domingo, 17 de janeiro de 2021

PARA RELAXAR: CONTO ELEITORAL DE SANTA BÁRBARA

Em Santa Bárbara, numa seção eleitoral que funcionava no prédio da Prefeitura, aconteceu este caso curioso e engraçado. Disputava a Presidência da República o Marechal Teixeira Lott, muito querido na cidade, com Jânio Quadros, que acabou vencendo. Era 3 de outubro de 1960.

 A fila de eleitores de toda a cidade e de todas as tendências virava o Hotel Quadrado e chegava à Casa Grande, onde nasceu o ex-presidente Afonso Pena. Os cidadãos aguardavam a chegada dos oficiais da Justiça Eleitoral.

 Às oito horas, iniciaram-se as chamadas nominais do eleitor para votação, que transcorria tranquila e com certa agilidade. Votaram os  Osvaldos, Orlandos, Ormicínios, Odilons, Paulos, Pedros, Pastores e Queiroz Sabino de Albuquerque que, imediatamente, sapecou na urna o voto para o Marechal Lott. Em seguida, a mocinha da mesa chamou o nome:


— Quinhento Reis de Bosta.

Nada do cidadão aparecer. E de novo, outra chamada:

   Quinhento Reis de Bosta.

E nada desse tal de Quinhento.

 Na fila, um velhinho de aproximadamente 80 anos, ansioso, aguardava a vez, e seu nome não era mencionado pela mocinha.

 No fim da tarde, quando todos já haviam votado, faltava apenas o velhinho ansioso, esperando, e a mesária chamou pela última vez:

— Quinento Reis de Bosta.

 Não houve resposta e ela se dirigiu ao velhinho, sozinho, mofando desde cedo, e indagou o seu nome. O idoso, feliz com a atenção de que era alvo, respondeu ligeiro:

— Meu nome é Quintiliano Reis de Bastos.

 Assim terminou mais um dia de votação em Santa Bárbara, que continua sempre com muitas estórias e histórias para contar.

 (Texto de Tião Crispim,  publicado no livro Ser Vereador, de José Sana, página 58, Editora Lastro, BH, 1999. Obs: a foto não é de 1960).

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