada pornografia que se ouve e se vê, tema para outra abordagem.

Por não a condenarem a fofoca, esticam a corda para a pornochanchada. Que falta faz o saudoso Sérgio Porto, de pseudônimo Stanislau Ponte Preta que, nos anos 1960, dedicava-se a focalizar o Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País)! Seria o editor-mor da atual cultura da grande mídia brasileira para desmoralizá-la de vez e, quem sabe, colocar nela um indispensável ponto final
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José Sana
Em 24/01/2020